Sexta-feira, Julho 09, 2010

Reticência...

Estou reticente
Porque as luzes às vezes se apagam
Outras se acendem
O meu tateio é signo de um anseio
Não brotam do chão as flores que planto
Minhas camadas não se aprofundam muito
Eu baixo a cabeça com tédio e me esqueço
Quando lhe dou uma chance, dou-me a mim
Espero baixar o nível da água
Para assim molhar ligeiramente o pé
Entro sim, mas não mergulho
Que ainda não aprendi a sufocar
Estou pensativo de menos
Não por um esforço naturalista de esvaziar a mente
Se não penso, é por ter a cabeça vazada
Uma impotência me acomete
De modo que nem chego a estremecer
Uma mentira a mais, outra ilusão

Faço isso toda vez que o coração aperta
E não sei que dor me dói ou me espreita
Eu respiro e caminho com as mãos nos bolsos
Vai com Deus...

Fábio Santos Bispo (23-05-2008)

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