<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998</id><updated>2012-02-02T19:38:21.651-02:00</updated><title type='text'>Diálogos</title><subtitle type='html'>Cartas entre amigos, cujo propósito é manter viva a paixão pela vida e o amor pela filosofia</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>97</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7737956155015861385</id><published>2012-01-27T02:09:00.000-02:00</published><updated>2012-01-28T18:04:22.995-02:00</updated><title type='text'>Meu primeiro livro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-bq4TYiXouhw/TyRUJ3DYmcI/AAAAAAAABQg/p9V8Xdy1aV0/s1600/capa4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-bq4TYiXouhw/TyRUJ3DYmcI/AAAAAAAABQg/p9V8Xdy1aV0/s1600/capa4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;b style="font-size: x-small;"&gt;Imagem da Capa: Jacob de Backer - Alegoria das Três Idades do Homem - Óleo sobre painel, 100 x 123 cm - The Hermitage, São Petersburgo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: xx-small;"&gt;Esta obra busca compreender a lógica da ética da psicanálise a partir&amp;nbsp;de uma análise epistemológica da proposta de Lacan em &lt;i&gt;O Seminário,&amp;nbsp;livro 7 – a ética da psicanálise&lt;/i&gt;, comparando-a com a lógica das&amp;nbsp;modalidades de gozo em &lt;i&gt;O Seminário, livro 20 – mais ainda&lt;/i&gt;. Discutiu-se a visada de Lacan no Seminário 7 a partir de dois movimentos&amp;nbsp;principais: de um corte em relação à ética de Aristóteles e de um&amp;nbsp;recurso à forma kantiana da Lei Moral, cujo intuito era demarcar as&amp;nbsp;condições de possibilidade do desejo, bem como o caráter impossível&amp;nbsp;de sua apreensão empírica. Apresenta-se, ainda, um deslocamento&amp;nbsp;até a abordagem do Seminário 20, a fim de indicar o caminho que&amp;nbsp;Lacan escolhe para tratar os impasses da ética no Seminário 7. Explora-se a formalização de uma lógica da contingência, que incide sobre&amp;nbsp;o lado feminino das fórmulas quânticas da sexuação. Para tanto, é&amp;nbsp;apresentada a contribuição que Lacan extrai da lógica proposicional&amp;nbsp;de Aristóteles, bem como a transformação que ele empreende&amp;nbsp;a partir da lógica matemática, sobretudo com as contribuições de&amp;nbsp;Frege, resultando numa lógica que intenta abordar o real por meio&amp;nbsp;do discurso da psicanálise. A noção de gozo é revista a partir da introdução&amp;nbsp;do gozo do corpo, de maneira que pudemos esclarecer a&amp;nbsp;relação topológica entre os dois modos de gozo que aparecem no&amp;nbsp;Seminário 7 (o gozo fálico e o gozo de das Ding) comparando com a&amp;nbsp;relação entre os dois modos que aparecem no Seminário 20 (o gozo&amp;nbsp;fálico e o Outro gozo). Discute-se sobre como a lógica da contingência&amp;nbsp;permitiria falar de uma ética, a partir das considerações sobre a&amp;nbsp;ética do bem-dizer, cuja compreensão depende desse recurso à formalização&amp;nbsp;da contingência. Encerrando-se são exploradas as consequências&amp;nbsp;da consideração da contingência na práxis psicanalítica, a&amp;nbsp;partir da entrada do possível, justamente como uma figura que, ao&amp;nbsp;sair do campo do impossível, sem se prender nas vias do necessário,&amp;nbsp;abre espaço para o contingente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caros amigos, é com muito júbilo que lhes anuncio a boa-nova: meu livro foi publicado! Apenas para marcar a data, foi publicado no dia 26/01/2012. Desde já anuncio que o lançamento oficial está previsto para o dia 20/03/2012, no Seminário de abertura do curso "Psicanálise e Laço Social: Violência e Criminalidade" (coordenado pelos professores Andrea Guerra e Oswaldo França, da UFMG, e ministrado por mim e pelo Marcelo Fonseca). Brevemente divulgaremos o horário e local exatos do lançamento, mas, para aqueles que queiram adquirir com antecipação um exemplar, deverei recebê-los na semana que vem. O livro, que levou esse sonoro título, &lt;i&gt;A ética da contingência&lt;/i&gt;, foi produzido pela Editora Juruá e está com o preço de capa de R$49,90. Como eu adquiri algumas cópias, faço questão que meus amigos comprem diretamente comigo, para que eu possa ter a honra de autografá-lo (aliás, sempre quis dar um autógrafo!). Ouso pedir-lhes ainda mais, que sigam o conselho do singelo poema de Mario Quintana, intitulado &lt;i&gt;Citação&lt;/i&gt;:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="fr" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: url(http://pnsdr.com/img/comllas.gif); background-origin: initial; background-position: 0% 0%; background-repeat: no-repeat no-repeat; font-size: 19px; font: normal normal normal 1em/normal Arial, Helvetica, sans-serif; padding-bottom: 0px; padding-left: 40px; padding-right: 10px; padding-top: 5px;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;De um autor inglês do saudoso século XIX: "O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente."&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como todos vocês são Ladies e Gentlemen, ficarei feliz em compartilhar este que foi meu primeiro trabalho a ser publicado em forma de livro. Se o autor não lhes despertar grande interesse, outra boa notícia é que o livro foi prefaciado pelo brilhante e querido professor Jeferson Machado Pinto, além de contar com um capítulo de apresentação do meu ilustre orientador e excelentíssimo professor Luis Flávio Couto. Espero encontrá-los no lançamento e, quem já quiser reservar um exemplar, pode mandar email, ligar ou deixar recados no blog ou nas redes sociais, que eu guardarei com todo esmero. Eu terei um número limitado de cópias, mas acredito que será suficiente. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;Abraço especial a todos que caminham junto comigo nessas jornadas de pesquisa, ensino, trabalho, filosofia, literatura, &lt;i&gt;eros&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(desejo),&amp;nbsp;&lt;i&gt;philia &lt;/i&gt;(amizade) e &lt;i&gt;agape &lt;/i&gt;(amor)...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: -webkit-auto;"&gt;Fábio Santos Bispo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7737956155015861385?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7737956155015861385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7737956155015861385&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7737956155015861385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7737956155015861385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2012/01/meu-primeiro-livro.html' title='Meu primeiro livro'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-bq4TYiXouhw/TyRUJ3DYmcI/AAAAAAAABQg/p9V8Xdy1aV0/s72-c/capa4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7062029990846654486</id><published>2011-12-28T22:38:00.003-02:00</published><updated>2011-12-28T22:52:25.503-02:00</updated><title type='text'>A carência amorosa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Essa sensação de carência afetiva é algo tão comum, que é raro encontrarmos alguém que não se queixe, vez por outra, de sentir-se só, carente de atenção, de afeto ou de algo mais. Não são apenas os solitários que sentem falta da companhia de alguém. Há a intrigante solidão a dois, a três, a quatro... Isso nos leva a cogitar sobre o fato de que a condição de carência amorosa não seja tão simples quanto parece à primeira vista. Para quem está solteiro, não basta encontrar uma bela namorada para que a carência esteja sanada. Para quem se sente carente no relacionamento, não basta substituir o parceiro por outro mais atencioso (isso pode até funcionar para alguns tipos de carência, mas não sempre e não para todo mundo). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há então pelo menos três tipos de carência, que chamaremos, tomando empréstimo a Lacan, de privação, frustração e castração. Não se assustem. São três modalidades de falta de um objeto desejado, que podemos utilizar para pensar a carência amorosa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pensem primeiramente numa situação corriqueira, a fome ou a carência alimentar. Pode-se ter fome por privação de alimentos: você abre a geladeira e não encontra nada e o seu bendito e mísero salário já se evaporou completamente no segundo dia do mês. Você pode, entretanto, não estar privado de comida, mas ficar frustrado com ela: você pede um &lt;i&gt;Fois Gras&lt;/i&gt; num restaurante finíssimo – nunca comeu e nem está acostumado com essas &lt;i&gt;finesses&lt;/i&gt;, mas quer impressionar a namorada – e, pelo preço, você esperava algo divinamente saboroso, mas, acostumado que seu paladar está com churrasco e &lt;i&gt;fast food&lt;/i&gt;, você odeia o prato, fica frustrado e não come nada. Há finalmente aquelas situações nas quais você tem a comida, sabe que ela é deliciosa, mas não se permite comê-la. Isso acontece principalmente porque a maioria das coisas boas ou engordam ou são proibidas. A castração significa isto: a falta do objeto é determinada por uma proibição que você internaliza. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que isso tem a ver com a carência amorosa? Não é tão difícil agora pensar nas três condições em que ela se dá: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="text-align: justify;text-indent: -18pt; "&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;1.&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Primeiramente, você pode estar realmente privado da companhia de alguém. Seu marido viajou e vai ficar fora um mês. Seu namorado a abandonou e agora você não tem com quem ir ao cinema. Você é solteira e frequenta um grupo onde todos os homens, ou são casados, ou não gostam de mulher, ou não gostam de você. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-align: justify;text-indent: -18pt; "&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;2.&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Segundamente, você pode ter criado uma expectativa muito grande e, quando encontrou a pessoa, não era aquilo que esperava, então você fica frustrado e continua carente. Mesmo que a pessoa esteja ali e seja a mais atenciosa do mundo, a atenção dela é como o &lt;i&gt;Fois Gras&lt;/i&gt; que não o apetece. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraphCxSpLast" style="text-align: justify;text-indent: -18pt; "&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;3.&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Finalmente, pode ser que você tenha encontrado o amor de sua vida, ele esteja ao seu lado, dando a maior sopa, mas, por ironia do destino, uma aliança reluzente no anelar esquerdo lhe indica que ele é casado. Pertence a outra e você, portanto, não se permite aproveitar-se da promoção para adquiri-lo para si. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há, em suma, 1) a carência que vem da condição de não se ter a presença real de alguém; 2) há aquela que vem do fato de não se ter quem se espera; e 3) há aquela que vem da circunstância na qual se tem acesso à pessoa desejada, mas não nos permitimos usufruir dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para complicar ainda mais, nós neuróticos passamos pela condição de sempre imaginar coisas e de não saber nunca ao certo o que queremos na outra pessoa:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="text-align: justify;text-indent: -18pt; "&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;1.&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Mesmo quando a situação é de privação, que parece mais simples, pode não ser tão fácil assim. Quando seu marido viaja, embora você esteja privada realmente dele, você pode logo pôr-se a imaginar que um acidente grave pode lhe acontecer, ou que ele pode estar com outra pessoa. O temor de ficar privada dele para sempre introduz diversos agentes imaginários que o poderiam tomar de você. Ou, para aquela moça que não encontra um parceiro disponível, ela logo se põe a imaginar que falta nela alguma coisa: ninguém me ama, ninguém me quer (ninguém me chama de Jacques-Alain Miller)...  A vivência da privação geralmente se apresenta na vida amorosa como uma privação real, de um objeto simbólico, operada por um agente imaginário. O objeto é simbólico porque a pessoa de quem se trata é sempre um substituto (&lt;i&gt;ersatz&lt;/i&gt;) e geralmente nem sabemos o que buscamos no outro. A solidão a dois, por exemplo, pode explicar-se por essa condição: a pessoa está lá, mas não lhe dá o que você demanda (que muitas vezes você mesmo não sabe o que é) e você começa a imaginar uma outra situação (ou pessoa) que seria a causa disso.  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="text-align: justify;text-indent: -18pt; "&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;2.&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;A frustração, por sua vez, é sempre imaginária, por que é sempre uma expectativa que não se realiza no outro, mesmo que esse outro seja bem real. Ou justamente por isso: a realidade nunca está à altura do que imaginamos. É essa diferença que introduz a possibilidade simbólica de substituir uma coisa por outra. Do contrário, ficar-se-ia eternamente preso numa só ligação amorosa. A capacidade de fazer o luto de uma relação rompida e de investir em outras pessoas depende dessa defasagem entre o que imaginamos que queremos e o que realmente alcançamos em nossos encontros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoListParagraphCxSpLast" style="text-align: justify;text-indent: -18pt; "&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;3.&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Em Psicanálise estamos acostumados a usar a palavrinha “castração” para indicar uma carência simbólica. Essa falta só pode ser simbólica, porque ninguém é literalmente castrado, por mais que tenha recebido ameaças desse tipo quando pequeno. É uma falta simbólica de um objeto imaginário porque, nessas ameaças, o sujeito sempre se imagina castrado de alguma coisa preciosa. No caso da carência amorosa, essa falta simbólica se manifesta na sensação de não poder desfrutar do objeto amado. Esse “não poder” pode remeter a uma impossibilidade real, por que nunca é possível possuir completamente o outro, seu desejo sempre nos escapa. A ilusão de poder um dia possui-lo (ou de que os outros conseguem, só eu não consigo), entretanto, pode engendrar a sensação de impotência, ou seja, de uma impossibilidade simbólica ou mesmo de uma autoproibição: eu não me permito buscar o que desejo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Enfim, na relação amorosa sempre haverá alguma carência. É o que permite que haja o desejo. Freud diz que é a defasagem entre a satisfação almejada e a satisfação alcançada que nos impulsiona para as mais nobres realizações. Dizer que a relação sexual não existe, como o faz Lacan, significa isto: é impossível eliminar todas as carências. Aliás, o amor é o que existe por não se poder extirpá-las. Desse modo, no campo do amor, essa carência pode advir ora como frustração, ora como privação, ora como castração. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7062029990846654486?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7062029990846654486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7062029990846654486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7062029990846654486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7062029990846654486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/12/carencia-amorosa.html' title='A carência amorosa'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3504504504494425164</id><published>2011-08-04T23:17:00.004-03:00</published><updated>2011-08-05T00:21:07.776-03:00</updated><title type='text'>Por que amar uma mulher mais velha?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quero hoje apenas prestar uma breve homenagem a um dos autores mais fantásticos da literatura Universal: Honoré de Balzac. Mais que uma homenagem a ele, trata-se de uma homenagem a todas as mulheres, pessoas cujas condições, sofrimentos e mistérios foram eloquentemente retratados em &lt;em&gt;La femme de trente ans&lt;/em&gt;. Trata-se de uma obra cujo comentário exaustivo nos bastaria para termos um profundo e saboroso estudo sobre as relações amorosas de um modo geral e, mais especificamente, sobre a condição feminina no universo da sexuação. Entretanto, não será esse nosso objetivo aqui. Como diz o próprio Balzac, "raciocinar, quando é preciso sentir, é próprio das almas sem relevo". Convido-os, portanto, a sentirem um pouco do gosto e da sutileza ostentadas num breve trecho dessa obra magnífica, cuja leitura lhes recomendo vivamente. Sabe-se que um livro atingiu o nível do sublime quando, sem recorrer a uma sucessão interminável de peripécias, ele consegue prender-nos suficientemente a atenção, arrancando-nos do irresistível empuxo ao cochilo a que somos lançados no ônibus, ao retornar para casa na hora do &lt;em&gt;rush&lt;/em&gt;. Fiquem, então, na companhia do honorável Honoré de Balzac:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Uma mulher de trinta anos possui atrativos irresistíveis para um homem jovem; e nada mais natural, nada mais fortemente tecido e preestabelecido que a afeição profunda, de que vemos tantos exemplos na sociedade, entre uma mulher como a marquesa e um jovem como Vandenesse. Com efeito, uma jovem tem ilusões demais, é inexperiente demais e o sexo é cúmplice demais de seu amor, para que um rapaz possa sentir-se lisonjeado; ao passo que uma mulher conhece toda a extensão dos sacrifícios a serem feitos. Enquanto uma é arrastada pela curiosidade, por seduções estranhas às do amor, a outra obedece a um sentimento consciencioso. &lt;strong&gt;Uma cede, a outra escolhe&lt;/strong&gt;. Essa escolha já não é uma imensa lisonja? Armada de um saber obtido quase sempre ao preço de infelicidades, a mulher experiente, ao entregar-se, parece dar mais do que ela mesma; ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar; ela aceita o amor e o estuda. Uma nos instrui, nos aconselha numa idade em que gostamos de deixar-nos guiar, em que a obediência é um prazer; a outra quer aprender tudo e mostra-se ingênua, enquanto a mulher experiente é terna. Aquela nos oferece um só triunfo, esta nos obriga a combates perpétuos. A primeira só tem lágrimas e prazeres, a segunda tem volúpias e remorsos. Uma jovem só será amante se estiver muito corrompida, e então a abandonamos com horror; ao passo que uma mulher tem mil maneiras de conservar ao mesmo tempo seu poder e sua dignidade. Uma, demasiado submissa, oferece-nos as tristes seguranças do repouso; a outra perde muito para não exigir do amor suas incontáveis metamorfoses. Uma desonra-se sozinha, a outra destrói em seu proveito uma família inteira. A jovem conta apenas com sua coqueteria, e acredita ter dito tudo quando tirou o vestido; mas a mulher possui incontáveis atrativos e oculta-se sob mil véus; enfim, ela acalenta todas as vaidades, enquanto a noviça só acalenta uma. Aliás, na mulher de trinta anos agitam-se indecisões, temores, dúvidas e tempestades que jamais ocorrem no amor de uma jovem. Ao chegar a essa idade, a mulher pede a um homem jovem para  restituir-lhe a estima que lhe deu; vive apenas para ele, ocupa-se de seu futuro, deseja-lhe uma vida bela, ordena-lhe que seja gloriosa; obedece, implora e comanda, curva-se e elava-se, e sabe consolar em inúmeras ocasiões, enquanto a jovem apenas sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens de sua posição, a mulher de trinta anos pode fazer-se jovem, representar todos os papéis, ser pudica, e inclusive tornar-se mais bela com uma infelicidade. Entre as duas há a incomensurável diferença entre o previsto e o imprevisto, a força e a fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não ser, nada deve satisfazer. Essas ideias desenvolvem-se no coração de um homem jovem e formam nele a mais forte das paixões, pois esta reúne os sentimentos artificiais criados pelos costumes aos sentimentos reais da natureza".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3504504504494425164?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3504504504494425164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3504504504494425164&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3504504504494425164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3504504504494425164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/08/por-que-amar-uma-mulher-mais-velha.html' title='Por que amar uma mulher mais velha?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-1572431767707633084</id><published>2011-07-20T01:03:00.009-03:00</published><updated>2011-07-23T10:39:51.004-03:00</updated><title type='text'>O que é traição?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É incrível como, atualmente, no que diz respeito aos relacionamentos amorosos, o rigor socrático tem sido ironicamente evocado. Certa vez, um amigo, ao ser interrogado sobre seu “status de relacionamento” ficou meio constrangido, sem saber o que responder. A moça, com o inquisitivo espírito jornalístico que a intimidade permite, insistiu:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Você está namorando a Beatriz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Defina namoro. Foi a resposta brusca e seca que recebeu. Na hora cogitei que fosse delírio meu acreditar que ele tinha lido os diálogos socráticos e agora repetia com a moça o exercício filosófico. Como o interesse dela era menos na definição conceitual e mais na novidade prática da notícia, a conversa foi se aprofundando sem receber respostas assertivas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Você já chegou a traí-la? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ah, isso é muito relativo, depende do que se entende por traição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Impaciente, a moça utiliza o método do IBGE: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Você considera que, do seu ponto de vista, daquilo que você mesmo considera como sendo uma traição, você já a traiu? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando achei que ela o havia finalmente encurralado, baixou-lhe definitivamente o &lt;i&gt;daimon&lt;/i&gt; socrático e ele retrucou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- O que eu entendo por traição pode ser muito diferente daquilo que ela entende... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Então, o que importa é o entendimento dela? Ela já se sentiu traída?  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns leitores mais desconfiados podem ver, nesse curto diálogo, em vez de um rigor conceitual, uma esquiva descarada, fundamentada na tão famosa safadeza masculina. Peço, porém, um voto de confiança para o meu amigo. Não para considerá-lo um filósofo, mas para analisar as possíveis razões que o levam a titubear tanto em suas respostas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma primeira razão diz respeito à pluralização das possibilidades de laços e de pactos amorosos na contemporaneidade. É bastante razoável pensar que, há tempos atrás, a definição de traição fosse bem mais positiva – assim como o era a definição do status do relacionamento. Antes o foco era basicamente o casamento, sendo que o noivado era definido como a promessa de casamento. Depois surge a possibilidade de se estabelecer um relacionamento amoroso antes da promessa de casamento, com o objetivo de conhecer um pouco mais o parceiro. Isso também redefine a noção de noivado, incluindo-o na ordem de uma gradação – de uma relação amorosa mais frágil para uma mais sólida. Com o tempo, outras modalidades vão sendo instituídas (flerte, paquera, ficar, etc.). Não é que não aconteciam antes, mas, ao receberem nomes, ganham reconhecimento social e passam a fazer parte do protocolo das relações amorosas. Podem conferir, por exemplo, nas opções de status de relacionamento do Facebook. Acrescidas à sequencia tradicional (solteiro, namorando, casado, divorciado, viúvo), temos duas condições curiosas: ‘amizade colorida’ e ‘relacionamento enrolado’. Sem contar que ‘namoro’ foi substituído por ‘relacionamento sério’. Pasmem aqueles que não tinham reparado isso! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, realmente, com transformações tão fundamentais nas possibilidades de relacionamento, não são poucas as pessoas que ficam perdidas hoje ao falar sobre si mesmas (enfim, não se titubeia somente por conveniência). Essa dificuldade parece justificar a proscrição da palavra ‘namoro’ em favor de ‘relacionamento sério’. Afinal, poucos se sentem seguros para afirmar precisamente o início de um namoro. Se as pessoas não sabem definir muito bem o status dos próprios relacionamentos, como saberão definir o que é ou não uma traição?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Arrisco-me a dizer, contrariamente às expectativas, que o que define uma traição não é o status do relacionamento. A traição é mais bem definida pela significação subjetiva do que pela conduta objetiva. A nomeação do status, obviamente, pode provocar efeitos subjetivos, posto que vem marcar uma condição do relacionamento, estabilizando seu sentido subjetivo que pode então ser compartilhado (nas redes sociais, p. ex.). Contudo, não há nenhum protocolo que defina, em relação a cada status, o que deve ou não ser considerado traição. As pessoas hoje se perguntam, p. ex., se é possível haver uma traição puramente virtual. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mesma conduta objetiva pode adquirir um significado intersubjetivo diferente de um casal para outro, mesmo entre casais que se consideram no mesmo status de relacionamento. Isso não tem necessariamente a ver com o fato de um casal ser mais moderno ou mais liberal que outro. Há casais que apresentam uma liberalidade sexual bastante avançada, aceitando, p. ex., troca de casais para atividades sexuais, sem que isso seja considerado traição. Entretanto, há sempre um limite na liberalidade e, muitas vezes, o homem pode comer a amiga de todas as formas, mas, se lhe escrever apenas um verso ou lançar-lhe um olhar diferenciado, pode ser inapelavelmente acusado de traição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o mais importante para determinar uma traição não é nem o status de relacionamento, nem a conduta objetiva. Trai-se o parceiro quando se fere a sua confiança ou expectativa. Trair a expectativa é diferente de frustrá-la. Frustramos o outro quando não nos mostramos à altura do que ele espera. Traímo-lo quando estamos à altura do que ele espera, mas deixamos entrever, deliberada ou involuntariamente, que ele não está à nossa altura. Isso faz tanto sentido que uma amiga, recentemente, relatou sentir-se traída pelo namorado por que ele olha para outras mulheres com um olhar de desejo. Ele a trai quando a destitui do lugar que ela espera ocupar no desejo dele. Para isso, ele poderia ter transado com outra, ter beijado, ter saído, ter conversado, ter deixado um depoimento, ter simplesmente olhado ou pensado em outra pessoa. Nada disso, no entanto, é necessário para caracterizar a traição, pois basta que o outro suponha que qualquer dessas ações possa abalar o relacionamento para que a traição esteja lançada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis então uma boa definição para a traição:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;“Destituir o outro do lugar que ele acredita merecer em nosso desejo”.&lt;/strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-1572431767707633084?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/1572431767707633084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=1572431767707633084&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1572431767707633084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1572431767707633084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/07/o-que-e-traicao.html' title='O que é traição?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-6671368606236742699</id><published>2011-03-08T17:48:00.002-03:00</published><updated>2011-03-08T17:51:27.010-03:00</updated><title type='text'>Regras do jogo para os homens que queiram amar às mulheres mulheres</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;El hombre que me ame&lt;br /&gt;deberá saber descorrer las cortinas de la piel,&lt;br /&gt;encontrar la profundidad de mis ojos&lt;br /&gt;y conocer lo que anida en mí,&lt;br /&gt;la golondrina transparente de la ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;El hombre que me ame&lt;br /&gt;no querrá poseerme como una mercancía,&lt;br /&gt;ni exhibirme como un trofeo de caza,&lt;br /&gt;sabrá estar a mi lado&lt;br /&gt;con el mismo amor&lt;br /&gt;conque yo estaré al lado suyo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;El amor del hombre que me ame&lt;br /&gt;será fuerte como los árboles de ceibo,&lt;br /&gt;protector y seguro como ellos,&lt;br /&gt;limpio como una mañana de diciembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;El hombre que me ame&lt;br /&gt;no dudará de mi sonrisa&lt;br /&gt;ni temerá la abundancia de mi pelo,&lt;br /&gt;respetará la tristeza, el silencio&lt;br /&gt;y con caricias tocará mi vientre como guitarra&lt;br /&gt;para que brote música y alegría&lt;br /&gt;desde el fondo de mi cuerpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;El hombre que me ame&lt;br /&gt;podrá encontrar en mí&lt;br /&gt;la hamaca donde descansar&lt;br /&gt;el pesado fardo de sus preocupaciones,&lt;br /&gt;la amiga con quien compartir sus íntimos secretos,&lt;br /&gt;el lago donde flotar&lt;br /&gt;sin miedo de que el ancla del compromiso&lt;br /&gt;le impida volar cuando se le ocurra ser pájaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;El hombre que me ame&lt;br /&gt;hará poesía con su vida,&lt;br /&gt;construyendo cada día&lt;br /&gt;con la mirada puesta en el futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;Por sobre todas las cosas,&lt;br /&gt;el hombre que me ame&lt;br /&gt;deberá amar al pueblo&lt;br /&gt;no como una abstracta palabra&lt;br /&gt;sacada de la manga,&lt;br /&gt;sino como algo real, concreto,&lt;br /&gt;ante quien rendir homenaje con acciones&lt;br /&gt;y dar la vida si es necesario.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;El hombre que me ame&lt;br /&gt;reconocerá mi rostro en la trinchera&lt;br /&gt;rodilla en tierra me amará&lt;br /&gt;mientras los dos disparamos juntos&lt;br /&gt;contra el enemigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;El amor de mi hombre&lt;br /&gt;no conocerá el miedo a la entrega,&lt;br /&gt;ni temerá descubrirse ante la magia del enamoramiento&lt;br /&gt;en una plaza llena de multitudes.&lt;br /&gt;Podrá gritar -te quiero-&lt;br /&gt;o hacer rótulos en lo alto de los edificios&lt;br /&gt;proclamando su derecho a sentir&lt;br /&gt;el más hermoso y humano de los sentimientos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X&lt;br /&gt;El amor de mi hombre&lt;br /&gt;no le huirá a las cocinas,&lt;br /&gt;ni a los pañales del hijo,&lt;br /&gt;será como un viento fresco&lt;br /&gt;llevándose entre nubes de sueño y de pasado,&lt;br /&gt;las debilidades que, por siglos, nos mantuvieron separados&lt;br /&gt;como seres de distinta estatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XI&lt;br /&gt;El amor de mi hombre&lt;br /&gt;no querrá rotularme y etiquetarme,&lt;br /&gt;me dará aire, espacio,&lt;br /&gt;alimento para crecer y ser mejor,&lt;br /&gt;como una Revolución&lt;br /&gt;que hace de cada día&lt;br /&gt;el comienzo de una nueva victoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Reglas de juego para los hombres que quieran amar a mujeres mujeres, Gioconda Belli)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-6671368606236742699?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/6671368606236742699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=6671368606236742699&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6671368606236742699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6671368606236742699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/03/regras-do-jogo-para-os-homens-que.html' title='Regras do jogo para os homens que queiram amar às mulheres mulheres'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3922356139980175713</id><published>2011-01-29T10:53:00.004-02:00</published><updated>2011-01-29T12:29:07.891-02:00</updated><title type='text'>É melhor ser o amante que o amado...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Primeiramente, devo adverti-los de que esse título não tem o sentido vulgar que primeiro lhes veio à cabeça de todos. Não quero dizer que seja melhor ser o amante que o marido. Não uso a palavra no sentido de clandestinidade sexual. O par amante e amado remete ao que os gregos - sobretudo em &lt;em&gt;O Banquete&lt;/em&gt;, de Platão, que é aqui sempre evocado - chamam de ερώμενο. É um termo que permite articular, como diz Lacan, "o que se passa no amor no nível deste par formado, respectivamente, pelo amante e pelo amado, o &lt;em&gt;érastès&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;érômenos&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A afirmação, porém, parece de fato um contrasenso. Os senhores devem imaginar como é patentemente óbvio que o que as pessoas mais querem é ser amadas! A ponto de Freud dizer que os ideais básicos do homem seriam o poder, o prestígio e o amor das mulheres! De fato todos desejam ser amados e parece-nos infinitamente melhor receber o maior amor possível, advindo do maior contingente de pessoas, do que apenas amar e não ser correspondido. "Que ideia mais medievalmente cristã esta: amar e não ser amado!", dirão os senhores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se voltarem, contudo, para a experiência cotidiana, verão que digo a verdade - pelo menos num certo nível. Se por "melhor" entendermos algo mais emocionante, mais impressionante, mais marcante, os senhores logo me darão razão. O amante é aquele que ama (bah!), aquele que deseja o outro. E, seguindo a melhor tradição do banquete, desejamos aquilo de que sentimos falta. O amante, portanto, deseja. O amado, por outro lado, já tendo recebido o amor (desejado ou não), pode simplesmente usufrui-lo. Enquanto, pois, o amante deseja, o amado goza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais marcante, impressionante e emocionante desejar do que gozar. Como dizia o velho ditado latino, &lt;em&gt;post coitum omne animal triste est&lt;/em&gt;. Traduzindo em bom português: depois de foder, todo animal fica triste! Traduzindo em nossos termos: depois de alcançar o que se deseja, todo mundo fica meio enfastiado. Como nos ensina Platão e Schopenhauer, depois de satisfeito o desejo vem o tédio, ou, depois de saciado o apetite vem o fastio. Fastio, como diz minha sábia mãe, é quando não temos vontade de apreciar aquilo que normalmente nos apetece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma realidade muito simples que cada um dos senhores pode reconhecer na experiência amorosa já vivenciada. Lembrem-se dos velhos encontros amorosos da juventude: quando os senhores eram os amantes, ou seja, quando assumiam o papel de fazer a corte, certamente cada detalhe do encontro era muito mais marcante. Quando, porém, os senhores eram os cortejados e, sem serem amantes, aceitavam por polidez os convites de amantes impertinentes, os encontros eram certamente muito mais maçantes e tediosos. É por isso que as pessoas sempre reclamam de amarem quem não as ama, por que o amor cresce na medida de sua insatisfação - ou, nas palavras de Lacan, o &lt;em&gt;desejo é sua insatisfação&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No frigir dos ovos, pois, se é mais marcante, mais emocionante e mais impressionante aqueles encontros com as pessoas que amamos e desejamos, e se as amamos e desejamos mais quanto menos elas nos amam e desejam, logo, é melhor, é mais emocionante, marcante e impressionante sermos nós os amantes do que sermos os amados!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3922356139980175713?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3922356139980175713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3922356139980175713&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3922356139980175713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3922356139980175713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/01/e-melhor-ser-o-amante-que-o-amado.html' title='É melhor ser o amante que o amado...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3402724813514398793</id><published>2011-01-22T19:26:00.005-02:00</published><updated>2011-01-23T01:17:23.904-02:00</updated><title type='text'>Por que as pessoas se apaixonam?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As pessoas se apaixonam por si mesmas!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos adorariam descobrir o segredo de como fazer os outros se apaixonarem. Tais façanhas donjuanistas costumam rechear as estórias dos jovens galãs que se gabam de conquistadores. Há quem acredite saber o segredo do coração das damas. Outros, ainda que admitam nada saberem, confiam piamente que podem um dia vir a saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora minha resposta seja muito direta - as pessoas se apaixonam por si mesmas - ela pode ser lida de duas maneiras, ambas repletas de consequências. A primeira pode ser o que vocês pensaram, pela vertente do narcisismo. Nesse sentido, as pessoas se apaixonam por si mesmas quer dizer que elas se amam, se adoram a si mesmas e, por esse motivo se apaixonam. Nesse caso, toda paixão seria, em última instância, uma paixão narcísica. Eu não me apaixono pela bela pessoa que encontro, mas pela imagem que carrego comigo. Esse ponto de vista não é nenhum pouco contraintuitivo. Quantas vezes já se ouviu dizer que as pessoas apaixonadas só veem no outro aquilo que querem ver? Isso é narcísico por que, no final das contas, eu amo no outro aquilo que creio ser bom para mim. Ou, pelo menos, eu amo no outro aquela imagem arraigada que eu acredito que ele seja capaz de encarnar perante mim. Tal paixão significa a crença, a esperança, o desejo profundo de que o outro torne real a minha fantasia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo sentido, entretanto, será mais propício para dar resposta à questão do título. "Por que as pessoas se apaixonam?" é uma questão que também pode ter dois sentidos: um que pergunta pela causa da paixão e outro que pergunta por seu objeto (Por que = Por o que = Pelo que). A questão é, então, a seguinte: Qual o objeto e qual a causa da paixão? Qual o objeto causa da paixão? Dizer que &lt;em&gt;as pessoas amam a si mesmas no outro&lt;/em&gt; responde pelo objeto, mas nada diz a respeito da causa da paixão. Por outro lado, pode-se ler assim: as pessoas se apaixonam por causa de si mesmas. Em outros termos, a paixão é um movimento que vem de si mesmo, não do outro. Todos os esforços donjuanistas para a conquista do amor feminino são vãos, pois, no fim das contas, se a mulher se apaixona, isso é algo que parte dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro sentido, então, temos que as pessoas se apaixonam pelo próprio ego. No segundo sentido, temos que há algo nesse 'ego' que a leva a apaixonar-se por alguém, sem que esse outro tenha rigorosamente mérito ativo algum pelo enamoramento. A bela mulher está lá, eu estou aqui e, de repente, apaixono-me, sem que entre ela e minha paixão exista necessariamente uma relação de causa e efeito. A mulher seria apenas uma causa secundária. A causa real e que fica sempre elidida é uma falta que eu já carrego comigo. Eu sinto falta de alguém e apaixono-me na medida em que julgo que uma mulher pode preencher essa falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois sentidos estarão interligados se considerarmos que esse algo que o ego traz, que me leva a apaixonar-me, é uma carência. Eu me apaixono por aquilo que supostamente pode aplacar meus anseios, satisfazer meus desejos, suturar as minhas faltas. O 'si mesmo' é rigorosamente uma falta, uma decalagem entre o que eu desejaria ser ou ter e aquilo que eu efetivamente sou e tenho. A paixão ocorre quando a esperança de superar essa defasagem se aferra a uma figura muito especial, que é a pessoa amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo da paixão é, pois, respeitar a falta que o outro traz de si mesmo, suportar o papel ficcional (ou fixional) de ser por alguns instantes o que vai na imaginação do outro, sustentar os pequenos dramas, os pequenos romances, as pequenas fantasias que brotam dessa situação, sabendo que, no fim das contas, é só um romance. Toda paixão é só um romance, assim como o é a vida. Porque a vida não é séria, ela foge do esperado, ela é inventada. Aceite inventar e viver entre invenções e poderá sempre viver alguma paixão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3402724813514398793?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3402724813514398793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3402724813514398793&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3402724813514398793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3402724813514398793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/01/por-que-as-pessoas-se-apaixonam.html' title='Por que as pessoas se apaixonam?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5487335519813157641</id><published>2011-01-17T21:48:00.000-02:00</published><updated>2011-01-17T21:54:27.768-02:00</updated><title type='text'>O jogo amoroso</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;A conquista amorosa, todo homem sabe, é um jogo&lt;/b&gt;. Não há definição melhor para a experiência de conquistar uma mulher: o jogo é a analogia perfeita para o flerte que antecede o primeiro beijo que marca o início de um relacionamento, dure ele uma noite ou a vida toda. Seja longa ou curta, a conquista amorosa é um jogo que deve ser jogado com maestria e cuidado. Há alguns homens que se profissionalizam, outros são amadores, não importa: para conquistar o coração de uma dama, o homem deve estar disposto a entrar no espírito e jogar, com ela, esse jogo onde (esperamos) todos ganham no final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;Portanto, para simplificar essa ideia, vamos dividir a conquista amorosa em dois tipos de jogo: o jogo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Co-Op&lt;/i&gt;, ou modo cooperativo, e o famigerado &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt;, ou modo disputa. Pode haver jogos onde esses dois estilos se intercalem, mas é mais provável que a conquista amorosa se baseie inteiramente em um ou no outro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;O modo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Co-Op&lt;/i&gt; é como um jogo descontraído de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;frisbee&lt;/i&gt; na praia, ou um jogo de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;squash&lt;/i&gt;. Essas são as conquistas nas quais não apenas um indivíduo está interessado no outro, mas ambos se encontram e buscam deixar claro – com uma intensidade crescente, até o clímax do beijo – que o interesse é recíproco, e o encontro final, inevitável. No modo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Co-Op&lt;/i&gt;, o objetivo da conquista não apenas é compartilhado – ambos sabem o que querem – como os dois participantes trabalham ativamente em prol de uma meta comum. O banco na mesa do bar está propositalmente ao lado do outro. A noite deste sábado está – vejam só, que coincidência! – absolutamente livre e disponível. As caronas das amigas são sumariamente rejeitadas. Cada flerte ou indireta é prontamente recebido com um sorriso ou, o que é melhor, com outra indireta (cada vez menos sutis). Cada movimento de um parceiro amoroso é somado ao movimento do outro, cada passo em direção ao beijo ansiado é um ritual que ambos sabem necessário cumprir – tais as regras sociais implícitas da corte amorosa. Não há fuga (o que não quer dizer que não haja nervosismo) e tampouco protelações: os jogadores se revezam para que a bola continue quicando na parede, e o disco não caia no chão. As únicas ameaças para o modo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Co-Op&lt;/i&gt;, portanto, são externas: apenas fatores alheios à partida podem interferir em seu final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;O modo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt;, por sua vez, é para praticantes radicais. O sentimento de atração mútua existe – do contrário, não há jogo, apenas assédio – mas o caminho para a meta final é arriscado, cheio de “poréns”, desvios, desencontros, mal-entendidos, embaraços. Como o próprio nome sugere, esta é uma disputa: os movimentos do homem são como movimentos de um jogo de xadrez que precisam ser medidos cuidadosamente; cada frase precisa ser pensada, cada investida deve ser meticulosamente calculada ou botará tudo a perder. Como uma disputa, os movimentos de um participante anulam os movimentos do outro, e às vezes recua-se, afastando-se da meta; outras vezes uma jogada audaciosa e bem planejada colocará o homem mais perto do coração de sua amada: ganha-se terreno. Contudo, o modo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt; exige cuidado e esforço em um tempo determinado: o flerte que se alonga demais ultrapassa certa linha de segurança, o interesse da dama se arrefece, impacienta-se. Tanto foi dito, tanto foi feito, e nada sucedeu; é mais provável que o embaraço seja tão grande que os dois participantes simplesmente se distanciem, confusos e envergonhados porque nada aconteceu no tempo em que deveria acontecer, emaranhados no meio de tantas tentativas frustradas de aproximação que não deram em nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;Voltando ao propósito do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt;: o objetivo do homem é conquistar o coração da dama; o objetivo da dama, sortear empecilhos. O interesse da mulher (que, num nível elementar e quase intuído, &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;existe&lt;/b&gt;) sempre está mascarado, propositalmente obscuro, nunca dito com clareza – e como os homens precisam de clareza! As indiretas são rebatidas com provocante – quase genuína! – ingenuidade, ou respondidas de uma forma tão vaga que nunca se saberá com certeza sua eficácia. Às vezes a mulher tem apenas vergonha, e todas as possibilidades de encontro ocorrem em grupos; às vezes o flerte é recebido com ambigüidade ou respondido literalmente – para pouco tempo depois ser reinterpretado por ela mesma, reacendendo o desejo: não importa como, &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;o desejo da mulher jamais será do homem sem que ele prove merecê-lo&lt;/b&gt;, está-se sempre por um fio. Em alguns casos, pode-se mesmo dizer que o objetivo da mulher é desnudar, de uma vez por todas, o desejo implícito do homem, expô-lo inteiramente em seu próprio campo. E se isso acontecer, sempre haverá a possibilidade – as mulheres às vezes são bem cruéis – do desejo exposto ser negado: o homem deve vencer o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt; sem denunciar-se; ele só ganha se conseguir desviar-se dessas armadilhas femininas protegendo suas intenções da exposição ao ridículo. Como eu disse, esse jogo não é para os fracos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;Assim, o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt; se desenvolve enquanto o homem procura enredar a fugidia mulher em seu desejo sem, com isso, estilhaçá-lo no discurso vazio. Ele deve provar seu valor antes do tão almejado prêmio: o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt; é quase um ritual, uma prova de resistência e sagacidade. &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Um movimento em falso, uma manobra ousada demais, e o jogo termina&lt;/b&gt;. De repente, instigado pela mulher, o afoito amante manda uma mensagem que, mais tarde, lhe parecerá boba e ridícula. Entre impaciente e envergonhado, recriminando-se pela afobação, ao homem só restará lamentar-se: como a dama de seu coração é difícil! E talvez por isso a ame mais ainda, e o jogo se alongue até o final por W.O.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;Mas nem tudo são pedras no caminho do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Match&lt;/i&gt;. Ao jogador desse jogo imprevisível, arriscado, aplica-se com certa parcimônia o provérbio que dita que “as melhores mulheres estão com os homens mais atrevidos”. Se as jogadas certas, no tempo certo, podem – vejam bem, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;podem&lt;/i&gt; – significar êxito na partida, certas manobras ousadas podem ser decisivas para o resultado final. O bom uso da tensão que perpassa o jogo – o desejo, a sensação de ridículo, o desnorteamento, a falta de certezas – pode virar a partida a favor do homem: em sua precariedade frente ao enigma do desejo feminino, ele arrisca, expõe-se contrariando todas as regras e normas e ordens do jogo, pondo-se audacioso e verdadeiro frente à mulher, elegante manobra &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;tudo-ou-nada&lt;/i&gt; semelhante à cartada final do truco, que é tão mais vencedora quanto mais temerosa, imprevisível e súbita. Essa manobra arriscadíssima, claro, não elimina uma possível derrota – a mulher, assustada, pode recuar com seu desejo –, mas muitas vezes é responsável por vitórias vibrantes e apaixonadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;Finalmente, qual jogo é o melhor? Impossível dizer. Cada qual tem seu mérito, seus prazeres. Na verdade, feliz ou infelizmente, não cabe tanto ao homem decidir qual jogo jogar: primeiro, porque ele simplesmente não manda em seu coração – e, conseqüentemente, não escolhe por quem ele irá se apaixonar –; segundo, porque quem ditará as regras do jogo sempre será a mulher. Ao homem, como sempre foi em incontáveis eras humanas, cabe tentar segui-las – ou corajosamente subvertê-las.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5487335519813157641?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5487335519813157641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5487335519813157641&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5487335519813157641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5487335519813157641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2011/01/o-jogo-amoroso.html' title='O jogo amoroso'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4291460235096683405</id><published>2010-11-01T19:51:00.005-02:00</published><updated>2010-11-02T10:36:58.726-02:00</updated><title type='text'>O que desejam os homens?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma leitora me desafiou no último post a escrever sobre o que, afinal, os homens querem. É uma tarefa difícil, mas felizmente eu não estou aqui para dar minha resposta pessoal/parcial - o que seria muito mais decepcionante. Devo então pedir auxílio a dois grandes pensadores: Hegel e o Dr. Lacan. Imagino que as mulheres já devam começar a desanimar com essa notícia, prevendo tratar-se de outra elucubração intelectual incompreensível. Peço, porém, um voto de confiança. Prometo tentar oferecer uma leitura significativa das respostas desses autores: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O que o homem deseja é o desejo do Outro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que o senhor que dizer com isso? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Primeiramente, advirto: esse Outro aqui não quer dizer 'outro homem'. O aforisma, aliás, traz uma ideia muito simples, mas ao mesmo tempo crucial para a resposta que lhes formulo. Quer dizer que o que o homem deseja, no frigir dos ovos, é ser desejado. Para ser desejado, ele imagina dever tornar-se desejável, e é na definição dos critérios sobre o que é desejável que reside todas as confusões. É por isso também que os homens sempre se perguntam "o que quer uma mulher?", porque a resposta ajudaria a definir o que é desejável e, portanto, seria uma norte para o próprio desejo masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhores ainda podem pensar: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas como é esse negócio de desejar o desejo? - que coisa esquisita!". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece realmente estranho quando nos acostumamos a definir o desejo pelo objeto: "desejo uma maçã!"; "desejo uma bela mulher!"; "desejo um carro do ano!". O objeto, porém, é apenas uma metáfora para o desejo, um substituto, ou seja, é sempre um meio para se buscar outra coisa. Convidemos Aristóteles para explicar isso. Ele sugere que toda ação tem um fim que é o bem dessa ação, mas que há um encadeamento dos fins, uma espécie de hierarquia, que leva até o fim último, o Bem Supremo. Por exemplo: eu posso desejar dinheiro, mas não porque o dinheiro tenha um fim em si mesmo. Eu o quero somente porque ele me permite comprar um carro. Por outro lado, eu só quero o carro porque ele me permite 'pegar mais mulheres', e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Aristóteles, o fim último seria a felicidade. Contudo, isso não vem ao caso agora. As mulheres zombariam de mim com alguma razão se eu dissesse que os homens desejam a felicidade. Então, apliquemos esse raciocínio à resposta de Hegel - com a ajuda de Freud e Lacan. Os homens não desejam verdadeiramente o dinheiro, o carro e até as várias mulheres. Esses são apenas substitutos. Pode-se até querer isso tudo, mas não é o que se deseja. O desejo é sempre desejo de outra coisa, desejo de desejo. Se portanto, alguns homens ostentam suas riquezas, outros ostentam seus carros e outros suas mulheres, é apenas pelo fato de acreditarem que isso os torna desejáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para o Outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem diabos é esse Outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o ponto mais delicado de responder. Tentemos, contudo. O Outro é um lugar ocupado por alguém importante e que dá todo sentido ao desejo do homem. É por isso que Freud acentua a imagem da mãe, como marcando para sempre esse lugar. Entretanto, esse é um lugar sempre meio vazio, sempre pronto a ser ocupado. Acontece às vezes de outra mulher - além da mãe - ocupar esse lugar para o homem. Nesse caso, o que o homem quer é parecer desejável para essa mulher. O problema é que ele já tem suas fantasias, seus critérios sobre o que é desejável - ter dinheiro, ter poder, ter prestígio, ter carro, ter outras mulheres, ter doutorado, ter olhos azuis ou cabelos lisos, enfim, ter alguma coisa, mesmo que seja um mero detalhe, que indique a sua 'potência fálica' (ou seja, que indica que ele é um homem à altura de ser desejado por uma mulher).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vejam como isso é complicado. Ao mesmo tempo que essa 'marca pessoal' deve igualá-lo aos outros homens - ou seja, deve identificá-lo como pertencente à classe masculina -, essa marca também deve destacá-lo como exceção, para que ele seja mais desejável que os outros homens. Outro dificultador, mulheres, é que essa marca pessoal não é algo que os homens escolhem refletidamente, como uma escolha racional e consciente. Nem é algo que se troca do dia para a noite, ou de uma mulher para outra (aliás, parece mais fácil para as mulheres trocarem seus critérios de desejabilidade do que para os homens se livrarem dessa marca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, lembro de uma amiga que uma vez se queixou para mim de que os homens seriam todos iguais. No final das contas, eles sempre queriam sexo. Contemplando-a de alto a baixo, pensei comigo que não seria eu quem deveria tentar desmentir sua tese e convencê-la do contrário. Em todo caso, concordo com Freud quando diz que há nos homens uma separação que aqui eu traduzo entre amor e sexo, ou entre desejo e gozo. Ou seja, sempre tem aquela mulher que ocupa esse lugar de "Outro" para o desejo masculino diante de quem, afinal, ele sempre se sente meio proibido de gozar. É diante dessa mulher que o homem é questionado e que, muitas vezes, precisa sentir-se autorizado a possuí-la. É para essa mulher que ele quer fazer-se desejável, mesmo em detrimento de todas as outras. Para as outras, funciona a lógica do "todo homem", ou, para evocar uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, do "homem que é homem" (não rejeita mulher, por exemplo). Para a mulher que figura no lugar de "Outro" do desejo, não basta a regra geral, é preciso buscar o traço que o destaca entre todos os outros. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4291460235096683405?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4291460235096683405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4291460235096683405&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4291460235096683405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4291460235096683405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/11/o-que-desejam-os-homens.html' title='O que desejam os homens?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3372463558838951931</id><published>2010-10-15T11:21:00.005-03:00</published><updated>2010-10-15T11:36:24.931-03:00</updated><title type='text'>A política e o perigo da história única</title><content type='html'>&lt;!--copy and paste--&gt;&lt;object height="326" width="446"&gt;&lt;param name="movie" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;param name="bgColor" value="#ffffff"&gt; &lt;param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talks/dynamic/ChimamandaAdichie_2009G-medium.flv&amp;amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/ChimamandaAdichie-2009G.embed_thumbnail.jpg&amp;amp;vw=432&amp;amp;vh=240&amp;amp;ap=0&amp;amp;ti=652&amp;amp;introDuration=15330&amp;amp;adDuration=4000&amp;amp;postAdDuration=830&amp;amp;adKeys=talk=chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story;year=2009;theme=words_about_words;theme=master_storytellers;theme=speaking_at_tedglobal2009;theme=the_creative_spark;event=TEDGlobal+2009;&amp;amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;"&gt;&lt;embed src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" pluginspace="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" bgcolor="#ffffff" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" flashvars="vu=http://video.ted.com/talks/dynamic/ChimamandaAdichie_2009G-medium.flv&amp;amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/ChimamandaAdichie-2009G.embed_thumbnail.jpg&amp;amp;vw=432&amp;amp;vh=240&amp;amp;ap=0&amp;amp;ti=652&amp;amp;introDuration=15330&amp;amp;adDuration=4000&amp;amp;postAdDuration=830&amp;amp;adKeys=talk=chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story;year=2009;theme=words_about_words;theme=master_storytellers;theme=speaking_at_tedglobal2009;theme=the_creative_spark;event=TEDGlobal+2009;" height="326" width="446"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;O tema da política, dada a época de eleições, tem tomado conta das produções de quase todos os tipos de mídia: jornais impressos, canais de TV, blogs, portais da internet. A disputa acirrada entre os dois candidatos, Dilma e Serra, tem sido mais do que a disputa entre dois indivíduos que aspiram à presidência, mas o embate entre duas ideologias, dois modos de pensar o Brasil: de um lado, temos o continuísmo de um plano de governo que gerou resultados (o governo Lula) e, de outro, temos a proposta mais conservadora, historicamente orientada para a direita, e encabeçada pelo PSDB.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;Neste espaço, gostaria de investigar o modo como a mídia apropria-se destas duas ideologias e, orientadas em uma ou outra direção, constroem narrativas do fato real da forma como preferem. A crença em uma mídia imparcial já não se sustenta em um mundo saturado de informações como o mundo do século XXI. Observamos grandes mídias declarando, mais ou menos abertamente, seu apoio a um ou outro candidato (ou ideologia, se assim se considerar): o jornal &lt;i&gt;Estado de São Paulo&lt;/i&gt; definiu sua escolha pelo candidato Serra em um edital, a revista &lt;i&gt;Veja&lt;/i&gt; demonstra sua preferência nos ataques (caricatos, diga-se de passagem) constantes ao PT, a revista CartaCapital, por sua vez, privilegia a candidata de Lula ao selecionar escritos e reportagens de intelectuais profundamente engajados na ideologia de esquerda. Nesta realidade de posições bem definidas, a forma como cada mídia (re)constrói os fatos ao redor dos candidatos mostra que, para o leitor/telespectador incauto, o perigo da história única sempre existe, e a realidade parcial, tendenciosa e muitas vezes distorcida de tal e tal fato está presente nas reportagens e notícias políticas publicadas pelos meios de comunicação.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;Para orientar essa discussão, remeto-me a duas reportagens sobre um mesmo fato: a visita de Serra a uma rodovia construída durante seu mandato de governador de São Paulo. TV Record e TV Globo narram o mesmo fato, mas de pontos de vista bem diferentes:  &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Pug_mWvqq_k?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Pug_mWvqq_k?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tS1zLgeQnEY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tS1zLgeQnEY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" height="385" width="480"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;Tudo, em cada reportagem, é detidamente pensado: na Record, a reportagem começa com a determinação de Serra em construir uma imagem de ambientalista, mas logo mostra seu conflito com populares quando foi visitar uma rodovia construída enquanto era governador de São Paulo. Sua impopularidade fica clara, e sua incapacidade de resolver a situação obriga-o a fazer o percurso de carro. Ao final da reportagem, afirma-se que Serra pretende “conquistar eleitores”, mas a afirmação, inserida após o conflito entre o candidato e os populares, torna essa pretensão extremamente irônica.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;O mesmo fato, contudo, assume outra roupagem na reportagem da Globo. A reportagem começa enfatizando a boa relação entre o candidato e seus eleitores (com direito a abraços e cumprimentos), passa pela sua visita (de carro) na rodovia onde houve o protesto (sem mencioná-lo), enfatizando sua importância para desafogar o trânsito  rodoviário (logo em seguida elogiada pelo candidato por causa de sua importância econômica), finalmente dedicando os últimos segundos a falar do candidato, usando palavras como “aliados”, “vitória”, “crescimento” e outros tantos termos retóricos, rasos de sentido, amplamente utilizados quando a intenção é angariar votos – termos também utilizados em profusão pelo outro candidato, diga-se de passagem.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;O que temos, nesses dois casos, é uma mesma realidade, e formas diferentes de conta-la. Assumindo que o telespectador tenha acesso a uma e não outra reportagem, o perigo da história única, da narrativa feita por um lado tendencioso, está claro. Interesses políticos criam uma narrativa que escolhe o melhor (ou pior) lado do fato para contar a sua versão, que passa a ser, para o telespectador que não tem a oportunidade de compará-la com outras, a única versão. Temos o fato e suas versões, reescrita e apresentada ao público; no final, passado o fato em si, temos apenas suas versões – e nada mais. A realidade concreta, lembrando o controle do passado exercido pelo Partido no livro 1984, de George Orwell, perde-se, e é somente pelas versões do fato que o sujeito pode acessar a realidade. Transpondo-se essa conclusão para as reportagens exibidas, o telespectador que assiste a uma ou outra emissora terá uma narrativa da visita de Serra à rodovia, que não é a única e, provavelmente, não é isenta de interesses. Cada um contará a realidade como lhe convém, e o telespectador, por sua vez, tem poucas chances de refletir criticamente sobre o fato, se não o conhece em primeira mão.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;O poder da mídia de manipular informações, distorcendo-as, é antigo, mas só muito recentemente torna-se motivo de estudos mais aprofundados. Cada mídia constrói sua narrativa sobre o mundo. Neste sentido, a história única é perigosa não apenas porque escolhe tratar de um tema a partir de pontos de vistas específicos, como a história é contada pelo lado vencedor, mas também porque pretende-se sempre ser A história, ou O fato. E não há nenhuma ingenuidade no fato, mas uma posição deliberada e estrategicamente orquestrada.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;Isso não significa, contudo, que o candidato José Serra seja o grande manipulador, protegido pela grande mídia e representação máxima das tendências conservadoras da sociedade brasileira. Tampouco Dilma Rousseff é a salvadora da economia, capaz de erradicar a pobreza e levar o Brasil a uma Era Dourada prometida por Lula e paga a prestações. Infelizmente, na atual situação política, a opinião pública (e a mídia que tantas vezes a controla, para um lado ou para o outro) assume uma posição maniqueista, profundamente unilateral e apaixonada. Da mesma forma que a mídia constrói suas histórias únicas na eterna queda de braço entre direita e esquerda (posições que, em minha opinião, parecem muito próximas, ou indefinidas, quando seus representantes assumem o poder), também os cidadãos, de forma bastante consciente, proposital, criam suas histórias únicas para um ou outro candidato, a despeito dos fatos, das denúncias de corrupção, dos erros políticos, das diversas partes do Brasil que vão mal, muito mal, para além da pretensa estabilidade econômica. O mais triste, talvez, é pensar que as muitas histórias únicas existentes na política não surgem espontaneamente nas mídias, mas são cultivadas e fortalecidas pelos próprios eleitores. Neste sentido, a paixão por um lado impede o indivíduo de ver as qualidades do outro e, talvez ainda pior, de refletir criticamente sobre os erros de seu próprio grupo, negligenciados em favor dos pontos positivos. E assim, de pouco em pouco, constrói(em)-se história(s) única(s), que limitam o pensamento crítico e mais abrangente sobre a realidade. Seria mais cômodo pensar na história única como uma imposição, vinda de uma classe social, fontes de leitura disponíveis, dos meios de comunicação, e que o sujeito submetido a essa fração recortada da realidade tem acesso a ela porque não tem outra escolha, ou porque é vitima de interesses específicos. Contudo, talvez a realidade seja outra: talvez nós, por comodidade, medo ou por não querer ver, construímos ativamente, propositalmente, nossas próprias histórias únicas.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;A reportagem analisada neste trabalho é apenas um exemplo de como a realidade pode ser narrada de várias formas, e como esta narrativa sempre se pretende, quando veiculada pelos meios de comunicação, ser a única história, suplantando o fato. O mesmo Serra, a mesma visita a uma rodovia, os mesmo planos políticos. Contudo, duas versões da história: um Serra incapaz de comunicar-se com a população e um Serra vitorioso, que organiza aliados e conquista vitórias. E assim se faz a política.  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3372463558838951931?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3372463558838951931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3372463558838951931&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3372463558838951931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3372463558838951931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/10/politica-e-o-perigo-da-historia-unica.html' title='A política e o perigo da história única'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7260640584528939407</id><published>2010-10-15T08:58:00.003-03:00</published><updated>2010-10-23T10:40:17.175-02:00</updated><title type='text'>Por que as mulheres não são mais românticas?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fiquei pensando no que pode haver por traz de uma queixa masculina generalizada de que as mulheres não são mais românticas. Há alguns que chegam a propor que os papéis têm se invertido: os homens têm se tornado mais feminizados - fazem a unha, choram nos filmes românticos, trocam fraldas -, enquanto as mulheres, mais masculinizadas - pagam a conta nos restaurantes, dirigem seus próprios carros, pedem os namorados em casamento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que haja troca de papéis tradicionais, isso é inegável. Contudo, por que essa troca deveria significar o fim do romantismo? Esse ponto não parece bem explicado. Obviamente, as mulheres poderiam pedir seus namorados em casamento com a mesma cerimônia glamourosa que antes e todos ainda estaríamos mergulhados no mesmo cenário sublimado a que chamamos de romantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos suspeitar de que a falta de romantismo fosse uma queixa falsa, pronunciada por homens que não sabem valorizar o ponto de vista da mulher. Entretanto, não é incomum escutar da parte das mulheres também uma queixa de excesso de romantismo. Fulano é romântico demais! É muito meloso! Ontem mesmo escutei de uma jovem essa queixa nesses termos: "Detesto homens românticos! É um papo entendiante que fica batendo na mesma tecla. Prefiro os caras que são mais diretos e práticos". Quando se escuta o conselho de outra mulher, aliás, também é comum ouvirmos: "as mulheres gostam de homens ousados!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas advirto aos senhores que não se iludam. Não digo que essas falas sejam mentirosas, pelo contrário, elas encerram uma verdade que estamos aqui tentando elucidar. Entretanto, com as mulheres, não sejam tão literais. Não concedam o que elas lhes demandam, pois não é disso que se trata. Aliás, também é comum, nas rodas femininas, escutarmos uma ridicularização das abordagens muito ousadas e autoconfiantes: "Quem você pensa que é?"; ou "o que você pensa que eu sou?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha hipótese é a seguinte. A queixa masculina não é sem fundamento. Entretanto, "as mulheres de hoje não são mais românticas" significa "as mulheres de hoje não aceitam mais participar passivamente de nossa fantasia". Do lado das mulheres, "detesto homens românticos" significa "detesto homens que não dão espaço para minhas próprias fantasias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasia? Como assim? Não falo de fantasia no sentido comum: "eu alucino uma mulher gostosa me satisfazendo das maneiras mais inatingíveis". Isso é a fantasia no sentido comum. A fantasia no sentido simbólico significa que cada um constrói seu próprio modo de apresentar-se perante o outro e de abordá-lo sexualmente. Sua própria posição diante do desejo do Outro, ou seja, seu próprio modo de desejar o Outro e de fazer-se desejado. Essas fantasias são extremamente variadas, construídas sob aspectos os mais inusitados possíveis. Em geral, contudo, guardam uma estrutura muito discernível. Geralmente elas são muito masculinas, no sentido de que um dos parceiros é ativo e outro é passivo. Um é o amante e outro é o amado. Um é sujeito e outro é objeto. Isso quer dizer que um constrói a fantasia e o outro participa dela passivamente, aprecia-a, sustenta-a, fingindo-se satisfeito e impressionado com o cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, em um mundo onde as mulheres estão autorizadas a desejar - a ser sujeitos de desejo e não apenas objetos - todo romantismo muito elaborado representará um excesso. Isso porque os homens não abdicam de sua função ativa e a mulher se cansa rápido de sua passividade. Desse modo, o que dá mais certo é quando os amantes não levam a sério demais a própria fantasia. O que é ridículo em um cara meloso não é que ele tenha fantasias, pois todos as tem e ai dele se não as tiver! O ridículo é levar a sério demais a própria fantasia, a ponto de passar à distância do desejo do outro. Por isso, mesmo que o senhores queiram ser ousados, não leve a sério demais esse conselho, pois, no final das contas, também é uma fantasia. Então, se querem ser levados a sério, seja como um conquistador romântico medieval, seja com um estilo donjuanista, sejam flexíveis: não se levem a sério demais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7260640584528939407?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7260640584528939407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7260640584528939407&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7260640584528939407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7260640584528939407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/10/por-que-as-mulheres-nao-sao-mais.html' title='Por que as mulheres não são mais românticas?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2505421938765115607</id><published>2010-10-10T00:52:00.003-03:00</published><updated>2010-10-11T22:05:21.943-03:00</updated><title type='text'>Nossa Cidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O espetáculo apresentado pelo Grupo Teatral Encena, inspirado na obra de Thornton Wilder e dirigido por Wilson Oliveira, traz para o espectador uma experiência rara. Trata-se da possibilidade de sair um pouco do piloto automático e observar a vida com um terceiro olhar, distanciado do mundo concreto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi essa a experiência protagonizada pela personagem Emily Webb, interpretada por minha bela e talentosa amiga Raquel Lauar. Ao levantar a reflexão sobre o valor da vida cotidiana sob um ponto de vista de uma história já vivida e finalizada, o teatro nos dá a oportunidade de um olhar que é impossível no decorrer de nossa própria vida. É impossível porque não podemos sair da vida para contemplá-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso me remete naturalmente ao mito da caverna de Platão. Emily chega à mesma conclusão de Platão ao dizer que, afinal de contas, os vivos nunca compreendem direito as coisas, mas parecem que são eles os aprisionados no interior de um caixão. É de fato uma conclusão digna de Platão. Entretanto, enriquecida pelo lacrimejar pueril da interpretação louvável de minha amiga. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu disse ser impossível sair da vida para contemplá-la. Ratifico, contudo, minha posição. Acredito que em alguns momentos a arte é capaz de nos transportar momentaneamente para um espaço exterior à vida, de onde a contemplamos com alguma lucidez. Lembro-me de me sentir como a alma de Emily ao concluir a leitura de Dom Casmurro. Ao chegar ao final da história machadiana, fui tomado supreendentemente por uma melancolia que parecia ter a ver com a constatação da brevidade da vida. Bentinho parece nos mostrar como a vida é imprevisível e incerta, e como Capitu pode ir embora por que nos apegamos a detalhes que podem não querer dizer nada. É... acho que foi mais ou menos isso que a peça me transmitiu. Vale a pena assistir! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2505421938765115607?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2505421938765115607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2505421938765115607&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2505421938765115607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2505421938765115607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/10/nossa-cidade.html' title='Nossa Cidade'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4929183424895642326</id><published>2010-10-02T21:44:00.004-03:00</published><updated>2010-10-11T22:05:56.018-03:00</updated><title type='text'>Amor à arte</title><content type='html'>Procuro alguém que me auxilie a fazer da vida uma sucessão de belos poemas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4929183424895642326?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4929183424895642326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4929183424895642326&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4929183424895642326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4929183424895642326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/10/amor-arte.html' title='Amor à arte'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4744210447841475767</id><published>2010-10-02T21:18:00.005-03:00</published><updated>2010-10-11T22:07:45.315-03:00</updated><title type='text'>Felicidade Líquida</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;"&lt;em&gt;Amor líquido é um amor "até segundo aviso", o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometerem ainda mais satisfação. O amor com um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele.&lt;/em&gt;" &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;(Zygmunt Bauman - &lt;em&gt;ISTO É online&lt;/em&gt;, 24.set.2010)&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;      &lt;br /&gt;Acredito que o discurso de Sócrates no Banquete descreve em parte uma realidade que apenas recentemente começamos a conhecer em sua radicalidade, nos tempos ditos pós-modernos. Segundo o filósofo&lt;em&gt;, Eros&lt;/em&gt; seria um&lt;em&gt; daimon&lt;/em&gt;, filho de&lt;em&gt; Poros &lt;/em&gt;(riqueza) e de&lt;em&gt; Penia &lt;/em&gt;(pobreza)&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;O que é marcante na alegoria é apresentar o amor como fruto, ao mesmo tempo, da riqueza e da pobreza, da carência e da fartura, do desejo, como falta, e da satisfação, como possibilidade de presença. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;      &lt;br /&gt;Quem ama não pode amar senão aquilo que deseja. Ninguém deseja aquilo de que não sente falta. O amor é, pois, tributário de uma riqueza da qual ele carece. Platão tinha seus motivos para ratificar, colocando na boca do mais sábio dos filósofos, justamente esse discurso que associa o amor à falta. Enquanto a alma está aprisionada pelo corpo, ela só pode estar sujeita às carências que esse corpo corruptível lhe impõe. Desse modo, seu amor estará dirigido a algo que lhe transcende e que ela não alcançará enquanto não se libertar de sua prisão no mundo sensível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;      &lt;br /&gt;Platonismo à parte, essa constatação de que, enquanto ksuportado por um corpo, o amor estará sempre parasitado pelo desejo, definido como carência, não é de forma nenhuma anacrônica. Entretanto, desde que o mundo é mundo, desde sua expulsão do paraíso, o homem estaria fadado a vagar na busca de satisfazer suas carências inesgotáveis. O que haveria, então, de diferente na modernidade? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;     &lt;br /&gt;Antes de tentar esboçar uma resposta, é importante destacar o alcance dessa concepção. Schopenhauer, considerado o filósofo do pessimismo, foi quem melhor vislumbrou o alcance do discurso de Sócrates, ao conceber a vida do homem como um pêndulo que oscila entre a frustração e o tédio. Em "O mundo como vontade e representação", ele sugere que a vida é dominada por uma vontade imperiosa, que obriga os homens a buscarem aquilo de que sentem falta. Entretanto, ao alcançar aquilo que busca, o homem logo se entedia e, para livrar-se do tédio, que traz tanto sofrimento quanto a carência, estabelece para si mesmo novas carências que lhe possam tirar do marasmo. É como o andarilho que, após longas horas de caminhada pelo deserto, deseja ardentemente saciar sua sede. Contudo, depois de quatro ou cinco copos de água, o precioso líquido que ele buscava tão ardentemente passa a trazer apenas mal-estar, caso ele não pare de tomá-lo. O estado de saciedade torna o objeto, antes tão precioso, um elemento de repulsa. É o que parece testemunhar grande parte das experiências de casamento. Ou seja, o homem oscilaria entre a carência e a saciedade, entre o desejo e a satisfação, entre a falta e a presença, entre a frustração e o tédio, entre &lt;em&gt;Penia&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Poros&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;      &lt;br /&gt;Minha tese não propõe nenhuma mudança substancial na estrutura da experiência contemporânea. Proponho apenas que a velocidade do pêndulo encontra-se acentuadamente acelerada, neste que o sociólogo polonês denomina de "amor líquido". É como se a nossa resistência à frustração e ao tédio fosse fortemente rebaixada pela multiplicação das possibilidades de afastá-los de nossa vida. Tanto produzimos carências em escala industrial, quanto estabelecemos mecanismos diversos para, em vindo o tédio, descartamos imediatamente o objeto conquistado em busca de um novo &lt;em&gt;gadget&lt;/em&gt;. Dessa forma, ao invés de fortalecer a alma, libertando-a das exigências do corpo, ensinando-a a suportar as carências em busca da riqueza que lhe é própria - como propunha Diotima -, ensinamo-la a trabalhar em prol do bem-estar do corpo, liquidando o mínimo sofrimento. É esse o programa da felicidade líquida, que não encontra nos objetos amorosos solidez suficiente para conter a oscilação do pêndulo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4744210447841475767?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4744210447841475767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4744210447841475767&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4744210447841475767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4744210447841475767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/10/felicidade-liquida.html' title='Felicidade Líquida'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2062396388855729461</id><published>2010-09-29T13:49:00.003-03:00</published><updated>2010-10-11T22:09:10.073-03:00</updated><title type='text'>De que depende sua felicidade?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para aqueles que acharam o último post longo, hermético e cansativo, resolvi dar-lhes uma colher de chá e escrevê-lo novamente, numa linguagem mais breve, mais banal e possivelmente mais agradável. Preferia deixar que algum jornalista fizesse essa síntese por mim, mas eles também reclamaram da tarefa, então, daremos uma força. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que eu disse foi basicamente que, no decorrer dos tempos, a felicidade para o homem depende de algumas coisinhas: do destino, da razão, da fé e da caridade, do trabalho e do consumo. São alguns elementos que podem estar, em maior ou menor grau, presentes e determinando a felicidade de muita gente ainda hoje. Entretanto, eu pretendi demarcar algo como o espírito de uma época, aquilo que é mais marcante do que os outros determinantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, no período da Ilíada, a felicidade dos guerreiros dependia basicamente do destino e da coragem - mais do destino do que da coragem. Eles buscavam viver uma vida justa e corajosa e agradar aos deuses, na esperança de que eles não acordassem de mal humor. Mas, poxa, os deuses naquela época eram bem caprichosos e, muitas vezes, deixar a felicidade nas mãos deles significava a possibilidade de um destino bem trágico! É isso que a tragédia grega denuncia. Antígona, por exemplo, mesmo tendo sido tão corajosa e obediente às leis superiores, a ponto de enfrentar o decreto do rei e dar um enterro digno a seu irmão, termina por morrer emparedada, sem que nenhum dos deuses a recompensasse por sua bravura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, os gregos começam a achar, antecipando Roberto Carlos, que, para ser feliz, é preciso saber viver. Não basta ser corajoso e temente aos deuses, mas é preciso aprender o que torna a alma feliz e, com sabedoria, orientar a vida de modo a conduzi-la nos melhores caminhos. Apesar do grande impacto que os gregos tiveram no pensamento ocidental, a difusão do cristianismo faz surgir outros elementos orientadores da vida do homem rumo à felicidade: a fé e a caridade. Deus recompensaria aqueles que cressem nas boas novas, mas de um modo muito peculiar: "deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá". Isso significa que, para Cristo, seria possível uma felicidade no sofrimento, se esse sofrimento exaltasse a fé e a justiça: "bem-aventurados (ou felizes) os que choram, porque eles serão consolados; bem-aventurados os que lutam pela paz, serão chamados filhos de Deus; bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino de Deus".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os tempos modernos fazem ressurgir a confiança do homem no saber para a busca de sua felicidade. Entretanto, esse saber não é um saber que tem a alma e a vida por objeto, mas um saber focado nas maneiras de se transformar a realidade e subjulgar a natureza. É o saber técnico que orienta o trabalho e o esforço do homem no sentido de produzir a sua própria felicidade. Ao lado disso, muito mais recentemente, além de obter a felicidade pelo suor do seu rosto, é imperativo que o homem guarde um pouco do seu tempo para usufruir dos frutos de um trabalho que não é necessariamente o seu, mas que é de todos. A felicidade do homem passa, então, a ser medida pela capacidade que ele tem de consumir os objetos que estão disponíveis para o seu gozo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muita gente ainda deposita no destino a esperança de felicidade. Outros, alguns raros, ainda almejam uma vida contemplativa e sábia, outros ainda exercitam a fé e as boas obras, outros dão o sangue no trabalho e, por último, outros se debatem com o desejo de uma casa nova, um carro novo, um sapato novo, uma bolsa nova; pequenos pedaços de felicidade que podem ser conquistados com o auxílio do cartão de crédito. Independente, porém, do nível de sucesso que se obtém, o que marca a felicidade do homem é a possibilidade de escolher os seus caminhos e de enganar-se, mesmo de ser infeliz, desde que podendo sonhar com bem aventurado porvir! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2062396388855729461?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2062396388855729461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2062396388855729461&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2062396388855729461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2062396388855729461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/09/de-que-depende-sua-felicidade.html' title='De que depende sua felicidade?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-8164064568924092914</id><published>2010-09-26T00:44:00.008-03:00</published><updated>2010-10-11T22:11:27.004-03:00</updated><title type='text'>O que é felicidade?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este é um tema que tem me ocupado um pouco ultimamente e, como felicidade e amor são temas classicamente ligados - talvez pela crença de que o último possa levar ao primeiro, ou vice-versa - julguei apropriado incluí-lo no cardápio de nosso banquete. O primeiro aspecto que podemos destacar é que a felicidade é uma questão propriamente humana. Talvez a mais propriamente humana, e a mais propriamente questão. Isso porque nunca se ouviu dizer que uma girafa ou um bezerro se questionam sobre a própria felicidade - a não ser nos filmes de animação. Pode-se até alegar que um cachorro ou um gato sejam ou pareçam felizes. É concebível que os animais d'homésticos absorvam elementos mínimos da convivência com o homem. Mas é apenas por uma figura de projeção que dizemos que um cachorro é feliz por receber carinho e conforto de seu dono.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo aspecto que quero destacar é que, por surgir exatamente como questão para o homem, a felicidade é um tema eminentemente ético. A própria concepção de felicidade implica a necessidade de se perguntar sobre qual o melhor modo de se viver a vida. Se essa questão é plausível, é porque o homem tem diante de si várias possibilidades. Enquanto os animais vivem como só poderiam viver, obtendo do instinto um saber contra o qual não cabe recurso (um cachorro não se pergunta se uma cadela no cio pode ser uma boa mãe para os seus filhotes!) o ser humano se vê na necessidade de escolher a forma mais correta, mais justa, mais prudente, mais piedosa, mais útil, mais prazerosa, e, no final das contas e acima de tudo, mais feliz de viver a própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa enumeração de adjetivos não é aleatória. Ela resgata justamente aquilo que, no decorrer da história, marcou, para a humanidade, aquele elemento em torno do qual gira a possibilidade de uma vida feliz. Em termos filosóficos, o fundamento ou o princípio (arqué) da beatitude. Evoquemos, primeiramente, o &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; homérico. Considerando que &lt;em&gt;ethos &lt;/em&gt;é o termo indicado para referir-se ao conjunto das concepções de vida de uma determinada época, o&lt;em&gt; ethos &lt;/em&gt;homérico abrange o conjunto de valores e conceitos que orientam a vida dos personagens e das cidades na epopéia clássica. Nesse sentido, arrisco-me a dizer que os fundamentos da felicidade no ethos homérico eram basicamente dois: o destino e a coragem. O herói da Ilíada, para ser feliz, precisava, primeiramente, obter o favor dos deuses - sobretudo dos deuses que lhe teciam o destino, as parcas - e, caso o obtivesse, precisaria honrar esse valor divino agindo com coragem diante das batalhas. O exemplo clássico é o do maior herói de todos os tempos, Aquiles, o dos pés velozes. Tendo-lhe sido dada a oportunidade de escolher morrer jovem, em batalha, e deixar sua marca na história para a posteridade, ou sobreviver à guerra e morrer velho e farto de dias, mas sendo rapidamente esquecido, optou pela primeira opção. Ou seja, para o herói grego, uma vida feliz é aquela que pode ser lembrada pela posteridade como uma vida de coragem! Uma morte feliz, por sua vez, seria justamente uma morte em batalha, que coroaria de sentido toda uma vida. &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Principalmente nas épocas de paz, porém, esses valores são postos em questão. De um lado, muitos heróis valorosos acabavam encontrando mortes tragicamente fúteis. Por outro, muitos piedosas e tementes aos deuses também não chegavam a encontrar destinos tão felizes. É nesse cenário que surge a tragédia grega. O ethos trágico é, pois, aquele que questiona a interferência da divindade no destino dos homens. É um momento de crise do ethos. A famosa frase repetida por Alan Poe em um dos seus famosos contos marca bem a tônica dessa época: "Um destino tão funesto, se não é digno de Atreu, é digno de Tieste". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa crise abre espaço para que o homem busque outros fundamentos de orientação da vida. Na tradição grega surge, então, o &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; filosófico. O ethos filosófico coloca a razão no centro da ordenação da vida e da sociedade. É quando surge a Ética como uma disciplina sistematizada. Nesse cenário, uma vida feliz seria uma vida vivida razoavelmente, com sabedoria. Considerando o &lt;em&gt;kosmos &lt;/em&gt;como um lugar harmonia, e considerando o homem como uma parte nesse todo organizado, a sabedoria vem a ser a arte de apreender a lógica do mundo e pautar a vida de modo a estar em consonância com a ordem das coisas. Aristóteles dizia que a vida feliz era a vida que encontrava em si mesmo a sua razão de ser. E, se tem algo que é mais propriamente humano, é a capacidade de apreender a razão das coisas e agir racionalmente. Desse modo, a vida contemplativa, que se entrega a compreender a razão do mundo, seria a vida feliz por excelência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que isso é apenas um resumo bem localizado do que seria a felicidade no ethos grego. Nas diferentes correntes filosóficas, de Platão a Aristóteles, de Zenão (o estóico) a Epicuro, podemos encontrar diferenças radicais de concepções de felicidade e de modos de obtê-la. Entretanto, algo que parece comum a esse momento da filosofia é que a felicidade do homem depende cada vez mais da razão. Ou seja, parte-se do pressuposto de que é possível alcançar a felicidade pelo saber. Ainda que a divindade interfira no destino do homem, Deus já não interfere caprichosamente, sem uma certa lógica que pode, no fim das contas, ser decifrada pelo próprio homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora a razão tenha marcado definitivamente a relação do homem com a felicidade, durante um grande período ela cedeu espaço para a fé e a caridade. No &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; cristão, a felicidade do homem volta a depender da divindade. Agora, contudo, não é a Fortuna (ou &lt;em&gt;Tyche&lt;/em&gt;) que determina o destino aleatoriamente. O homem passa a ter um papel em sua sina, na medida em que, primeiramente, pela fé, deposita em Cristo sua possibilidade de felicidade, ainda que esta só venha em outro mundo, e, segundamente, na medida em que vive sua vida de acordo com o exemplo cristão, que tem no amor incondicional ao próximo o valor por excelência de uma vida virtuosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O renascimento é o período em que o homem retoma a razão como fundamento da vida, mas já não a toma como um fim em si mesmo, mas como um instrumento para dominar as forças da natureza e efetuar as transformações que lhe facilitem a vida. Esse &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt;, que podemos chamar de moderno, já não traz a sabedoria como um valor absoluto para orientar a vida, mas a substitui pela ciência, na medida em que esta é útil para transformar a realidade. É por isso que o utilitarismo surge como uma importante concepção de ordenação da vida material, sugerindo, com Jeremy Bentham, que o bem é a maior felicidade para o maior número de pessoas. Sua filosofia marca bem o espírito moderno, na medida em que os critérios que surgem para orientar a existência passam a ter o caráter de objetividade, ligados à possibilidade de aferição matemática e de controle científico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se pode dizer que esses valores não valham mais para orientar a vida do homem contemporâneo. Pelo contrário, mais do que nunca a razão instrumental, comumente chamada de tecnologia, tem sido escolhida como caminho para a busca da felicidade. Entretanto, enquanto na modernidade o valor que impulsionava o desenvolvimento da tecnologia era o trabalho árduo e contínuo - ou seja, a produção - na modernidade mais tardia ou contemporânea, o principal valor que impulsiona a técnica é o consumo. É este que sustenta o escoamento da produção e alimenta a possibilidade de multiplicação das riquezas. Então, enquanto no &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; moderno a virtude essencial para uma vida feliz era a disposição para o trabalho, no &lt;em&gt;ethos &lt;/em&gt;pós-moderno, a virtude essencial para uma vida feliz é a disposição para o consumo e para desfrutar das possibilidades que a tecnologia abre para todos os homens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desse pequeno percurso histórico não se pode depreender que os outros valores, relativos a outras épocas, não sobrevivam atualmente. Na vida contemporânea é possivel encontrar pessoas que depositam a esperança de felicidade no destino - ainda que a Moira tenha ganhado outros concorrentes, como os signos do zodíaco -; outras que ainda buscam na sabedoria um caminho para a felicidade; outras cujo caminho é a fé e a caridade, sem a quais toda a possibilidade de felicidade resta abalada; outras, ainda, que depositam no trabalho ou na possibilidade gozar dos frutos do trabalho a condição de sua felicidade. Em todos esses elementos, nos quais o homem busca critérios para decidir sobre qual a mulher vida a ser vivida, há limitações. O próprio surgimento de diversos critérios atesta a impossibilidade de oferecerem garantias de felicidade. É certo que muitos deles trouxeram bons frutos, mas mas também trouxeram tragédias, catástrofes e um destino funesto para muitos. Em alguns momentos da história esses critérios foram tão desacreditados que, como diz Freud, chega a parecer que a possibilidade de que o homem seja feliz não está inscrita no plano da criação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é meu objetivo que os senhores tomem um ou outro desses valores para a própria vida. Também não é meu objetivo repugnar nenhum desses critérios. Mesmo que alguns deles possam claramente trazer um ônus altíssimo para a civilização - como é o caso do consumismo - abandoná-los também não é garantia de felicidade, nem individual nem coletiva. Passear, entretanto, por alguns desses marcos civilizatórios nos auxilia a pensar melhor sobre aquilo que tem servido de fundamento para a nossa própria felicidade. Aliás, a condição para que o homem continue se perguntando sobre a sua própria felicidade é que nenhum desses critérios lhe dê uma garantia absoluta, porque, se o desse, então o homem se veria obrigado a abandonar todas as demais possibilidades de vida e viver de um só jeito. Se restasse ao homem apenas uma possibilidade de vida, então a questão sobre a melhor vida a ser vivida seria inócua e não haveria mais razão para nos perguntarmos "o que é a felicidade?". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-8164064568924092914?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/8164064568924092914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=8164064568924092914&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8164064568924092914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8164064568924092914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/09/o-que-e-felicidade.html' title='O que é felicidade?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7567516324119626075</id><published>2010-09-18T19:35:00.004-03:00</published><updated>2010-09-18T23:02:54.602-03:00</updated><title type='text'>Cuidado: Frágil!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o título de um recente espetáculo da Cia. da Farsa que tive o privilégio de assistir. Remete-me automaticamente à famosa expressão &lt;span class="med1"&gt;&lt;span class="med1"&gt;&lt;b&gt;"a bull in a china shop's approach"&lt;/b&gt;.  É sempre uma preocupação recorrente em primeiros encontros: não agir como "um elefante em uma loja de porcelana"! - como ficou consagrada a expressão em português. Não é à tôa que Jacques Lacan evoca essa expressão para referir-se à interpretação, já que ela incide sobre um elemento de suposta fragilidade. Se na relação terapêutica o cuidado já está implícito na função, na relação amorosa nem sempre. Afinal de contas, muitas das vezes o que conta, principalmente para o lado masculino, é a ousadia de tomar a inciativa na hora certa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="med1"&gt;&lt;span class="med1"&gt;Claro que a peça não trata desse assunto. Se o evoco, é porque tive a ousadia - ou a temeridade - de escolher o referido espetáculo para o cenário de um primeiro encontro. Não é difícil imaginar o que é frágil na peça. De minha parte, tomo a liberdade de comentá-la sem o caráter criterioso de uma crítica especializada, mas também sem a ingenuidade de um espectador burguês. Se há alguma fragilidade subjacente à vivência de todos os personagens, pode-se dizer, em termos lacanianos, que se trata da fragilidade do simbólico. Em termos mais gerais, é o sentido da vida que parece em crise na pluralidade de situações apresentadas no palco. Da diversidade de experiências - um guitarrista surdo e mudo, fã dos Beattles;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; uma professora asmática relativamente bem acomodada dentro de seu cativeiro (um guarda-roupas); um travesti que sente na pele que a identidade sexual não existe; uma menina que, depois de sofrer exploração sexual e ser presa, lamenta não ter a filha por perto; um eloquente cachorro vegetariano; uma personagem que descobri representar um feto em processo de aborto após ler o blog da Cia (não sei se por lerdeza de minha parte ou por excesso de abstração) - enfim, de toda essa diversidade, pode-se demarcar um aspecto transfenomênico: a crise de sentido. Talvez crise de sentido não seja o mais exato porque, em alguns momentos, tem-se a impressão de que a vida dos personagens parece transmitir um sentido bem preciso, até excessivamente denso, mesmo que seja um sentido de insatisfação. Eu diria, então, a crise do simbólico. Isso quer dizer que, embora os sentidos de suas vidas estejam muito bem definidos - o lugar da mulher em seu guarda-roupa, do cachorro, em sua calçada, da menina, em sua prisão e do feto em seu aborto - eles não são suficientes para conterem a angústia de existir. Pode-se, quem sabe, dizer que é mais uma denúncia da banalidade dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaco, para sustentar minha tese, uma trecho dito pelo travesti, comparando a vida a uma roda-gigante, onde todos estão rodando felizes e ele está do lado de fora, assistindo. De certa forma, todos os personagens estão, de algum modo, excluídos do que consideram ser sua própria vida. Isso remete a uma analogia proposta pela psicanalista Maria Rita Khel, dizendo que a relação do neurótico com o gozo de sua vida é como a de quem supõe que, em algum lugar da cidade, está acontecendo uma festa para a qual todos teriam sido convidados, exceto ele mesmo. É uma sensação realmente muito comum no cotidiano moderno, já que somos veementemente levados a crer na disponibilidade do gozo e da felicidade para todos e, no final das contas, o nosso próprio gozo sempre parece mais ou menos aquém do ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode não ter sido exatamente esse o clima pretendido pela Cia., mas, uma vez encenada a peça, é a audiência quem passa a decidir sobre o sentido das coisas - ainda que às vezes influenciada pela crítica especializada. De qualquer maneira, é eminente em todos os personagens uma insatisfação generalizada perante a vida, uma angústia latente ou patente. Daí minha preocupação em ter entrado como um elefante numa loja de porcelanas! Não terá sido um tema muito sofisticado e angustiante para um primeiro encontro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era uma bela morena de longos cabelos castanhos, lisos e rajados por suaves luzes, cujo semblante pareceu-me lívido demais para uma cena de nudez masculina que transmite a crueza presente no teatro contemporâneo (que me parece sempre adotar uma postura diferenciada: ao invés de tentar tratar o real pelo simbólico - ou seja, de tentar dar sentido às coisas inexplicáveis da vida - opta sempre pela estratégia inversa: trata o simbólico pelo real, ou seja, utiliza alguns artifícios cenográficos, como a própria nudez, a expressão da angústia, dentre outros que denunciam a fragilidade do simbólico para dar conta do real. Denunciam a fragilidade de nossos discursos para dar conta da grandeza que é o fenômeno de nossa vida e de nossa existência). Para minha sorte, ela é enfermeira e deve estar acostumada a cenas mais grotescas, além de demonstrar um refinamento estético que chegou a me surpreender. Ela direcionava seu olhar castanho e atento para o palco, enquanto eu divisava furtivamente suas expressões, contemplando seu belo nariz, suavemente talhado sobre uns lábios ligeiramente espessos e serenos. Suas reações, porém, eram tão discretas a ponto de não lhe revelar os afetos que poderiam emergir daquelas cenas. Após um agradável passeio pelas redondezas do Palácio, todo meu receio de temeridade já se havia esvaído, restando agora a sensação agradável de poder comentar um espetáculo tão refinado com alguém tão esteticamente sensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para os leitores mais corajosos, fica a sugestão de ir ver o espetáculo. Para os mais medrosos, fica também a sugestão de ir vê-lo, quem sabe não sirva para espantar um pouco a angústia de viver, já que vivenciá-la simbolicamente - mediada pela belíssima interpretação dos atores - pode ser um modo de elaborar as próprias crises existenciais. Não recomendo, porém, que seja num primeiro encontro, pois os inícios são sempre frágeis, e você pode não ter a sorte que tive de ter uma companhia com uma vivência cultural tão singularmente apurada!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7567516324119626075?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7567516324119626075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7567516324119626075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7567516324119626075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7567516324119626075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/09/cuidado-fragil.html' title='Cuidado: Frágil!'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-1956983109612085256</id><published>2010-07-09T09:21:00.002-03:00</published><updated>2010-07-09T09:28:09.187-03:00</updated><title type='text'>Reticência...</title><content type='html'>Estou reticente&lt;br /&gt;Porque as luzes às vezes se apagam&lt;br /&gt;Outras se acendem&lt;br /&gt;O meu tateio é signo de um anseio&lt;br /&gt;Não brotam do chão as flores que planto&lt;br /&gt;Minhas camadas não se aprofundam muito&lt;br /&gt;Eu baixo a cabeça com tédio e me esqueço&lt;br /&gt;Quando lhe dou uma chance, dou-me a mim&lt;br /&gt;Espero baixar o nível da água&lt;br /&gt;Para assim molhar ligeiramente o pé&lt;br /&gt;Entro sim, mas não mergulho&lt;br /&gt;Que ainda não aprendi a sufocar&lt;br /&gt;Estou pensativo de menos&lt;br /&gt;Não por um esforço naturalista de esvaziar a mente&lt;br /&gt;Se não penso, é por ter a cabeça vazada&lt;br /&gt;Uma impotência me acomete&lt;br /&gt;De modo que nem chego a estremecer&lt;br /&gt;Uma mentira a mais, outra ilusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço isso toda vez que o coração aperta&lt;br /&gt;E não sei que dor me dói ou me espreita&lt;br /&gt;Eu respiro e caminho com as mãos nos bolsos&lt;br /&gt;Vai com Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fábio Santos Bispo (23-05-2008)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-1956983109612085256?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/1956983109612085256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=1956983109612085256&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1956983109612085256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1956983109612085256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/07/reticencia.html' title='Reticência...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-1737954769379506771</id><published>2010-06-30T22:50:00.009-03:00</published><updated>2010-07-04T10:56:30.336-03:00</updated><title type='text'>Amor Hipermoderno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós não nos cansamos de falar de amor. Afinal, é o tema deste blog. Dessa vez fiquei pensando o que é determinante na experiência amorosa das pessoas. Para utilizar um termo da intelectualidade contemporânea: qual é o princípio organizador das relações amorosas? Ou, simplesmente, qual o princípio (arché), no sentido grego de elemento primordial, do amor de hoje em dia. Alguns sociólogos e filósofos contemporâneos tentam descrever as mudanças sociais que indicam modos próprios de subjetivação diferenciados na modernidade, em relação ao mundo antigo, ou na HIPERMODERNIDADE, em relação à modernidade. Não quero explicar o que significam essas coisas, mas apenas descrever como fica a experiência amorosa nisso tudo. &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;Às vezes costumo achar que os tempos antigos eram bem mais fáceis: um homem amava uma mulher que já lhe estaria reservada pelos trâmites sociais. O casamento subordinava-se a outras relações sociais bastante estáveis e inquestionáveis. Nobre casa com nobre, pobre casa com pobre, às vezes algumas exceções, mas sempre de acordo com a regra da conveniência social. O princípio era, então, transcendente. O que determinava a relação amorosa estava fora do sujeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A modernidade muda um pouco isso. O sujeito passa a ser o centro do mundo, com toda a sua bagagem de autonomia e liberdade. O foco se desloca do coletivo para o individual. O que determinará a relação amorosa deverá ser, então, a vontade individual. O desejo seria algo que marcaria uma escolha autônoma e livre. É o cenário propício para o nascimento do amor romântico, de maneira que a escolha livre seja justificada por um critério de atração intersubjetiva. A afirmação dessa autonomia na escolha engendra uma valorização da estabilidade nas relações afetivas, que devem ser pautadas em valores universais que dão sentido à vida amorosa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A hipermodernidade, para ser bem rápido, indicaria uma exacerbação da individuação amorosa, a ponto de romper-se as estabilidades e universalidades dos laços. O que determina, então, as relações amorosas nesse tempo? Sugiro três coisas: o consumismo, o narcisismo e o hedonismo. Talvez esses 'ismos' não sejam muito adequados, já que eu não pretendo criticar nada, apenas constatar. Então: o consumo, a autoimagem e o prazer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece, entretanto, que este texto está muito chato até agora. Para exemplificar tudo isso e demonstrar que essas perspectivas convivem ao mesmo tempo nas paixões cotidianas (motivos antigos, modernos e hipermodernos), quero analisar uma experiência pessoal fictícia. Eu sou um cara um cara moderno. Quando digo moderno, porém, já é no sentido de estar um pouco retrógado, por não ter assimilado muito bem a hipermodernidade. Recentemente procurei uma pessoa por quem estivera apaixonado em minha adolescência (claro, essa pessoa é fictícia, não existe muito). Veja-se aqui um motivo bem moderno: estava sozinho e, ao escolher alguém para amar, meu critério foi ser fiel à minha escolha romântica da adolescência. Do ponto de vista da experiência não tinha muitos motivos para escolhê-la (ela morava em uma terra &lt;i&gt;so, so far&lt;/i&gt;, era mais velha, não tinha a mesma aparência da adolescência e não tínhamos nenhuma intimidade), a não ser um certo sentido romântico, já que isso daria uma boa história. Isso é uma coisa bem moderna: a valorização do sentido histórico das relações. Acontece que a moça não era tão retrógrada. Ela não podia simplesmente arriscar-se numa relação por puro romantismo. Era preciso experimentar e, como os 'princípios organizadores' podem conviver, isso não me pareceu desarrazoado. Começa a aparecer entre nós os princípios hipermodernos: o que determina a relação são os sentidos, o prazer que ela proporciona. Nada de motivos externos, nada de sentido histórico: é a química que conta. A química é uma condição para o amor. Enquanto o ideal moderno visava a um amor incondicional, a mentalidade hipermoderna antepõe as sensações corporais ao sentido simbólico da relação. O amor incondicional é algo que ninguém suporta mais por muito tempo. Ele quer dizer que eu continuarei amando, mesmo que role algumas coisas desagradáveis, mesmo que eu tenha notícias das atividades fisiológicas dela, mesmo que eu a veja acordar despenteada e rabujenta, mesmo que ela não coopere muito com meus planos para a noite de aniversário, etc. O amor hedonista indica que a condição para o amor é a química: o beijo tem que ser surreal, as carícias têm que tocar no ponto G, e daí por diante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem preciso dizer que a coisa não deu certo. Claro que, na hora, o narcisismo aflora ao ter sido ferido pela rejeição. Mas, passadas as feridas iniciais, é possível observar o fenômeno com um pouco mais de frieza. A relação amorosa também adquire o estilo do mercado de consumo: eu escolho amar aquele que me agrada mais, tudo bem. Essa escolha, porém, é feita em meio a um pluralismo de possibilidades. Assim como se vai ao &lt;i&gt;shopping&lt;/i&gt; escolher um vestido, experimentá-lo e sentir o ego inflacionado pela exaltação da autoimagem, também se pode escolher um namorado ou namorada pelos mesmos critérios. Claro que, para quem ainda é meio retrô, é meio desconfortável descobrir-se como mais um caso dentre outros, nesse processo de experimentação. Não estou dizendo que sou contra isso, apenas dizendo que é isso que as pessoas fazem e, na maioria das vezes, sem perceber. Eu próprio não posso garantir que, mesmo sentindo-me numa referência mais moderna, não tenha sido também arrastado pela lógica do consumo. Afinal, a prateleira repleta de produtos para a escolha amorosa impõe-se incessantemente, numa sedução 'no stop'. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É por isso que sempre me parece mais fácil o amor antigo: eu estaria obrigado a amar quem quer que fosse, cumpriria com resignação o meu dever sem nenhum conflito psicológico. Ir para a modernidade já traz as primeiras dificuldades pois dificilmente se sustenta a coerência dos ideais de autonomia e liberdade. Na hipermodernidade eu preciso lidar com a efemeridade dos laços, já que, como o amor é um modo de consumir, é preciso sempre fazer um upgrade na relação para que a imagem do ego seja repaginada e continue atraente no mercado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, seja um princípio externo, seja um sentido histórico, narcísico, consumista ou hedonista, o mais provável é que a experiência amorosa será sempre uma mistura de motivações obscuras. É isso que torna o tema tão inesgostável e rico, permitindo-nos abordá-lo aqui sempre com caras diferentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(A inspiração e alguns termos e sistematizações que eu utilizo como se fossem meus, eu os tomei de uma belíssima aula do Prof. João Paulo Giovanetti sobre sociedade contemporânea e mentalidade individualista).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-1737954769379506771?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/1737954769379506771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=1737954769379506771&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1737954769379506771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1737954769379506771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/06/amor-hipermoderno.html' title='Amor Hipermoderno'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7173436149056238125</id><published>2010-04-02T23:35:00.004-03:00</published><updated>2010-04-02T23:44:18.969-03:00</updated><title type='text'>O amor verdadeiro também é vaidade...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia é simples, mas já não tenho mais clima nem inspiração para desenvolvê-la com elegância. De modo que apenas respondo rapidamente: o sentimento é só uma parte. O que se faz com o que se sente depende de escolha. A escolha livre é o que permite que, na experiência, o ato de amor seja mais do que o simples ato sexual. Enfim, não deixa de ser sexual, não deixa de ser sentimental, não deixa de ser patológico, mas, ainda assim, é uma escolha que um espírito livre realiza. O espírito livre só é capaz de realizá-la completamente depois que se despoja da esperança, da pretenção - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shwarmerei &lt;/span&gt;- de que alguém, em algum lugar realize o amor, como a um sonho. É uma construção ativa, responsável, e blá-blá-blá....&lt;br /&gt;No final das contas, ainda assim, é tudo vaidade e aflição de espírito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7173436149056238125?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7173436149056238125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7173436149056238125&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7173436149056238125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7173436149056238125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/04/o-amor-verdadeiro-tambem-e-vaidade.html' title='O amor verdadeiro também é vaidade...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5078005500159801923</id><published>2010-02-18T22:36:00.004-02:00</published><updated>2010-02-18T23:24:15.451-02:00</updated><title type='text'>Amor: um sentimento?</title><content type='html'>Posso divisar daqui a expressão de insatisfação de muitos dos senhores. Sei que não estou aqui para satisfazê-los. Entretanto, minha polidez me impede de deixá-los com esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pulicidae&lt;/span&gt; na parte posterior do órgão auricular.&lt;br /&gt;Alguns dos senhores, ao receber a notícia de que a verdade do amor somente pode referendar-se na experiência pura, levantaram algumas questões:&lt;br /&gt;- Então, o senhor, Mr. Fábio, propõe que nos entreguemos à experiência, indiscriminadamente, como os pobres cães, cujo focinho os guiam em direção à pura experiência do cio?&lt;br /&gt;- Mr. Fábio, o sr. quer dizer então que basta fecharmos os olhos, abrirmos o coração, que o amor sugirá de algum recanto misterioso, tomará nosso espírito e nos arrebatará?&lt;br /&gt;- Como é possível, então, Dr. Fábio, que o amor seja duradouro?&lt;br /&gt;- (Mr. Fábio, por favor!).&lt;br /&gt;Antes que os senhores prossigam com o inquérito, neste post, gostaria simplesmente de oferecê-los um ponto específico de reflexão. Perguntem-se apenas por um instante: o amor verdadeiro, auto-evidente, tal como pudemos aferir da experiência - que, devo admitir, nunca nos é tão pura, mas deixemos esse ponto para depois -, o amor verdadeiro, repito, é um sentimento?&lt;br /&gt;- Que pergunta mais idiota! Quem não sabe que o amor é um sentimento?&lt;br /&gt;Calma! Solicito-lhes apenas que se interroguem: é um sentimento?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5078005500159801923?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5078005500159801923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5078005500159801923&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5078005500159801923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5078005500159801923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/02/amor-um-sentimento.html' title='Amor: um sentimento?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2593055104158174228</id><published>2010-02-16T19:27:00.006-02:00</published><updated>2010-02-17T15:59:35.500-02:00</updated><title type='text'>Amor Verdadeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa expressão já está tão pisada e massacrada que, certamente, a maioria dos senhores terá o ímpeto de desviar a nobre atenção de meu humilde texto, com tédio. É nossa obrigação, contudo, lançar  o tema desta maneira: Amor verdadeiro. Isso, por dois motivos: primeiro, porque nos propusemos a falar aqui de amor, sempre; segundo, porque a filosofia nos lança a questão da verdade, com a qual precisamos esquadrinhar o amor.&lt;br /&gt;Sei que a maioria dos senhores, embora demonstrem tédio diante do meu tema, ficariam embaraçados, caso eu indagasse com alguma contumácia.&lt;br /&gt;- O que é o amor verdadeiro?&lt;br /&gt;- É uma fantasia infantil, não existe - responderiam os senhores.&lt;br /&gt;- Não existe? O que, de fato, não existe, o amor, ou a verdade? Aliás, o que é o amor? - e, secundando o fabuloso Herodes - o que é a verdade?&lt;br /&gt;Os senhores - e principalmente as senhoritas - seriam obrigados a reconhecer que não é tão fácil definir essas duas coisas. Então, é o que me proponho arriscar.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, gostaria de pedir licença para abrir mão do método filosófico. Teríamos mil e uma idéias sobre o amor, mas, acredito que, para introduzir minha noção de verdade, creio ser fundamental não me deixar levar pelas idéias. Pelo mesmo motivo, não exercerei o método psicanalítico, pois, por mais que esse discurso intente preservar o dinamismo da verdade, empunhá-lo neste momento não o fará operar de acordo com lógica que funciona no divã.&lt;br /&gt;Nesse sentido, eu diria que, se quisermos lançar uma luz sobre o amor enquanto verdadeiro, é preciso depurá-lo de nossos preconceitos e nossos idealismos e focalizá-lo direto onde ele ocorreria da forma mais real: na experiência. Esqueçamos, então, todas as definições de amor, tanto as platônicas, quanto as cristãs; tanto as freudianas, quanto as lacanianas. A exemplo de Descartes, duvidemos de tudo, duvidemos dos especialistas que, muitas vezes, precisam excluir a própria experiência para chegar em algo generalizável. Pensemos naquele momento mais saudoso e significativo no qual tenhamos nos encontrado com um parceiro amoroso. Aquela hora arrebatadora, que não deixa nenhuma dúvida sobre a profundidade do encontro com o outro - um encontro de almas. Pensemos nesse momento, ainda que ele não tenha durado muito. Quem, além do próprio amante, poderia significar melhor a experiência amorosa? Que especialista teria coragem ou autoridade para desmentir a adolescente mais ingênua, quando ela acredita que o que ela sentiu por seu companheiro foi um amor devastador?&lt;br /&gt;Enfim, digamos que o qualificativo de verdadeiro só merece ser atribuído ao amor cuja experiência de realidade é autoevidente para quem o vivenciou. O amor verdadeiro é, pois, aquele que é vivenciado como tal. Isso não exclui a possibilidade de que o próprio amante venha, depois, desqualificar a verdade de sua própria experiência. Nesse caso, o amor verdadeiro apenas terá sido verdadeiro durante o momento fugaz de sua verdade.&lt;br /&gt;Já consigo antecipar daqui os murmúrios dos senhores, queixando-se da falta de garantias ou até mesmo de valor que um amor definido como tal pode ostentar. Do meu lado, eu lhes asseguro que é o único jeito genuíno de apreender a verdade do amor: referendando-a na experiência. Todo e qualquer critério que o transcenda, ou deverá reduzi-lo num indicador e, portanto, perder o mais essencial de sua verdade; ou deverá falseá-lo por sob uma abstração imaginária.&lt;br /&gt;Para que serve, então, minha noção de amor verdadeiro?&lt;br /&gt;Ora, serve, justamente, para nos auxiliar a baixar nossa guarda contra sua possibilidade, permitindo-nos experimentá-lo. Se meu ideal de amor permanece em primeiro plano e impregnando meu espírito, dificilmente eu poderei reconhecer a verdade do amor quando ele me acontecer na experiência. Desse modo, meu movimento será desqualificá-lo, logo que perceber uma defasagem entre minha fantasia e minha vivência. Se, por outro lado, eu já sou cético e já desacredito de qualquer possibilidade de atribuir o qualitativo de verdadeiro para o amor, é possível até que me feche para a experiência quando ela for iminente.&lt;br /&gt;O amor verdadeiro não é, pois, algo no qual os senhores precisam acreditar ou desacreditar, já que ele não é uma idéia. O amor verdadeiro é uma vivência e, como tal, os senhores só precisam vivenciá-lo oportunamente. Para vivenciá-lo plenamente, entretanto, não há nenhuma receita, nenhum caminho traçado, mas é preciso estar disposto a caminhar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2593055104158174228?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2593055104158174228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2593055104158174228&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2593055104158174228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2593055104158174228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/02/amor-verdadeiro.html' title='Amor Verdadeiro'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7603996518048757504</id><published>2010-01-16T00:51:00.002-02:00</published><updated>2010-01-16T00:57:37.343-02:00</updated><title type='text'>Desespero</title><content type='html'>À beira do desespero, o jovem gritou:&lt;br /&gt;- A ponte! A ponte! Onde está a ponte?&lt;br /&gt;Eu lhe respondi:&lt;br /&gt;- Não temos mais pontes.&lt;br /&gt;Ele descansou sossegado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7603996518048757504?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7603996518048757504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7603996518048757504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7603996518048757504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7603996518048757504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2010/01/desespero.html' title='Desespero'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4629236451425904490</id><published>2009-12-13T09:32:00.000-02:00</published><updated>2009-12-13T09:33:08.511-02:00</updated><title type='text'>Metamorfose</title><content type='html'>Ela mudou muito:&lt;br /&gt;Mudou o cabelo&lt;br /&gt;(deu permanente)&lt;br /&gt;Mudou o corpo&lt;br /&gt;(engordou ligeiramente)&lt;br /&gt;Cresceram-se-lhe os seios&lt;br /&gt;(tornando-se flácidos)&lt;br /&gt;Mudou até o jeito de falar&lt;br /&gt;(menos ensimesmado)&lt;br /&gt;Mudou os planos&lt;br /&gt;(mais realidade)&lt;br /&gt;Mudou a roupa&lt;br /&gt;(mais despojada)&lt;br /&gt;Mudou o vocabulário&lt;br /&gt;(mais técnico)&lt;br /&gt;Mudou o semblante&lt;br /&gt;(menos infantil)&lt;br /&gt;Mudou o comportamento&lt;br /&gt;(mais desinibido)&lt;br /&gt;Mudou até os sonhos&lt;br /&gt;(menos encantadores)&lt;br /&gt;Mudou, de fato, sobremaneira&lt;br /&gt;Não obstante, essencialmente&lt;br /&gt;Ela não mudou nada&lt;br /&gt;A fantasia fundamental&lt;br /&gt;permanece a mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4629236451425904490?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4629236451425904490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4629236451425904490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4629236451425904490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4629236451425904490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/12/metamorfose.html' title='Metamorfose'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-1212490238060561052</id><published>2009-12-13T00:52:00.000-02:00</published><updated>2009-12-13T00:53:11.981-02:00</updated><title type='text'>Boa Nova</title><content type='html'>O amor não é para os pobres&lt;br /&gt;Os fracos o rejeitam,&lt;br /&gt;Não o suportam&lt;br /&gt;Eles temem a verdade que lhes espera:&lt;br /&gt;O amor é de nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é feito de imaginação&lt;br /&gt;Cores, efeitos, música, poesia&lt;br /&gt;literatura, afago e sexo&lt;br /&gt;Muito sexo explícito&lt;br /&gt;E implícito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor não é para os fracos&lt;br /&gt;Eles não suportam&lt;br /&gt;A fugacidade da beleza&lt;br /&gt;Nem o ecoar das melodias&lt;br /&gt;Clássicas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor não é para os neuróticos&lt;br /&gt;Eles estão presos num passado remoto&lt;br /&gt;Eles não abandonaram a chupeta&lt;br /&gt;Em todo novo beijo&lt;br /&gt;Eles buscam a fantasia do seio bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é para os clássicos&lt;br /&gt;Para aqueles firmados na rocha&lt;br /&gt;Que não se deixam carregar pelas ondas agitadas&lt;br /&gt;Para aqueles que estão sempre à frente de seu tempo&lt;br /&gt;Que constroem o mundo no futuro&lt;br /&gt;Sobre a lama do desespero atual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é para os heróis&lt;br /&gt;Que limpam com o próprio suor&lt;br /&gt;As manchas de sangue da camisa&lt;br /&gt;Quando o coração se encontra despedaçado&lt;br /&gt;Pois já aprenderam a morrer&lt;br /&gt;E permanecer lutando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é para o futuro&lt;br /&gt;Para hoje&lt;br /&gt;Para a morte&lt;br /&gt;Para as damas de alto porte&lt;br /&gt;Para que não foge&lt;br /&gt;não tem medo do escuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor não existe&lt;br /&gt;Ele surge.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-1212490238060561052?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/1212490238060561052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=1212490238060561052&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1212490238060561052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1212490238060561052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/12/boa-nova.html' title='Boa Nova'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-6549997172088453467</id><published>2009-12-13T00:34:00.002-02:00</published><updated>2009-12-13T00:37:26.566-02:00</updated><title type='text'>PROCURA DA POESIA</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não dramatizes, não invoques,&lt;br /&gt;                    não indagues. Não percas tempo em mentir.&lt;br /&gt;                    Não te aborreças.&lt;br /&gt;                    Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,&lt;br /&gt;                    vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família&lt;br /&gt;                    desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.&lt;/p&gt;                   &lt;p&gt;Não recomponhas&lt;br /&gt;                    tua sepultada e merencória infância.&lt;br /&gt;                    Não osciles entre o espelho e a&lt;br /&gt;                    memória em dissipação.&lt;br /&gt;                    Que se dissipou, não era poesia.&lt;br /&gt;                    Que se partiu, cristal não era.&lt;/p&gt;                   &lt;p&gt;Não colhas no chão o poema que se perdeu.&lt;br /&gt;                    Não adules o poema. Aceita-o&lt;br /&gt;                    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada&lt;br /&gt;                    no espaço.&lt;/p&gt;                   &lt;p&gt;Trouxeste a chave?&lt;/p&gt;                   &lt;p&gt;Repara:&lt;br /&gt;                    ermas de melodia e conceito&lt;br /&gt;                    Ainda úmidas e impregnadas de sono,&lt;br /&gt;                  rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-6549997172088453467?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/6549997172088453467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=6549997172088453467&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6549997172088453467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6549997172088453467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/12/procura-da-poesia.html' title='PROCURA DA POESIA'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7838779966482597895</id><published>2009-12-13T00:28:00.004-02:00</published><updated>2009-12-13T00:30:20.222-02:00</updated><title type='text'>Bonheur!</title><content type='html'>é por isso que eu acho que você,&lt;br /&gt;você tem que me dar pelo menos&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;une bonne chance&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;uma noite,&lt;br /&gt;um jantar a luz de velas,&lt;br /&gt;depois disso,&lt;br /&gt;se nosso lume não permanecer sequer tremulante&lt;br /&gt;eu me lembrarei de você com saudade&lt;br /&gt;uma saudade feliz pelo bom encontro&lt;br /&gt;pela boa hora,&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;bonheur&lt;/span&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7838779966482597895?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7838779966482597895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7838779966482597895&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7838779966482597895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7838779966482597895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/12/bonheur_13.html' title='Bonheur!'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7494308302188231623</id><published>2009-12-05T18:19:00.007-02:00</published><updated>2009-12-05T19:17:57.918-02:00</updated><title type='text'>Como certificar-se do amor do outro?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/SxrJajFn7eI/AAAAAAAAADk/sI8NsiUsl5Y/s1600-h/interroga_o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 286px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/SxrJajFn7eI/AAAAAAAAADk/sI8NsiUsl5Y/s320/interroga_o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411859360171683298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A gente sempre tem certeza quando ama?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi a pergunta que uma simpática amiga me fez. Eu disse que talvez sim, talvez não. Não foi apenas para dizer que não sei. Que critérios servem para definir a presença ou ausência de amor? Eu sou um mero homem, gente do sexo masculino que, no fundo, prefere não pensar muito nisso. Eu sou, entretanto, obrigado a isso de vez em quando. Ela, então, me demanda: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você ama a sua mulher. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu lhe digo que é óbvio! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas, o que seria tão óbvio? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha, todo dia eu acordo e lhe dou um beijo, como diz a música, um beijo de café. Isso quando ela está de bom humor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas isso não é prova de amor! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É reconheço que não seja. Mas, nós temos uma ligação espiritual: nos dias que eu estou mais alegre e excitado ela sente, pressente. Tanto que, justamente nesses dias, ela fica com dor de cabeça. A gente briga, claro, como todo casal. Faz parte do protocolo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas ela ainda diz que o ama? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Diz sim, mas eu, de minha parte, acho que isso não prova nada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por que não? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uai, porque, toda vez que ela me diz isso, pode saber que, das duas, uma: ou a fatura do cartão de crédito veio alta demais, e eu deverei arcar com o ônus, ou a mãe dela virá passar um fim de semana conosco, e eu deverei, gentilmente e com todo o talento artístico que possuo, representar o papel de um genro adorável. Quando ela me diz que me ama é a hora que eu menos sei se é verdade ou não. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E você, quando diz que a ama? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, eu não digo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por que não? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu não digo porque, toda vez que o faço, ela sorri. Ela ri e acha engraçado. Mesmo achando bonitinho, ela acha engraçado e isso me deixa sem graça. Ou então, quando ela não está de bom humor, ela desacredita. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Haveria, então, a hora certa de dizer? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu acho que o mais certo é não dizer. Nunca dizer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Certa vez, quando ainda namorávamos, ela me disse que era perigoso dizer "amo você". Que ela nunca acreditava muito nisso. Quando ela o disse, eu me lembrei de quando éramos adolescentes e ela disse a mesma coisa: 'eu não acredito nesses amores adolescentes! É tudo passageiro!'. Aquilo ficou martelando na minha cabeça muito. Vivi minha vida para prová-la o contrário. Mas, agora que estou casado, reconheço que ela sempre teve razão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas por que? O que seria assim tão perigoso nessa simples frase? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não é a simples frase. Ela tem razão por que o mais certo é amar sem falar nada. Quando você diz, você assusta o outro. Amar em silêncio, é o mais prudente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas, o que o fez mudar de idéia e concordar com ela?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu não sei bem, Lila. Mas ela sempre teve esse poder sobre mim. Achava que a expressão livre dos sentimentos fosse o melhor remédio contra o medo de amar, mas estive enganado. Sempre que demonstrei demais meu amor obtive duas respostas: ou a fuga, ou a decepção!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por que fuga ou decepção?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por que às vezes o outro quer sentir o gostinho da conquista de um amor difícil e inatingível, que só ele possa alcançar. Quando eu digo 'amo você' rápido demais, isso a frusta, por que ela pensa que foi fácil demais, um amor que qualquer uma conquistaria e que, portanto, não vale a pena. Essa é a decepção!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E a fuga? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A fuga acho que é pelo susto! Sei lá, tem gente que teme ser amado. É muito pesado ser amado, então, não se pode ficar passando isso na cara o tempo todo. Não, de jeito maneira! O mais certo é ficar calado e amar em silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei se concordo com você. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu também não sei, mas é essa minha política agora. É mais seguro. No final das contas, é o único modo de assegurar-se do amor do outro. Se bem que, no fundo, a gente só tem certeza que ama quando não está dando muito certo. Então, é melhor seguir essa estratégia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qual? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não dizer e não supor nada. Apenas deixar as coisas acontecerem por si e ficar torcendo, cruzar sempre os dedos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7494308302188231623?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7494308302188231623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7494308302188231623&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7494308302188231623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7494308302188231623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/12/como-certificar-se-do-amor-do-outro.html' title='Como certificar-se do amor do outro?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/SxrJajFn7eI/AAAAAAAAADk/sI8NsiUsl5Y/s72-c/interroga_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2937950564892545375</id><published>2009-11-15T00:27:00.003-02:00</published><updated>2009-11-15T10:16:56.653-02:00</updated><title type='text'>O obscuro desejo da mulher</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/Sv_xLLzlxLI/AAAAAAAAADc/4SS67vInwrw/s1600-h/o-anticristo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 264px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/Sv_xLLzlxLI/AAAAAAAAADc/4SS67vInwrw/s320/o-anticristo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404303252317914290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um título sonoro este. Pode ser meio clichê, mas as pessoas não ousam discordar dele. Considero melhor do que "Anticristo". Menos enigmático, admito. Mas não quero defender o título, quero apenas evocar uma discussão que nos acompanha aqui: essa coisa do jogo dos sexos. Fiquei supreso por haver encontrado, numa crônica de jornal, uma interpretação do filme de Lars Von Trier sugerindo que se trataria da retratação, para não dizer da denúncia, de uma histórica dominação masculina sobre a mulher. No final das contas, todo aquele horror exposto na obra retrataria a guerra entre os sexos.&lt;br /&gt;Fico um pouco ressabiado com essa interpretação, embora reconheça sua plausibilidade. Difícil crer que aquilo tudo teria um sentido militante. Aliás, difícil crer que aquilo tudo teria qualquer sentido. O filme é descontrolado, apelativo, quase desesperado. Não posso decidir se o filme é bom ou não, mas, certamente, não tenho dúvidas de que não é um filme bom de assistir. Pode até ser bom, mas não traz bem-estar.&lt;br /&gt;Outro dia, tive o prazer de ler uma crônica muito instigante do psicanalista Contardo Calligaris comentando o movimento que ele entitulou "a turba da Uniban". Ele foi feliz por ter sugerido que o evento teria evocado uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa. No lugar das tochas, diz ele, os celulares acesos. De minha parte, tudo isso me evocou outro filme de Lars Von Trier, estrelado pela charmosa Nicole Kidman: Dogville. Não foi à tôa que a turba da Uniban e a obra do melancólico dinamarquês se cruzaram na minha cabeça. Foi o psicanalista que me sugeriu que tudo isso deveria ter relação com o obscuro desejo feminino.&lt;br /&gt;À primeira vista, tanto o comentário sobre a turba da Uniban quanto o comentário sobre o "Anticristo" parecem ter alguma razão: o problema está na dominação fálica, que não deixa a mulher desejar o que ela quer, impondo-lhe um desejo conforme a norma masculina (normale - norma male). Parece até que Lacan concordaria com isso. Por outro lado, porém, não parece nem um pouco que Trier teria isso em mente durante suas crises melancólicas que lhe teriam inspirado o filme.&lt;br /&gt;À parte nossas conjecturas sobre o que os autores pensariam disso, a questão é que, em ambos os casos, o papel de vítima parece um pouco forçado demais para a mulher. Não quero, de modo algum, defender a postura da faculdade que quis expulsar a moça, ou, ainda menos, os 700 alunos loucos machistas, cuja natureza deliquente e ignorância os levaram a tomar uma atitude tão desumana. Digo somente que a fronteira entre vítima e dominador me parece muito menos nítida do que o necessário para a efetivação de nossa determinação política.&lt;br /&gt;Quando Von Triers faz uma mulher pesquisadora do 'genocídio' feminino acreditar nas superstições de perigo que justificaram seu sacrifício perante seus algozes, ele não parece querer denunciar o absurdo contido na superstição. Poderíamos colocar no campo da fantasia a suposta natureza demoníaca da mulher, relacionando-a com a fantasia da vagina dentada que devoraria o pinto do menininho levado (ou que o esmagaria com uma pedra, a exemplo do que foi feito com os testículos de Chronos). Segundo essa hipótese, seria a angústia masculina de castração a grande responsável pela fantasia de crueldade feminina e pelo medo que sempre se teve de deixar desejá-la livremente.&lt;br /&gt;Eu diria que, em suas crises melancólicas, Von Trier chegou à constatação de que essa fantasia era real demais. Acredito que ele não quis dizer que os homens tiveram razão em queimar as bruxas na fogueira, mas também não acredito que ele tenha querido dizer que a mulher seja inofensiva. Haveria, então, um perigo real no desejo (ou no gozo) da mulher?&lt;br /&gt;Não posso responder afirmativamente pois, com certeza, seria mal interpretado. Tenho, porém, a intuição de que não é nada simples para a mulher afundar-se nesse pântano sem algum objeto no qual agarrar-se (objeto que, às vezes, coincide com o falo masculino). A questão é que nenhum objeto é capaz de servir para salvar todas as mulheres de afundar o desejo nessa obscuridade. Bem que o movimento feminista tenta levantar algumas coisas, outros movimentos tentam levantar outras, mas é difícil, mesmo para eles, reconhecerem que, às vezes, uma mulher possa preferir outra coisa. Às vezes uma mulher pode querer ser submissa a um homem agressor, por isso a militância feminista existe, para salvá-la desse desejo perigoso. Às vezes, ela pode querer furar a perna de seu homem com um esmeril para atachar-lhe uma grande roda de cimento, garantindo, assim, que aquele homem não fuja ante ao seu desejo.&lt;br /&gt;Em Dogville, Von Trier já parece ter tido a intenção de borrar as fronteiras entre os bons e os maus. Lá, vemos pessoas piedosas realizarem seus impulsos perversos contra a moça forasteira. Da mesma maneira, vemos a moça, considerada perigosa, de natureza má (uma mulher), buscar sua redenção com uma devoção quase masoquista para, no final, deixar imperar sua sede de vingança. Ou seja, em nenhum momento o bem e o mal coincidem com o sujeito da ação. O sujeito oscila entre os dois predicativos.&lt;br /&gt;No caso de "Anticristo", a violência parece oscilar entre dominante e dominado, entre vítima e algoz, entre homem e mulher. No caso da turba da Uniban, talvez seja também o caso de admitirmos que a responsabilidade pelo jogo de provocações também possa ter oscilado. Claro, isso não apaga a covardia de 700 contra 1. Parece, contudo, plausível admitir que uma mulher possa ter um desejo tão perigoso: de provocar, com o seu corpo, um rebuliço tão grande numa multidão como essa. É preciso admitir uma coisa: aquela minissaia era poderosa demais!&lt;br /&gt;Enfim, para todos os efeitos - políticos, pedagógicos e até filosóficos - não podemos admitir um desejo tão absurdo. Ancoremos, portanto, o desejo da mulher num lugar mais seguro: ela só queria, como sentencia o psicanalista, sexo com o namorado após a balada! Era só isso!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2937950564892545375?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2937950564892545375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2937950564892545375&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2937950564892545375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2937950564892545375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/11/o-obscuro-desejo-da-mulher.html' title='O obscuro desejo da mulher'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/Sv_xLLzlxLI/AAAAAAAAADc/4SS67vInwrw/s72-c/o-anticristo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-853840559551393071</id><published>2009-04-01T00:27:00.007-03:00</published><updated>2009-04-16T21:31:15.617-03:00</updated><title type='text'>Um destino tão funesto, se não é digno de Atreu, é digno de Tieste...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caro Mosaias,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;A última carta foi apenas uma provocação.&lt;br /&gt;O que eu gostaria de destacar agora é o quanto nosso ofício é patético!&lt;br /&gt;Veja bem, eu digo patético no sentido de que nós estamos lá para receber toda a carga de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pathos&lt;/span&gt; da qual o mundo quer se desfazer.&lt;br /&gt;É patético também num sentido mais vulgar e pejorativo, visto que a matéria de toda essa carga não deixa de ser uma patetagem imensa!&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assista, por exemplo, o filme "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;He's just &lt;/span&gt;not&lt;span style="font-style: italic;"&gt; that into you&lt;/span&gt;", e sinta o quão deprimente é grande parte da vida amorosa dos seres humanos.&lt;br /&gt;Homens e mulheres circulam atônitos buscando sondar o mistério do desejo do outro. Querem alguma segurança para assumirem sua própria posição na construção de uma possível relação. Criam regras, estratégias, defesas, teorias, fantasias para tentarem abordar uma realidade tão líquida.&lt;br /&gt;Justificar os fracassos com a idéia de que, na verdade, ele não está tão a fim de você, é, no mínimo, um consolo frustrante. Mesmo quando parece a aceitação de uma verdade pornograficamente nua.&lt;br /&gt;Pois, os maiores fracassos surgem, justamente, quando o desejo está mais intenso.&lt;br /&gt;O próprio zelo que o autor da carta abaixo demonstra pela figura da preciosa Scarlett Johansson não passa de um capricho. Ela mesma nunca conseguiria sustentar na vida os papéis para os quais é convocada na ficcção. Ainda que sua ficção indique, em seus próprios desdobramentos, a direção de um destino inelutável. Isso é claro para quem já pescou em uma meia dúzia de uns três ou quatro filmes onde ela, sempre convocada para o lugar da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Outra&lt;/span&gt; mulher, provocante e sensual, acaba a história sozinha (ainda que tudo o mais no filme acabe se encaixando, ela sempre sobra). Pode ser fraqueza dos roteiristas, de não suportarem dá-la a um só homem, mas não deixa de evocar, em uma  figura que se constrói, a idéia da insatisfação crônica de um desejo incontornável.&lt;br /&gt;Enfim, é isto o mais deprimente, meu caro Mosaías: por que investimos numa aposta que, de saída - ainda que nada percamos - tudo indica que não a ganharemos?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-853840559551393071?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/853840559551393071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=853840559551393071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/853840559551393071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/853840559551393071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/04/caro-mosaias-ultima-carta-foi-apenas.html' title='Um destino tão funesto, se não é digno de Atreu, é digno de Tieste...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-8498710214921035371</id><published>2009-03-27T19:03:00.008-03:00</published><updated>2009-04-16T21:36:26.955-03:00</updated><title type='text'>Carta a Scarlet Johansson</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/Sc1OT2HIqeI/AAAAAAAAAC8/z6b4IOotLxY/s1600-h/0,,11399480-EX,00.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 242px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/Sc1OT2HIqeI/AAAAAAAAAC8/z6b4IOotLxY/s320/0,,11399480-EX,00.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317992837844347362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Cara Scarlett Johansson,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-lhe esta carta para apresentar-lhe uma declaração, embora não espere que a Sra. a leia. Não sei dizer se isto vem a ser, verdadeiramente, uma declaração de amor, ou se há, por acaso, qualquer vestígio de falsidade em meu encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato, porém, que eu não posso negar, e que ouso declarar, é que, da observação da imagem que a Sra. ostenta nas telas, resulta-me um profundo encantamento (Insistirei em tratá-la por Sra., em demonstração de meu profundo e sublime respeito e, segundamente, por respeito ao Mr. Ryan Reynolds, que ousou desposá-la).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirijo-me à Sra. porque gostaria de expressar algumas interrogações a respeito da razão desse encantamento. De minha parte, acredito que minha sensibilidade pouco aguçada pode falhar em encontrar semelhantes maravilhas ao meu redor. Entretanto, aceito parcialmente a sugestão pouco elegante que pulula aos montes na boca e no espírito dos críticos de que a Sra. foi feita para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser excesso de inocência de minha parte, mas, já me custa crer que a Sra. não tenha sido feita por anjos, arcanjos, elfos ou outras entidades supra-humanas, de modo que me custa ainda mais acreditar que os produtores hollywoodianos detenham tanto poder assim, de produzir uma imagem capaz de provocar tão fortemente o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, pois, a Sra. não é um produto cinematográfico. O que me atiça enormemente a curiosidade de saber de que é feita a Sra. Scarlett Johansson. Seu pai, inclusive, foi divinamente inspirado quando se lembrou de oferecer à Sra. um nome tão sonoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu tenha franqueado demasiadamente os limites do pudor e do respeito insinuando que a Sra. provoca desejo. Corrigiria para a palavra já utilizada - "encantamento" -, se não me sentisse obrigado a avançar ainda um pouco mais longe (com a permissão da Sra.): a Sra. porta um sorriso assaz peculiar, que eu colocaria, paradoxalmente, no domínio de uma sensualidade inocente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo amor de Deus, não rasgue ainda esta carta! Não pense que eu queira atribuir à Sra. qualquer sombra de maldade ou de vulgaridade. De maneira nenhuma. A sua imagem é completamente inocente, porém, a despeito dessa sublime pureza, não deixa de despertar certa concupiscência, um pequeno traço de sensualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é exatamente isso que significa a sensualidade inocente de seu sorriso. Nos filmes, isso parece a medida exata de uma sabedoria finíssima e elegante. Parece que, ao esboçar docemente aquele sorriso terno, a Sra. apreendeu a medida exata de manifestação de um espírito feminino capaz de deixar um homem sem palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atribuir à sabedoria a competência que a Sra. tem para fazer-se bela parece ser uma solução bastante elegante para o impasse quanto ao mérito de sua imagem. Que uma mulher saiba como fazer-se bela para cativar um homem, isso talvez seja algo que, embora difícil, não seja tão incomum nos nossos pequenos dramas particulares. Entretanto, manejar um artifício que funcione para o conjunto dos homens parece um dom verdadeiramente digno da expressão 'sabedoria feminina'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou aqui, porém, para indagá-la sobre o seu segredo. Aliás, preferia não conhecê-lo, se ele existir. Temo que isso quebre o encantamento. A descoberta do segredo pode, desastrosamente, romper a harmonia entre a imagem que a Sra. oferece e a fantasia que ela desperta em minha assistência dedicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não ocupar ainda mais seu precioso tempo, despeço-me dedicando-lhe meus humildes louvores à sua beleza, e desejando que ela dure para sempre. Que ela persista em seu interior mesmo quando seus artifícios já não forem mais tão eficazes e abrangentes. Que ela persista em seu coração, mesmo quando desaparecer da memória frívola de todos os homens que a adoram. Que ela persista em sua alma, mesmo quando seu corpo já não evocar mais o mesmo brilho. Que ela persista em sua memória, mesmo quando eu, tão descuidado que sou, já me houver esquecido da intensidade desse encantamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-8498710214921035371?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/8498710214921035371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=8498710214921035371&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8498710214921035371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8498710214921035371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/03/carta-scarlet-johansson.html' title='Carta a Scarlet Johansson'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/Sc1OT2HIqeI/AAAAAAAAAC8/z6b4IOotLxY/s72-c/0,,11399480-EX,00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4128382261168299062</id><published>2009-03-01T12:01:00.000-03:00</published><updated>2009-03-01T12:01:00.682-03:00</updated><title type='text'>A relação a dois</title><content type='html'>Começamos na coluna anterior a tratar do amor: gostaria hoje de falar um pouco sobre o deslumbramento amoroso e algumas de suas dificuldades.&lt;br /&gt;Como um amor começa? Amante e amado se instalam juntos no cotidiano, seja em presença fruída – quando se está perto – ou em ausência sentida – quando se está longe. Para que? Para que o cotidiano de um seja o cotidiano de outro. É neste dia-a-dia que o prazer da intimidade compartilhada, cúmplice, se inscreve. De repente o outro se faz vizinho, conhecedor do nosso eu sem máscaras: é o cotidiano de um tornando-se o cotidiano do outro. Assim, o amado invade tantas áreas da vida do sujeito que tudo tem um dedo dele! Mesmo o sentido das coisas, antes absolutamente pessoais, torna-se compartilhado, e o amado, seu centro: o trabalho, antes um prazer por si mesmo, agora é o lugar onde o amado pode ser encontrado; o curso, antes uma escolha por interesse ou paixão, agora lembra os gostos e aspirações do outro; o prato predileto, o esporte preferido, o livro de cabeceira, a música do casal, são agora lembretes de um amor que se infiltrou nesse cotidiano de prazeres e particularidades.&lt;br /&gt;Esse é o apaixonante da intimidade com o amado; mas também pode ser o lado doloroso de um fim indesejado: se o amor acaba, acaba-se também o sentido das coisas. A devastação é o resultado iminente, uma falta de propósito na vida e nas experiências, porque tudo lembra o amado. Esse deslumbramento amoroso, portanto, tem duas faces que tantas vezes experimentamos como opostos, mas que são resultados da mesma coisa: amar alguém é torná-lo parte integral de nossa vida e do sentido que damos a ela.&lt;br /&gt;Além disso, não é de duas pessoas de quem falamos. São três os objetos de investimento amoroso: eu, o outro e o nós. Uma triangulação perfeita, onde eu e o outro cuidam do “nós” – estar junto é fazer crescer uma experiência a dois. Se a experiência do outro, a vivência do “nós” não passa do concreto – o relacionamento é apenas o encontro dos corpos – os conflitos se passam nesse nível; brigas físicas e discussões enérgicas serão as únicas ferramentas disponíveis para a resolução das desavenças. O resultado, é claro, não poderia ser pior. Uma vez vi um casal novo passeando no shopping: ela o abraçava com força enquanto andavam, ele passava o braço ao redor do pescoço dela, quase como uma estrangulação, enquanto se beijavam com firmeza e certa brutalidade. O terceiro da relação, a elemento “nós”, era absolutamente corporal. A experiência de distanciamento físico para os dois jovens pombinhos, creio eu, deveria ser muito sofrida e as brigas, quando surgissem, deveriam ser extremamente confusas e penosas para ambos, muitas vezes acaloradas e talvez até mesmo salpicadas por agressões físicas mútuas.&lt;br /&gt;E o que aconteceria com um amor mais sutilizado? Se os amantes possuem uma concepção suficientemente abstrata de si mesmos, há a possibilidade do “nós” também tornar-se cada vez mais abstrato. A necessidade de se comprovar o relacionamento no físico pode ser menor ou mais suave. A distância física pode ser melhor suportada e/ou substituída pela segurança de se estar junto, em pensamento. Amante e amado se vivem num relacionamento mais subjetivo, mas também resolvem suas inevitáveis desavenças pela fala: conversas duras, talvez discussões intelectualizadas, em detrimento da briga física. Independente da situação, sempre se deve cuidar do “nós”: do contrário, o amor pode tornar-se opressor, destituindo os prazeres da intimidade e o encanto do cotidiano por questões que, quase sempre, não valem a pena. Ter a fortaleza de caráter necessária para sustentar uma relação até o final é coisa para poucos. E é por isso que o amor é para os fortes de espírito. Amar, no final das contas, é uma constante afirmação de coragem: é por isso que se ama sempre de peito aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos bravos, então. E amemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima coluna, a última parte sobre o tema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4128382261168299062?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4128382261168299062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4128382261168299062&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4128382261168299062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4128382261168299062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/03/relacao-dois.html' title='A relação a dois'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5801324048121430967</id><published>2009-02-19T11:59:00.000-03:00</published><updated>2009-02-19T12:00:06.445-03:00</updated><title type='text'>Amar, verbo intransitivo</title><content type='html'>Hoje gostaria de dar outro tom à minha coluna. Em meio à brutalidade da guerra que a mídia noticia todos os dias (ainda pretendo falar sobre isso em outra coluna), depois de conversar sobre a demanda de felicidade e depressão, proponho um tema mais leve, descontraído: gostaria de falar, portanto, sobre o amor.&lt;br /&gt;Adianto, para aqueles que gostam de sublimar esse sentimento, traço do romantismo que existe até hoje, diferenciando-o da paixão, que partirei de outro princípio. Prefiro ver a paixão e o amor como duas faces da mesma moeda. Mesmo que sejam qualitativamente diferentes, não se separa o amor da paixão. Seja cálida como a paixão de São Francisco de Assis pelos animais, seja avassaladora como a paixão do jovem Werther, personagem literário de Goethe que se mata por causa de um amor impossível, a paixão sempre está lá, ao lado do amor. Estes dois sentimentos se confundem, partindo de uma mesma raiz: essa vontade de querer bem o que ou quem se ama, mais ou menos intensamente.&lt;br /&gt;Não sei se vocês sabem, mas o amor faz parte, para o bem e para o mal, da especialidade dos psicanalistas. O amor faz parte do processo de cura de uma análise, mas não há nada de romântico ou pastoral nisso: a relação entre analista e paciente, como Freud fez questão de marcar, é uma relação de amor. No caso de uma análise, esse amor pode ser tão sutilizado como um sentimento de confiança ou gratidão ao terapeuta até uma paixão escancarada, onde o analista vira o grande e derradeiro amor de seu paciente! Claro, nesse último caso, todo o trabalho terapêutico poderá ser arruinado se o analista não tiver suficiente controle de seus próprios sentimentos: o amor criado em análise é uma ilusão; importante, necessária, mas ainda assim uma ilusão. Tratamos desta paixão arrebatadora dentro do contexto dos problemas e angústias de um paciente, como um sentimento a ser questionado, destrinchado, mas nunca para passá-lo à realidade.&lt;br /&gt;É assim que, na clínica, lidamos com tanta freqüência com o amor. Assim como é sempre do amor de que se trata, quando sentimos falta de um amigo, quando nos apaixonamos por alguém, quando queremos bem aos nossos pais ou aos nossos filhos. O amor, inclusive, ultrapassa a necessidade de ser direcionado a pessoas: amamos também animais, idéias, times de futebol, crenças, e mesmo coisas. Por que e como cada um ama seu cônjuge, seu time do coração, suas crenças religiosas, são questões absolutamente particulares. Ao redor dos elementos que constituem esse sentimento – ternura, atenção, afeto, dedicação – encontra-se um ponto invariável: aquele que ama torna-se humilde, esquece-se de si para dar lugar ao objeto amado. Conhecemos os sintomas de uma paixão arrebatadora: todo o resto do mundo perde a cor e o brilho para o amante. A seus olhos, o amado é o que há de mais sublime e perfeito sobre a face da Terra!... Claro, estamos falando aqui do ápice do deslumbramento, mas quem aqui já não se encantou por alguém, mesmo que por um instante, mesmo que um pouquinho? Perder o sono por alguém, ver um filme ou ouvir uma música e lembrar-se da pessoa amada, estar longe e sentir saudade? Se não é o seu caso, caro leitor, aconselho com firmeza a experimentar!&lt;br /&gt;Mas sendo o amor um tema tão vasto, e apresentado em tantas cores diferentes, proponho tratar de um deles: o amor dos apaixonados, dos namorados, dos casais. Ora, os costumes mudam ao longo do tempo, nossos hábitos, nossos padrões morais, mas a paixão que une dois amantes sempre esteve presente em nossa história, nossa literatura e música. A paixão dos amantes está presente nas canções dos trovadores medievais, que faziam poemas sobre cavaleiros que iam à guerra com o lenço de sua dama guardado ao peito. Os românticos do século XVIII se embriagavam e suspiravam por seus amores impossíveis, algumas vezes literalmente morrendo de amor... E hoje? É verdade que não temos mais cavaleiros em suas armaduras, e o mundo se tornou prático demais para os sentimentais, mas ainda não ouvimos com prazer músicas românticas? Ainda não admiramos a foto da pessoa amada, às vezes guardada na carteira? Finalmente: ainda não se morre, hoje, por amor?...&lt;br /&gt;É verdade que temos agora o amor que se nutre e se desenvolve pelos e-mails, pelo Orkut, através da internet, das mensagens de celular e de uma série de facilidades da vida moderna. São relações modernas, sim: nossas urgências, novas prioridades, novas formas de encontro e de obtenção prazer; novas formas de ver um relacionamento. Ainda assim, a questão central, a ânsia do amante pelo amado, permanece. Como sempre foi. Junto com ela, o prazer de manter esse sentimento acesso, sua alegria, mas também seus reveses: o ciúme, as dificuldades de gênios diferentes, as brigas e discussões.&lt;br /&gt;Ora, mas então o que acontece, quando se ama? Por que a experiência de amar, que à primeira vista deveria ser apenas prazer, pode ser tão difícil? O que nós, psicanalistas, temos a dizer das delícias e dos males (e há muitos, mesmo que alegremente aturados) do amor? Afinal, o amor é feito de encontros e desencontros, e parte importante de um relacionamento amoroso é amar sabendo que não há amor perfeito. Parece óbvio, mas não é. Mesmo sabendo disso “de cor e salteado”, ainda acreditamos, nessa parte negligenciada de nós mesmos chamado inconsciente, que o amor tem que ser perfeito – nem que para isso alguém passe a vida inteira procurando a pessoa ideal, ou exigindo do parceiro a perfeição. Parece que faz parte da experiência amorosa, e mesmo da natureza humana, acreditar nessa espécie de ilusão de completude.&lt;br /&gt;Deixarei o tema em aberto, para retomá-lo na próxima coluna. Até lá, e para dar uma idéia de algumas das questões que pretendo abordar, deixo para vocês um excerto do inesgotável livro de Roland Barthes, chamado Fragmentos de um discurso amoroso:&lt;br /&gt;“Como termina um amor? O quê? Termina? Em suma, ninguém – exceto os outros – nunca sabe disso; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça ou passe à região da Amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo se dissipar: o amor que termina se afasta como uma nave espacial que deixa de piscar.”&lt;br /&gt;Despeço-me de vocês aqui, e até a próxima!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5801324048121430967?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5801324048121430967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5801324048121430967&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5801324048121430967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5801324048121430967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/02/amar-verbo-intransitivo.html' title='Amar, verbo intransitivo'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7168319346652603293</id><published>2009-01-31T17:19:00.005-02:00</published><updated>2009-02-07T00:36:32.876-02:00</updated><title type='text'>Tristeza...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/SYSqAy4ijVI/AAAAAAAAACs/4gZwjJtxW4k/s1600-h/0129091715-00.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/SYSqAy4ijVI/AAAAAAAAACs/4gZwjJtxW4k/s320/0129091715-00.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297545992330186066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem chorando perante uma pequenina multidão, enquanto as cordas que suportam o caixão de sua jovem esposa desce vagarosamente, para repousar sob a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que terapêutica - seja medicamentosa, seja analítica, ou humanista, ou pastoral -, que terapêutica haveria de aplacar uma tristeza como essa que vem expressa nessa imagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, é um homem. Um homem que chora. Poder-se-ia conceber, para a mulher, um certo prazer obscuro na atividade de prantear, de verter lágrimas. O que, porém, esperar de um homem austero e maduro? Que ele chore? Que ele resista resignadamente, apenas pinicando ligeiramente ambas as pálpebras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um homem, é um homem que chora, é um homem que chora em público. Será honra ou vergonha desfazer-se em lágrimas amorosas de comoção? Se o tal homem guardasse suas lágrimas para derramá-las no canto escuro de seu quarto, reservadamente, certamente não seria objeto de censuras. O que a opinião alheia importará numa hora dessas? Há quem creia que ela já não pesaria nada, mas, ainda assim, não creio que todos os laços sustentados pelo orgulho das aparências sejam tão facilmente rompidos no trauma da perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão do caixão fechado. Vetando-lhe - agora de uma vez para sempre - o prazer de divisar o rosto de sua mulher. Ele poderia, ainda num acesso de desespero, interromper o curso de todo o cerimonial, solicitar que lhe fosse aberta, ao menos uma última vez, por alguns poucos segundos, a possibilidade de contemplar mais uma vez o rosto pálido e magro de Rosalie. Entretanto, ele não se atreve a provocar tamanho espetáculo, já que ele pressente que essa última visão, esses poucos minutos não serão suficientes para satisfazê-lo, para conter seu ímpeto amoroso. Melhor, então, marejar dolorosamente ambos os olhos por baixo dos óculos escuros, para obnubilar ainda mais a visão da despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vai para debaixo da terra. Os diligentes funcionários depositarão por sobre o caixão algumas tampas de concreto, que eles descerão pelas cordas com facilidade. Depois, um deles entrará na cova, pisará no concreto por cima do caixão e por-se-á a puxar a terra que jaz ao lado da cova, cobrindo gradativamente todo o vazio da situação. Depois de acomodada toda a terra que sobrava ao redor, já do lado de fora da cova, esse mesmo funcionário depositará, com a ajuda de alguns sujeitos emocionados, as coroas de flores e as homenagens prestadas à morta. A morta, nunca mais saíra dali e, brevemente, seu corpo todo será decomposto com o auxílio de algumas  repugnantes e minúsculas criaturas vivas (às quais o célebre Machado de Assis se lembrou de dedicar as Mémórias Póstumas de Brás Cubas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso é uma tristezazinha comum, eu não sei. Se uma dor como essa teria cura, também não me interessa saber. Se haveria a possibilidade de uma prevenção quanto ao luto necessário reservado à humanidade em seu destino, isso nunca fará parte de minha política pública. Eu, porém, não me glorio com isso, não me glorio com essa dor, não me comprazo em tamanha tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7168319346652603293?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7168319346652603293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7168319346652603293&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7168319346652603293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7168319346652603293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2009/01/tristeza.html' title='Tristeza...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_JWsmO0Hdkuo/SYSqAy4ijVI/AAAAAAAAACs/4gZwjJtxW4k/s72-c/0129091715-00.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7174964760549405612</id><published>2008-12-08T23:21:00.001-02:00</published><updated>2008-12-08T23:25:17.174-02:00</updated><title type='text'>Depressão e individualidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          Gostaria de abordar desta vez um tema que é, de certa maneira, uma continuação da minha coluna anterior. Trata-se de um fenômeno moderno e cada vez mais recorrente, suficiente para hoje ser caracterizado como um desafio para as políticas de saúde: a depressão. Tema espinhoso, admito: fala-se muito sobre isso em rodas de conversa. Discute-se sobre a depressão em programas de televisão e rádio, geralmente com profissionais muito solícitos e entendidos. Acumulam-se estatísticas sempre crescentes sobre o tema, enquanto surgem todos os meses novos tratamentos e remédios para a depressão que, curiosamente, parece sempre resistir a uma panacéia definitiva, uma cura universal, quase como se o deprimido zombasse das tentativas da ciência de curá-lo: ora, por que quanto mais a medicina avança, mais a depressão resiste, como uma epidemia sempre um passo à frente das indústrias farmacêuticas, que lucram bilhões em remédios todos os anos?&lt;br /&gt;          Vamos com calma. A maioria das pessoas não gosta de sofrer ou ficar triste. Um paciente extremamente deprimido não é capaz nem mesmo de suportar uma análise: faltam-lhe forças para isso. Levantar da cama é um suplício. Ir trabalhar é um sofrimento atroz. Os familiares, angustiados, nada conseguem fazer para melhorar este quadro. Neste sentido, os medicamentos para a depressão são valiosos auxiliares em nosso trabalho terapêutico. Contudo, até que ponto podemos tratar a experiência subjetiva da tristeza da mesma forma como se trata uma doença orgânica, à força de remédios cada vez mais fortes e com altíssimos índices de dependência química? Sabemos um bocado sobre os mecanismos biológicos em jogo na depressão: diminuição da produção de serotonina no cérebro, alterações hormonais, etc. Mas como uma baixa de serotonina no cérebro se transforma em tristeza? Ou apatia? Ou mágoa? Igualmente, como traduzir o aumento de serotonina em alegria? Esperança? Amor? Podemos realmente deixar de lado a experiência subjetiva da depressão, que é absolutamente singular para cada um, enxergando nela apenas um simples defeito no cérebro a ser consertado com os medicamentos adequados? Ora, não se trata, para a psicanálise, da quantidade da serotonina, mas da qualidade dos sentimentos e pensamentos envolvidos. Afinal, não é o cérebro quem sofre, é o sujeito.&lt;br /&gt;Neste sentido, a idéia de que tudo pode ser resolvido pela medicamentação é um problema grave. Cada vez mais escuto relatos de pessoas que tomam remédios destinados a certos distúrbios psiquiátricos – os famosos “tarjas pretas” – como quem toma uma aspirina para dor de cabeça, ou “um remedinho para dormir”. Alguns médicos, mesmo sem a formação adequada para tanto, prescrevem medicamentos que só deveriam ser tomados após uma criteriosa avaliação psiquiátrica. Isso é preocupante e perigoso: dependência química e efeitos colaterais indesejados são apenas alguns dos efeitos negativos que uma prescrição irresponsável pode causar.&lt;br /&gt;          Por isso, bater nessa mesma tecla nunca é demais. Parece que o sofrimento subjetivo, não importa como ele se apresente – depressão, ansiedade, insônia, luto, angústia – virou uma ofensa para a sociedade moderna: devemos calá-lo rapidamente e sem dor! É essa “anestesia da alma” que alguns remédios – e também as drogas ilícitas – proporcionam: com um comprimido, uma dose, um baseado, os problemas somem, tudo está bem. Por um tempo, claro: porque depois tudo volta. Mas sempre se pode recorrer ao anestésico novamente, não é? E assim o sujeito continua, amortecendo sua subjetividade para que não se pense demais, para que não se sinta demais. Afinal, estas duas experiências humanas – pensar e sentir em demasia – nunca foram muito fáceis de suportar.&lt;br /&gt;          O curioso é que a depressão é uma doença moderna, uma invenção do final do século XX. Antes, os médicos – e também os poetas, músicos e romancistas – tinham um nome mais interessante para este peculiar estado de espírito: chamavam-na de melancolia. E era a melancolia que levava os poetas românticos a escreverem poesias para suas amadas impossíveis; era a melancolia que levava os boêmios do Rio a fazerem samba. A pergunta que Freud fazia a seus pacientes melancólicos, estes que não podiam se dar ao luxo de transformar tristeza em poesia, e que apenas enxergavam o mundo em preto e branco, vazio de sentido, era muito simples: “por favor, tente falar mais sobre essa tristeza. Como ela é?” E se punha a escutar, pacientemente: era preciso transformar a angústia em palavras, permitindo ao sujeito “digerir” seu mal-estar pela fala. Neste sentido, Freud acreditava que sofremos porque somos incapazes, por vários motivos, de dizer tudo o que sentimos e pensamos, e que alguma coisa sempre sobrará e ficará mal resolvida. O sofrimento subjetivo, para Freud, devia ser interrogado, posto para falar – não ser calado, suprimido, anestesiado. A riqueza de uma psicoterapia está justamente aí. E até hoje não inventaram um remédio que faça alguém elaborar o luto de uma pessoa que se foi, resolver mágoas do passado, curar feridas de um relacionamento malfadado: e, acredito, nunca haverá.&lt;br /&gt;          Por isso, acredito que o problema não está nos medicamentos, mas na excessiva “biologização” do sofrimento psíquico. Devem-se utilizar os medicamentos psiquiátricos com parcimônia e cuidado, visando sempre o tratamento psicoterápico paralelo e a desmedicamentação do paciente a médio prazo, e nunca a dependência eterna do paciente aos psicofármacos. Até quando podemos transformar nossos estados afetivos em doenças, tratados e medicados como enfermidades do cérebro? Prefiro mais é pensar como Vinícius de Moraes, quando cantou que é verdade, “é melhor ser alegre do que triste”, mas que “pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza: senão, não se faz um samba não”. Sábias palavras: saber fazer coisas belas com a tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7174964760549405612?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7174964760549405612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7174964760549405612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7174964760549405612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7174964760549405612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/12/depresso-e-individualidade.html' title='Depressão e individualidade'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-8530581630853098025</id><published>2008-11-22T20:01:00.000-02:00</published><updated>2008-11-22T20:01:01.042-02:00</updated><title type='text'>Felicidade e desejo</title><content type='html'>Olás a todos! Começo hoje minha coluna para o jornal, ainda carente de uma identidade bem definida. Sou psicanalista e professor universitário, acostumado a escrever artigos e apresentar trabalhos em congressos: uma coluna de jornal é ainda empreitada inédita, e talvez mais difícil, porque mais pessoal e íntima. Portanto, veremos a que paragens a escrita nos levará, e peço, de antemão, que o leitor seja indulgente durante o percurso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando no que escrever, sendo esta minha primeira coluna, resolvi conversar um pouco sobre uma questão sempre recorrente nos divãs, mas que, nem por isso, deixa de ser uma questão para todos nós. Trata-se da demanda de felicidade, este estado de espírito indefinível, que todos concordariam de bom grado ser uma espécie de fim universal de todo ser humano, mas que poucos conseguiriam definir com exatidão. Para uns a felicidade – sempre no horizonte, sempre a ser ainda alcançada, vale lembrar – é sinônimo de uma rede, água de coco e uma praia paradisíaca. Para outros é uma estada em Paris, regada por vinhos e luxos – como as celebridades das revistas fazem o tempo todo. Já para alguns, a felicidade seria poder sair de casa sem sentir medo de tudo e de todos; finalmente, para outros tantos, a felicidade seria poder amar sem sabotar-se durante um relacionamento. Seja com que formas a felicidade se transfigure, geralmente é isso que nos pedem nossos pacientes: que calemos o sofrimento, que façamos deles pessoas mais felizes, menos problemáticas e, até, que “ensinemos” a eles onde e como essa felicidade pode ser alcançada, como agir e como viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês, leitores atentos, já devem ter por agora a dimensão do problema que os terapeutas têm em mãos, quando escolhem esta profissão baseada numa escuta atenta e dedicada. No final das contas, sejam quais forem os motivos pelos quais alguém procura um psicólogo clínico, a questão sempre passa por esse pedido de ajuda: às vezes um pedido velado, às vezes explícito, algumas vezes até mesmo dramático. Freud comentava que o sofrimento humano tem a mesma legitimidade que a alegria na vida cotidiana, e mais: parecia-lhe que dependiam um do outro – afinal, não faz parte da sensação de sofrimento a ausência da alegria, e a alegria, por sua vez, não é também a fruição da ausência da dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito de um texto escrito por Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora, onde ela define com exatidão o sofrimento moderno: o sujeito que busca o divã hoje em dia se sente um otário, um perdido no mundo. Todos são tão felizes... Menos ele. As propagandas alardeiam uma felicidade tão tangível, tão real, tão ao lado!... O carro de última linha, o celular da moda, a viagem dos sonhos... Até mesmo a conta em um banco e a família feliz (já repararam como propagandas de banco gostam de mostrar famílias felizes e despreocupadas em suas propagandas?): parece que, uma vez cliente, a família alcança o nirvana das contas domésticas (e geralmente a relação entre abrir uma conta de banco e despreocupar-se com o dinheiro não acontece assim, não é?). Entre nós e a felicidade que a publicidade promete, parece haver – e sempre haverá, este é o segredo – um enorme abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao nosso neurótico moderno, a metáfora de Maria Rita Kehl é precisa: a impressão do sujeito deitado no divã é de que está havendo, neste momento, uma festa badaladíssima na cidade, onde todos se divertem horrores, todos são felizes e bem sucedidos... Mas o pobre sujeito deitado no divã, angustiado, não tem o endereço dessa festa: ele está do lado de fora, um excluído. E ele consome, e compra, e segue as modas, e faz o que todo mundo faz, acreditando piamente que, assim, o endereço da festa lhe será revelado. Mesmo que a ressaca o torture no dia seguinte; mesmo que a depressão pós-consumismo o angustie ainda mais (“meu Deus, porque eu comprei isso se eu nem precisava?”); mesmo que ele se sinta mal por fazer algo que julgue condenável, não importa: o certo é jogar o jogo que todos jogam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte do nosso trabalho, portanto – antes mesmo que uma análise, propriamente dita, comece – é mostrar para o sujeito que ele, o analista, não tem o endereço dessa festa (e nossos pacientes acreditam tão piamente nisso!...) e que, aliás, ninguém tem. Parte do processo terapêutico – e uma parte importante – é permitir ao sujeito desejar: e só estamos vivos, produzindo, trabalhando, amando, sofrendo e sendo felizes porque desejamos, porque entre nós e aquilo que queremos – mesmo quando não sabemos o quê exatamente queremos! – há uma distância intransponível. E é precisamente esta distância que deveremos suportar até o abaixar das cortinas da vida: mas ora, não são essas as coisas que tornam a vida mais intensa e interessante? Enquanto houver algo por fazer, enquanto o desejo nos impulsionar a sermos mais e melhores, a vida será sempre uma grande aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir, cito Freud, que sabia muito bem do que falava, sobre o que se deve esperar de uma análise: “não uma reconciliação com a realidade, mas com suas próprias capacidades. Querer o que se quer, poder o que se pode. Não querer o que se pode, esmagamento diante da realidade, nem poder o que se quer – acreditar nisso –, figura de onipotência. Mas que se possa fazer a sua parte, expressar seu relato, responder ao mundo ao seu modo. Amar e trabalhar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes termos, me despeço, e até o nosso próximo encontro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-8530581630853098025?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/8530581630853098025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=8530581630853098025&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8530581630853098025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8530581630853098025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/11/felicidade-e-desejo.html' title='Felicidade e desejo'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-6765470143526090642</id><published>2008-11-20T09:14:00.000-02:00</published><updated>2008-11-20T09:14:00.509-02:00</updated><title type='text'>Coluna no jornal</title><content type='html'>Caríssimos 2 ou 3 leitores desse blog,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui convidado recentemente para ser colunista de um jornal. Ok, na verdade fui convidado há muito tempo e fiquei enrolando até esse final de semana, quando finalmente resolvi começar a escrever. A coluna é quinzenal e vou publicar os textos aqui no blog também (já tenho permissão pra isso, aliás). Espero que não achem muito grande. :D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-6765470143526090642?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/6765470143526090642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=6765470143526090642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6765470143526090642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6765470143526090642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/11/coluna-no-jornal.html' title='Coluna no jornal'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3627978176206754539</id><published>2008-11-19T21:32:00.002-02:00</published><updated>2008-11-20T09:30:13.003-02:00</updated><title type='text'>Sei que é um tema meio nada a ver com o blog, mas....</title><content type='html'>- Ae chefia, olhei o carro, dá 5 real aí pra merenda.&lt;br /&gt;- Tenho não, delinquente.&lt;br /&gt;- Qualé praiboi, vai engrossá?&lt;br /&gt;- Vô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aicHsMC6rxM&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/aicHsMC6rxM&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3627978176206754539?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3627978176206754539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3627978176206754539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3627978176206754539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3627978176206754539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/11/sei-que-um-tema-meio-nada-ver-com-o.html' title='Sei que é um tema meio nada a ver com o blog, mas....'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-866617255393429200</id><published>2008-11-18T09:13:00.000-02:00</published><updated>2008-11-18T09:14:43.367-02:00</updated><title type='text'>Vivo, vivíssimo</title><content type='html'>Do blog do Saramago (sim, Saramago tem um blog!):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem quiser ler algumas coisas do autor de "Ensaio sobre a Cegueira", aí vai: http://caderno.josesaramago.org/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-866617255393429200?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/866617255393429200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=866617255393429200&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/866617255393429200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/866617255393429200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/11/vivo-vivssimo.html' title='Vivo, vivíssimo'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-6930603202909760553</id><published>2008-11-03T19:04:00.004-02:00</published><updated>2008-11-03T19:14:58.636-02:00</updated><title type='text'>Proposição sobre a tristeza</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_bl0AnJynqcs/SQ9pqOvsNfI/AAAAAAAAAAM/9REbPtZIAAw/s1600-h/ATgAAAD8Ao8daykkrTfQ2PXNbYcZNcIbz06otucL1B_zzol44FzZdTdgfZM3hNLi4wbbvyUxOwSSkHP03kkB84Dgkw7IAJtU9VAhJBM7ugUfEJiwN3mmPA4cN_XCeQ.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 278px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_bl0AnJynqcs/SQ9pqOvsNfI/AAAAAAAAAAM/9REbPtZIAAw/s320/ATgAAAD8Ao8daykkrTfQ2PXNbYcZNcIbz06otucL1B_zzol44FzZdTdgfZM3hNLi4wbbvyUxOwSSkHP03kkB84Dgkw7IAJtU9VAhJBM7ugUfEJiwN3mmPA4cN_XCeQ.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264542663652947442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estudando Espinoza. É impressionante como as páginas da Ética ganham vida rapidamente, e o pensamento deste filósofo nos arrasta para não sei que paragens. Imagino-o dizendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lembre-se que foi a modernidade (ou a pós) que transformou tristeza em depressão. E a depressão deve ser erradicada do convívio social, como um anátema ao que a sociedade de consumo - com todos seus bens prontos a prover a felicidade por um preço - representa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espinoza dizia que a tristeza jamais devia ser temida. Ter medo da tristeza é dar a ela uma força que ela não tem, sendo ela uma resistência à própria Vida que tudo abarca. Foi a sociedade do espetáculo e da ilusão que nos ensinou a temê-la. Para ele, a tristeza é um sinal. Sinal de que algo deve ser visto ou revisto em nós, sinal de basta, sinal de Pare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A tristeza não deve, contudo, ser um vício, pois só o vil ama a dor, sua ou do próximo. Afinal, a tristeza é uma falta moral. Mais ai daquele que recapitula, que se apavora diante desta mensagem enigmática do inconsciente: a tristeza mostra o que jaz oculto nas dobras do eu, talvez uma parte que apenas nestes momentos de dolorosa lucidez é possível vislumbar. Não tema a si mesmo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-6930603202909760553?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/6930603202909760553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=6930603202909760553&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6930603202909760553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6930603202909760553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/11/proposio-sobre-tristeza.html' title='Proposição sobre a tristeza'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_bl0AnJynqcs/SQ9pqOvsNfI/AAAAAAAAAAM/9REbPtZIAAw/s72-c/ATgAAAD8Ao8daykkrTfQ2PXNbYcZNcIbz06otucL1B_zzol44FzZdTdgfZM3hNLi4wbbvyUxOwSSkHP03kkB84Dgkw7IAJtU9VAhJBM7ugUfEJiwN3mmPA4cN_XCeQ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3262323056813644026</id><published>2008-10-05T19:11:00.000-03:00</published><updated>2008-10-05T19:11:00.971-03:00</updated><title type='text'>Little Buddha</title><content type='html'>Quando Sidarta resolveu, com grande sofrimento, deixar sua vida de príncipe e buscar a Iluminação, pelo bem dos que amava, seu pai trancou o palácio e dispôs guardas para vigiar cada saída. Contudo, uma névoa mágica havia descido sobre o reino naquela noite. Toda a corte dormia profundamente. Sidarta então acordou seu servo Channa e pediu-lhe que selasse seu cavalo. Eles se encontraram nos portões do palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHANNA: Só os Grandes Elefantes estão acordados, meu senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SIDARTA: Sim, o mundo todo está sonhando, Channa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3262323056813644026?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3262323056813644026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3262323056813644026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3262323056813644026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3262323056813644026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/10/little-buddha.html' title='Little Buddha'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4339099734012620708</id><published>2008-09-30T19:19:00.000-03:00</published><updated>2008-09-30T19:19:00.251-03:00</updated><title type='text'>O Bushido</title><content type='html'>O que é um espadachim? Aquele que luta com uma espada, na realidade, luta sozinho. Qual o verdadeiro propósito que o move? Tornar-se melhor. O espadachim é aquele que encara a morte, a possibilidade da derrota e do desfecho fatal. Mesmo assim, ele luta. Luta porque não pode fazer outra coisa. Luta porque sua vida é feita de intermináveis batalhas, e o inimigo é tão eterno quanto são as etapas de purificação pelas quais precisa passar antes de enfrentar o fim da morte. E esta luta é solitária. Solitária porque o verdadeiro inimigo não é o oponente em guarda à sua frente. Não é o espadachim adversário: ele também está só. O verdadeiro combate acontece no interior. O Inimigo está entre o espadachim e sua própria espada, no intervalo que existe entre ele e sua arma. A espada é um instrumento para sua própria epifania. O adversário ao lado é apenas um outro, testemunha de seu ritual secreto, mas ao mesmo tempo, de certa maneira, solidário – pois ele também luta consigo mesmo. O objetivo do espadachim não é vencer o adversário, mas tornar-se perfeito em sua maestria com a espada, símbolo de sua força de vontade e determinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É apenas quando vê que o verdadeiro Inimigo está dentro dele que o espadachim transcende o humano – e alcança a perfeição. Neste estado, a espada e o espadachim são um só. A luta silenciosa é a harmonia perfeita entre o espadachim e sua espada: ela age e se movimenta de acordo com o espírito do espadachim. Não há nada que sua espada não pode fazer, pois não há nada que diminua seu espírito pleno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espadachim protege os fracos, mas nada pede em troca. O Bem é feito por ele mesmo, o Bem é o meio e o fim. Se for preciso matar, o espadachim matará porque assim é, e ele nada faz senão cumprir uma lei natural – pois o verdadeiro guerreiro é uma força da natureza, impessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim ele é um humano. Mas entre seu corpo e o Mundo, entre sua pele e o espaço infinito que o rodeia, não há barreira. O espadachim se move e vive e É entre todos os mundos. As divisões de onde termina seu eu e até onde é o exterior não existem. Há apenas continuidade, e fluxo, e mudanças, um equilíbrio perfeito entre o yin e o yang. Nada se perde, nada se cria, mas tudo se transforma, desde o mais profundo de seu interior até o infinito do espaço que o cerca. O espadachim é o toro: o espaço em seu interior é o mesmo espaço que o cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em seu íntimo, apenas a certeza. E seu verdadeiro poder – pois todo herói tem superpoderes – é aquilo que define o guerreiro pleno: seu poder é ter vencido sua maior limitação, e ter perdido o medo da Morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4339099734012620708?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4339099734012620708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4339099734012620708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4339099734012620708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4339099734012620708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/09/o-bushido.html' title='O Bushido'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-8867702753258290196</id><published>2008-09-28T19:10:00.000-03:00</published><updated>2008-09-28T19:10:00.750-03:00</updated><title type='text'>Nota de rodapé</title><content type='html'>A morte é mais leve que uma pluma. A responsabilidade de viver é que é tão pesada como uma montanha.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- velho ditado budista&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-8867702753258290196?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/8867702753258290196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=8867702753258290196&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8867702753258290196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8867702753258290196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/09/nota-de-rodap.html' title='Nota de rodapé'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-6750063068973318195</id><published>2008-09-24T19:15:00.000-03:00</published><updated>2008-09-24T19:15:00.670-03:00</updated><title type='text'>Caminho de pedras</title><content type='html'>As vicissitudes pelas quais as pessoas passam não podem ser reduzidas à pura objetividade. Uma maneira simples de colocar isto é constatar que “nada é tão simples quanto parece”. De posse desse argumento, é possível perceber as intenções sutis, mascaradas nas entrelinhas dos relacionamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é feito sem algum ganho. Mesmo nas situações mais penosas ou tristes, em que somos vítimas do destino – ou, mais precisamente, de alguém – alguma coisa de nós surge, ativamente: nosso pecado é assentir perante nosso próprio sofrimento. E assim é: uma parte de nós boicotando nossas mais sublimes verdades, nossas mais sinceras alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento de dor, de incompreensão e desafeto, nosso impulso à morte, à dissolução, fala baixo, em surdina – mas num apelo terrivelmente eficaz. A ordem que rege nossa alegria é categórica: “tu deves, mas não podes!”. Este comando feroz e paradoxal dirige ações e pensamentos para o desfecho preciso de nosso maior medo. Assim a profecia se cumpre, e a repetição, vence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tu és resto, despojo. Tu és impura. Não és boa o suficiente, és vil e má. E este é teu mais absoluto medo, teu mais secreto temor. Deves tentar ser mais e melhor, mas minha ordem é clara: no fim, tudo estará fadado ao fracasso. Teu destino a alcançará inexoravelmente, pois é isto meu desejo; que confirmes aquilo que digo de ti, que tu és imerecedora e assim deves permanecer. Pois sem mim, tu nada és. Se te dirijo à transcendência, é apenas para que no final você reitere sua real e obscura natureza, o Nada. E eu estarei lá no final, apenas para constatar tua fraqueza. Do pó viestes, ao pó retornarás.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da consciência de si deve advir a consciência para si. O esforço para a mudança é grande, e o caminho, penoso. A observância e desvelamento desta verdade categórica só pode ser alcançada através de sacrifício e humildade. O eu deve ceder e morrer mais um pouco para que a Verdade seja posta. Mas não temeis. Tem paciência, pois, e trabalha – Para ti, e cada vez mais somente para Ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-6750063068973318195?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/6750063068973318195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=6750063068973318195&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6750063068973318195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6750063068973318195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/09/caminho-de-pedras.html' title='Caminho de pedras'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4512101862392551030</id><published>2008-09-21T19:09:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T19:09:00.955-03:00</updated><title type='text'>Existem dois tipos de poetas</title><content type='html'>Existem aqueles que escrevem tomados de uma paixão arrebatadora, de uma amor pela vida tão grande que não encontram paz se não tentam trazer esta alegria para o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem aqueles que são tomados por uma certa melancolia, um sentimento vago de tristeza que parece não ter fim e, muitas vezes, razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os primeiros, a poesia é um exercício de além-dos-limites, de catarse, de puro fruir. Alguma coisa de transcendência. Um amor pelo mundo, vasto mundo. E esta experiência de amor é, naturalmente, uma experiência que pede para ser compartilhada. Estes poetas escrevem para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os segundos, a poesia é uma forma de elaboração, uma tentativa de, ao escrever, tornar mais apreensível sua dor. Poder dar nome àquilo que os mata. Estes poetas não escrevem para os outros, mas sim para eles mesmos. Eles tentam encontrar alguma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poetas amorosos vêm em cada coisa uma infinita beleza que precisa ser contida de alguma forma. Seria injusto profaná-las tentando capturá-las no instante da poesia, mas também seria uma grande heresia deixar tanta beleza sem algum cuidado poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os poetas melancólicos apenas vêm em cinza. A decepção amorosa, os sentimentos de inadequação ou amargor com a vida, mobilizam neles a criação. Criar para construir alguma coisa sólida ao redor de sua dor. Há, entretanto, uma estranha e paradoxal beleza em sua melancolia. Suas poesias tentam encontrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a beleza de cada um é singular. Se alegria e o amor são para os felizes, talvez a tristeza e a dor sejam para os que gostariam de sê-lo. Mas em ambos, há uma infinita paixão por trás do que fazem. Existe uma força criadora comum, alguma coisa que precisa estar lá, no papel. Como comenta Rilke, o poeta é aquele para quem a poesia é uma necessidade vital. Os verdadeiros poetas escrevem porque não sabem fazer outra coisa e, se não o fizessem, a morte seria preferível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os poetas são solidários do pathos, isto tenho certeza. Seja ele positivo ou negativo, todos procuram encontrar algo. Traduzir o impossível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4512101862392551030?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4512101862392551030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4512101862392551030&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4512101862392551030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4512101862392551030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/09/existem-dois-tipos-de-poetas.html' title='Existem dois tipos de poetas'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-8916746342956110585</id><published>2008-09-18T19:13:00.000-03:00</published><updated>2008-09-18T19:13:00.128-03:00</updated><title type='text'>Leitmotiv</title><content type='html'>Nós sempre pensamos na nossa singularidade. O direito à individualidade é coisa séria, constitucional. Celebramos nossas diferenças e enxergamos, nas diferentes manifestações culturais, a prova de que cada ser humano é único. Bom, isso é verdade – mas só em parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que na história da humanidade, e nos pequenos dramas pessoais, existem dois ou três grandes temas. Por trás de tanta pluralidade, esses temas se repetem, como arquétipos mitológicos que parecem definir o que é ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o resto? O resto, meus amigos, são variações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-8916746342956110585?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/8916746342956110585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=8916746342956110585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8916746342956110585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8916746342956110585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/09/leitmotiv.html' title='Leitmotiv'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2590333732230789391</id><published>2008-09-14T19:09:00.001-03:00</published><updated>2008-09-14T19:09:46.835-03:00</updated><title type='text'>Desapego e indiferença</title><content type='html'>As pessoas confundem desapego com indiferença. As duas coisas podem parecer bem próximas à primeira vista, mas são, em essência, o oposto. O desapego é mais difícil, enquanto a indiferença parece um caminho mais fácil e seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo é que a indiferença exclui. O desapego, ao contrário, inclui. Quando Krishna fala para Árjuna sobre o desapego, ele pede também para que Árjuna ame seus amigos e inimigos do mesmo modo. É aqui que se encontra a diferença maior. O desapego ama. E ama tão incondicionalmente, que não vê diferença entre o mal e o bem, entre a distância e a proximidade – tudo ama, tudo crê, tudo suporta. O desapego é a inclusão do outro de forma tão plena que é capaz de amá-lo a despeito de quem quer que seja ou o que quer que faça – a despeito da distância que seja necessário manter. O desapego mantém o carinho pelo outro, e age para que a felicidade do outro seja garantida a despeito de sua própria. Na verdade, a felicidade do outro é a sua própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indiferença é a exclusão do outro, a distância proposital daquilo que, de alguma forma, é desagradável ou doloroso. A indiferença é protetora, na medida em que priva o sujeito da trabalhosa tarefa de amar. E dos riscos de sofrer por amor, coisa maravilhosa para quem aceita vivê-lo. Na indiferença não há amor, ao contrário, há a sua recusa. O amor parece fácil, mas não é. O amor é tão ativo quanto a Criação. Por isso, a indiferença priva, exclui, mata a presença do outro que signifique as intempéries de amar. Por trás da indiferença, pode haver um medo terrível de sofrer, ou a vergonha, muitas vezes, de simplesmente ser sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que as pessoas confundem desapego com indiferença. Porque é mais fácil assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2590333732230789391?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2590333732230789391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2590333732230789391&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2590333732230789391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2590333732230789391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/09/desapego-e-indiferena.html' title='Desapego e indiferença'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5139192867526077376</id><published>2008-06-03T18:14:00.000-03:00</published><updated>2008-06-03T18:14:00.527-03:00</updated><title type='text'>Sobre o tempo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Philip K. Dick tinha uma teoria: ele acreditava que o tempo era uma ilusão, e que na verdade estamos todos em 50 d.c., por razões que não vêem ao caso agora. De qualquer forma, ele era um gnóstico, e acreditava que existia um demiurgo, ou demônio, que havia criado esta ilusão chamada “tempo” para nos fazer esquecer que Cristo está para retornar e o Reino de Deus prestes a surgir. Para ele, estamos todos em 50 d.c. e alguém quer nos fazer esquecer que Deus é iminente. E para ele é isto que o tempo é, é isso que a história significa. É simplesmente um contínuo sonho desperto, uma distração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Deixe-me, contudo, explicar-lhe uma outra hipótese sobre a natureza do universo. Philip K. Dick estava certo sobre o tempo, mas errou sobre 50 d.c. Na verdade, há somente um instante, e é o agora, e é a eternidade. Só existe este instante em que Deus está colocando uma questão, e a questão é basicamente esta: “você quer ser uno com a Eternidade, você quer estar no céu?” E todos nós, em nossas vidas, na duração do tempo, estamos dizendo: “Nãããooo, obrigado, agora não.” E assim o tempo é na verdade esta constante recusa ao convite de Deus. &lt;i style=""&gt;Isso&lt;/i&gt; é o tempo, não é mais 50 d.c. do que é 2008. Há somente este único instante, e é tudo em que estamos. Esta é a narrativa de nossa vida; na verdade, é a narrativa da vida de todos nós. Por trás da sucessão dos fenômenos do mundo, dos objetos e suas transformações através do tempo, só existe uma história, e é a história de si mesmo movendo do “não” para o “sim”. Toda a vida é um “não obrigado, não obrigado, não obrigado.” E então, finalmente, é “sim eu desisto, sim eu aceito, sim eu permito”. Esta é a nossa jornada, e no final todo mundo diz “sim”, não é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;- Adaptado do filme Waking Life.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5139192867526077376?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5139192867526077376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5139192867526077376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5139192867526077376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5139192867526077376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/06/sobre-o-tempo.html' title='Sobre o tempo'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-837568172963084190</id><published>2008-05-27T20:58:00.003-03:00</published><updated>2008-05-27T21:00:41.118-03:00</updated><title type='text'>Waking Life (pout-pourri)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existem dois tipos de sofredores: aqueles que sofrem da falta de vida, e os que sofrem da abundância excessiva da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre me posicionei na segunda categoria. Quando se pensa nisso, quase todo comportamento e atividade humana são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal. As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo,&lt;br /&gt;ao nível do super-chimpanzé. Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano. O reino do verdadeiro espírito livre, o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado. Por que tão poucos? Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é: qual é a característica humana mais universal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo...&lt;br /&gt;...ou a preguiça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto esta é a minha janela para o mundo. A cada minuto, um novo espetáculo. Posso não compreendê-lo ou concordar com ele, mas eu o aceito e acompanho a maré. Siga com a corrente. O mar jamais rejeita um rio. A idéia é manter-se em um constante estado de partida, mesmo ao chegar: economiza-se em apresentações e em despedidas. A viagem não requer explicações, apenas passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que entram vocês. É como se chegássemos ao planeta com uma caixa de lápis de cera. Pode-se ganhar a caixa de 8, ou a de 16... Mas o segredo mesmo é o que você faz com eles e as cores que lhe foram dadas. E não se preocupe em colorir somente&lt;br /&gt;dentro das linhas. Pinte por fora das linhas, pinte por fora da página! Não queira se limitar! Nos movemos com o oceano. Não estamos ancorados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ainda não conheceu a si mesmo. Mas a vantagem de conhecer os outros, enquanto isso, é que um deles pode lhe apresentar a si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-837568172963084190?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/837568172963084190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=837568172963084190&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/837568172963084190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/837568172963084190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/05/waking-life-pout-pourri.html' title='Waking Life (pout-pourri)'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-6069179807394565896</id><published>2008-01-10T16:53:00.001-02:00</published><updated>2008-01-10T16:55:18.455-02:00</updated><title type='text'>Dica de site</title><content type='html'>Caros amigos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando rapidamente para indicar um blog muito bom. Só vendo pra ver (hehe). Enjoy!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.saindodamatrix.com.br/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ecletismo de pensamento (crítico) nunca é demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-6069179807394565896?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/6069179807394565896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=6069179807394565896&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6069179807394565896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/6069179807394565896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2008/01/dica-de-site.html' title='Dica de site'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5433002888983840535</id><published>2007-10-12T12:56:00.000-03:00</published><updated>2007-10-12T12:58:11.100-03:00</updated><title type='text'>Para quem possa se interessar</title><content type='html'>Olá! Procurando por posts novos? É, eu sei, andamos todos muito ocupados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que tal, enquanto não bolamos algo, dar uma olhada em posts antigos? Tem algumas coisas muito boas lá atrás. Navegue no menu à esquerda, take your time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, fermentamos novas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5433002888983840535?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5433002888983840535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5433002888983840535&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5433002888983840535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5433002888983840535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/10/para-quem-possa-se-interessar.html' title='Para quem possa se interessar'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-7534539512285190677</id><published>2007-09-23T13:31:00.000-03:00</published><updated>2007-09-23T13:32:47.074-03:00</updated><title type='text'>O que se há para ver...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Algumas vezes, a gente sabe das coisas. Ou acredita que sabe. A gente tem a impressão, muito certa – e muito perigosa também –, de que está tudo no seu lugar, e o mundo está em paz.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Outras vezes, é tudo tão confuso, tão diferente do que era a algumas horas atrás, que só podemos nos dar ao luxo da dúvida, e olhe lá – porque a dúvida sem consciência é desespero.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;O que muda? As coisas, o mundo ao redor; que de repente do aberrante colorido – ou da paleta cuidadosamente dosada – passa ao cinza monótono, ao negro, ou ao pálido sem razão?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;As coisas não mudam, são o que elas são – coisas. Não há mal ou bem nos objetos concretos, nas situações frutos de miríades de pequenos movimentos, pequenos lugares, que se juntam para formar o cenário que vemos – ou não vemos. Não há o certo ou errado nos encontros, mesmo com aquela pessoa que virá a ser nossa alma gêmea, mãe dos nossos filhos – ou será flagelo, sofrimento em dias vindouros que nunca sabemos quando chega.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Se é assim, onde estão os valores das coisas, a beleza do mundo – ou da amada – senão nos olhos de quem vê? Lembro-me de Cecília Meireles, que dizia da arte de saber ver o mundo com olhos melhores. Por isso acho que o grande segredo dos grandes homens – com minúsculas mesmo, sem qualquer pretensão, já que muito deles passaram despercebidos por nós – sempre foi ver o mundo, não necessariamente com olhos bondosos, mas com olhos apaixonados. Não é toda hora, não é sempre: às vezes é preciso descansar (?) os olhos na crueza terrível do mundo. Mas de qualquer forma, entender o mundo deve – sempre – significar vê-lo por dentro, vê-lo de alma aberta, atento aos sons, cores e tudo o que ele oferece. O problema da forma e do conteúdo pode ser, nos meandros filosóficos, várias, mas no sujeito que vive, e ri e chora no mundo do qual não pode pular fora – sair de cena – é o problema da alegria e da felicidade: em suma, pelo quê vale a pena viver. E qual o sentido da vida, senão criar – sempre é da criação de que se trata – os sentidos muito particulares, muito humanos, tão pouco totalitários, da vida – a partir do rascunho?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Por isso acho que a gente é corajoso mesmo quando aceita o fardo de um sentido sempre incompleto. Saber que ele muda, saber que sabemos de tão pouco e ainda assim consideramos a alegria do pouco saber – e do tanto que ainda existe para buscar, ou experimentar. A covardia reside no totalitário, nas idéias e sentidos totais, submissão principalmente de coisas que não somos nós, submissão tanta vezes aos outros.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Por isso a coisa da música bonita. Por isso a coisa das cores pra serem vistas, da boca a ser beijada, dos risos a serem trocados com os amigos ou da pouca certeza de se saber único, não calculável, onde sua verdade não vale mais ou menos que a verdade alheia exatamente porque você, você não se pesa: a distância que nos separa dos outros é gigante, absurda porque imensurável. Por isso acho que quando a gente sofre, quando tudo é confusão, a gente vacila nesse intermédio, quando o outro se torna um parâmetro perigoso para quem somos, além – falsa felicidade! – ou aquém – sofrimento – do que o outro é, ou tem, ou pode ter.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Enquanto isso, adivinhamos meio incertos o que fazemos, quem somos para nós mesmos – ah, a surpresa! – e quem somos para os outros. E, nesse percurso, tentamos não nos perder, ou nos perdemos para sermos outro, aí sim, mais e melhor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-7534539512285190677?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/7534539512285190677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=7534539512285190677&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7534539512285190677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/7534539512285190677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/09/o-que-se-h-para-ver.html' title='O que se há para ver...'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2047352597213009778</id><published>2007-09-15T19:14:00.000-03:00</published><updated>2007-09-15T19:34:52.537-03:00</updated><title type='text'>Sobre o amor...</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.alvaro.net/fotos/g00034.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.alvaro.net/fotos/g00034.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000066;"&gt;Caro amigo Keitaro, o que tenho hoje a dizer sobre o amor não é, certamente, nada de novo, mas é algo que me foi penoso reconhecer. Se em muitos momentos demonstrei grandes esperanças na eterna sublimidade do amor, confesso hoje, humildemente, que não consegui manter esse meu ideal – essa tão alta virtude que é amar –, não consegui mantê-lo longe das influências desnorteantes desse meu corpo, dessa minha carne. O amor, Keitaro, é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo, segunda feira ninguém sabe o que será.... (C. Drummond). Inútil querer mantê-lo aí, nessa perfeição que você tem na sua alma. Cedo, cedo ele tratará de jogá-lo na lama, para que você sinta um pouquinho o gosto disso aí que é a dor. “Quem disse que o amor pode acabar?”(Catedral). Eu digo, meu amigo. O amor acaba, e fica no seu peito só essa imensa vontade de, mesmo assim, fazer o bem. Correria chorando para dar-lhe essa notícia, meu amigo, se não me consolasse essa sua vontade de fazer o bem: amar os que te aborrecem...(mesmo isso não sendo totalmente isento de suspeitas). Desconfio que mesmo essa história de desprezar os pequenos sofrimentos seja, no fundo, uma fuga. É por demais pesaroso que eles - os pequenos sofrimentos - existam do nada, e que sejam, enfim, a principal pedra de tropeço para que todos cheguemos nisso que é o bem maior. Ah, Keitaro, como posso clamar pelo mundo que é grande e vazio (Fábio Bispo), se tenho esse espinho na carne e que dói como a peste? Pois é isso mesmo que é o homem, esse bicho-do-mato. E como é difícil manter essa, mínima que seja, sensação de segurança. Conheço diversas mulheres, Keitaro, como você também conhece, que teria muito bem o potencial de compreender o que digo. Elas me oferecem tudo, mas sou sempre esse cara insatisfeito que no fundo queria era outra coisa: se me dão amor, quero sexo. Se sexo, amor. Se me dão tudo, não era isso. Se me dão isso... ah, tô sem vontade... Porque todos não podemos ter uma amizade simples e constante, dessas que exaltam as virtudes e que aceita um sorvete de vez em quando, e um beijo no rosto, e sobrevive...? Mas não, o amor é cruel, Keitaro, e quer sangue: A paixão quer sangue e corações arruinados E saudade é só mágoa por ter sido Feito tanto estrago E essa escravidão e essa dor não quero mais... (Legião Urbana) Que nada, meu amigo! No fundo é essa dor e escravidão que buscamos: é só hoje, e isso passa, Eu nem sei porque me sinto assim, tem de repente um anjo triste perto de mim... (L. Urbana). Acostuma-te à lama que te espera...(A. dos Anjos). Faça dessa dor aguda e sólida sua doce e constante companheira... Se ao menos esta dor servisse Se ela batesse nas paredes abrisse portas falasse se ela cantasse e despenteasse os cabelos Se ao menos essa dor se visse se ela saltasse fora da garganta (como um grito) caísse da janela fizesse barulho morresse. se a dor fosse um pedaço de pão duro que a gente pudesse engolir com força depois cuspir a saliva fora sujar as ruas os carros o espaço o outro esse outro escuro que passa indiferente e que não sofre tem o direito de não sofrer. Se a dor fosse só a carne do dedo que se esfrega na parede de pedra para doer doer visível. doer penalizante Doer com lágrimas se ao menos essa dor sangrasse (Manuel Bandeira)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#000066;"&gt;È, meu amigo, também fico impressionado: como os poetas são, às vezes, tão exatos. E nessas coisas que são tão fugidias! Mas não quero ser julgado por isso. Não é uma decepção amorosa que me leva a olhar o amor com outros olhos. Talvez um amor que deu muito certo tenha ajudado. Mas deu tão certo que não suportei. Por isso digo que não podemos cometer mais esse pecado de menosprezar nossas infantilidades, porque, afinal de contas, são nossas, muito nossas. Talvez o que existe de mais nosso nesse mundo: esse nosso tesouro escondido. Enfim, caro amigo a quem muito prezo e admiro, aceite que o amor tem dessas coisas e encare a realidade como ela se apresenta. Não usemos mais nossa ânsia pelo bem para cobrir os pequenos males do percurso. Enfrentemos, pois, esse mundo tenebroso. Quem sabe ainda possamos lançar-lhe alguma luz? Temos como aliada essa nossa vontade do bem, que já não é grande coisa perante nossos próprios pequenos dilemas, quem dirá perante os grandes sofrimentos do mundo! Mas vamos lá, temos ainda muito o que fazer. Não olhe pra traz, o mundo começa agora. Apenas começamos... (Legião Urbana).&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Siloé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Pintura: Caravaggio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;____________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Post referente ao Meme: &lt;strong&gt;Movimento entre Blogs - Vale a Pena Ler de Novo.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Texto Original &lt;a href="http://cartasvivas.blogspot.com/2004/10/sobre-o-amor.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1- Qualquer blog convocado pode participar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;2- O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou(sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!),e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;3- Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;4- Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;5- Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Idealização:&lt;/strong&gt; A ótica de um míope.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Indicação:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://semblantedoespirito.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Frente e versos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Convocações:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.pequenascoisas.org/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Pequenas Coisas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.mundofreudiano.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Mundo Freudiano&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://devaneioduplo.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Devaneio Duplo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Pendente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Pendente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2047352597213009778?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2047352597213009778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2047352597213009778&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2047352597213009778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2047352597213009778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/09/sobre-o-amor.html' title='Sobre o amor...'/><author><name>Lais Mouriê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05386562836067113131</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_EyJAgQB3nB0/S9D51zJp2JI/AAAAAAAAAl4/xx5PtBQSHKw/S220/1lala.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-4334247250080947530</id><published>2007-09-09T19:24:00.000-03:00</published><updated>2007-09-09T19:30:54.595-03:00</updated><title type='text'>Queria te ver sempre</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para Vinícius - &lt;/span&gt;porque só eu e ele sabemos desta história, e eu entendo o que ele já passou com suas musas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, meu bem, com cuidado. Vamos devagar porque amor é coisa muito frágil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não temos outra escolha. Como se isso dependesse de nós, não é mesmo? É que não depende, sabe?... É tudo muito misterioso, é tudo meio divino. Eu não sei o que em mim ama. Eu não sei o que em ti adoro.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas é assim. Desse jeito, sem jeito. Acho que devíamos nos ver menos, será que isso seria melhor?... Será que saudade é coisa vital para o amor, importante, burocrática? Meu amor pede sua saudade. Meu desejo é tão seu, mas tão seu, que quando não consigo me ver nos seus olhos, dói imensidades. E isso acontece tão sempre, meu amor... Mas então eu te perdôo bem rápido, e invento mil desculpas para justificar e amo você ainda mais.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas a verdade, tudo isso que eu escrevo agora, é porque eu quero te ver sempre.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Porque quando eu te vejo, você nunca parece andar como a gente anda. Talvez um ou dois centímetros acima do chão, sempre com esse ar de que nunca deveria ser tocada. E quando você diz assim, “eu amo você tanto”, desse jeito mesmo, o tempo pára por 245 milisegundos, eu fico infinitamente feliz, e depois eu acho tudo uma mentira só e recomeço.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;E quando você me disse que tem dias que me ama mais, tem dias que me ama menos, eu me agarro como um náufrago nos dias de mais amor, e ouço música bonita nas vezes em que você me ama menos. Às vezes, só de vez em quando, meu amor, eu não agüento, e aí fico tão triste que, pra compensar, eu te amo ainda mais.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;É que eu sempre acho suas imperfeições as coisas mais perfeitas do mundo. E você não precisa andar nua pelo meu país, porque você fica com vergonha do seu corpo, e eu fico achando que você fica ainda mas linda assim e só meneio a cabeça, sorrindo pra você.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;É assim, o amor é coisa tão grave assim? Não parece não, porque se você faz alguma coisa errada, eu logo perdôo, como quando criança faz coisa errada porque ainda não sabe o que faz. E quando você me magoa, tão devagarinho mas que machuca um tantão assim, eu esqueço porque acho que você é um pouco criança...&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Aí é por isso que eu quero te ver sempre. Como se, de repente, você pudesse sumir, porque você é tão linda que machuca. Isso é senso comum, eu sei, poesia barata. Mas é que o amor, meu amor, o amor é tão clichê...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-4334247250080947530?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/4334247250080947530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=4334247250080947530&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4334247250080947530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/4334247250080947530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/09/queria-te-ver-sempre.html' title='Queria te ver sempre'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-1825440268575043982</id><published>2007-08-17T22:25:00.000-03:00</published><updated>2007-08-17T22:26:29.187-03:00</updated><title type='text'>Pega tuas armas...</title><content type='html'>Pega tuas armas, peregrino. Capa e gibão, corpo e alma. Levanta-te, pois é tempo. Semeastes o melhor de ti. Deixa que a colheita agora seja repartida e desfrutada – teu tempo passou, e agora existe apenas a vida nua. Amor? Sim, já beijastes a amante de outrora, teus lábios agora são para vossas palavras – ou o silêncio, o que te convém melhor. Deixa para trás só pegadas, porque em verdade não deixastes nada além da fôrma de teu corpo – ainda que agora ele te afigure tão leve: sim, pois teu tesouro não pesa uma pena. Assemelhas agora àqueles que um dia foram seus guias: agora já não há mais mestres. Sim, é tempo de descansar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Contempla, mas apenas por alguns instantes – para que não pese tua alma de tristeza pelos que ainda não São. Olha, e vê que são todos Filhos – e vós, sois todo Pai. E filho, e neto, e pai, e irmão, e irmã: já fizestes estes papéis, mas agora sentes apenas... solitário. E em tua solidão, teu Coração cresceu: e decerto agora ele abarca tantos à tua volta, mas suas batidas não são mais deste mundo.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Entre a vida e a morte, apenas um véu; apenas um véu separa os dois mundos.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Caminha em silêncio: e escuta, no espaço que existe entre o que cada um de teus ouvidos ouve, a Voz do Silêncio. E ela te cantará tão forte, e alto, e maravilhoso, que tu saberás do Fim. E só então, serás eterno.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Caminha, então.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-1825440268575043982?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/1825440268575043982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=1825440268575043982&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1825440268575043982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1825440268575043982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/08/pega-tuas-armas.html' title='Pega tuas armas...'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5681252394761414233</id><published>2007-08-11T00:08:00.000-03:00</published><updated>2007-08-11T00:10:51.296-03:00</updated><title type='text'>Cuba Libre</title><content type='html'>Três pedras de gelo e dois dedos d´agua. Fora o que sobrara daquela noite, no copo lagoinha feito para tomar cerveja em buteco barato, mas que ela insistia em beber sua demodê cuba libre. Ela também era fora de moda. Usada. Seu amor era fora de moda. Usado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amor sobrara uma desculpa incipiente e um enjôo provocado pelo soco no estômago. Sobrara também a idéia de um romance extraído de uma tragédia. Bonito, por um lado. Indigesto, pelo outro. Exagerado, por todos os lados. "E de tudo fica um pouco", já dizia Drummond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não sobrara juízo. Fizera de seu carro uma maneira de sair do chão. 150 km/h. O carro ainda no chão. Ela não. Acostumara-se a correr com seu carro quando queria esquecer-se da terra, talvez porque seu pé perdia a sensação de contato com o acelerador. Sempre precisara do vermelho do sinal para lembrar-se do sangue de viver. Só assim seus pés retomavam o contato com os pedais. Freio. Juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu quarto a aquecia nesses momentos desideratos. Voltar atrás não desejava. Quiçá desejara voltar à frente, onde sempre parecia estar. Mas não sabia disso. O futuro era impreciso e poucos mantinham a lembrança de sua presença. Naquele momento sentia-se presente no passado. Adeus. Palavra passada. Estava passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocara de leve seu próprio corpo para auscultar sua alma com seus dedos. A alma falara pouco naquela noite. Seus dedos escutaram muito: "A alma é leve, menina. Tão leve que as palavras que nela entraram transformaram-se em eflúvios impossíveis de decifrar. A alma é sábia, menina. Tão sábia que os borrões de tintas lacrimosas saídos de seus olhos serão usados para colorir os lindos sonhos que irás sonhar esta noite. Durma, menina. O dia já vem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lais Mouriê&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5681252394761414233?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5681252394761414233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5681252394761414233&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5681252394761414233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5681252394761414233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/08/cuba-libre.html' title='Cuba Libre'/><author><name>Lais Mouriê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05386562836067113131</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_EyJAgQB3nB0/S9D51zJp2JI/AAAAAAAAAl4/xx5PtBQSHKw/S220/1lala.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-260713768204160745</id><published>2007-08-09T19:58:00.000-03:00</published><updated>2007-08-09T20:02:48.746-03:00</updated><title type='text'>Sinfonia das coisas ocultas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;A vida tem um ritmo. Todas as coisas têm um ritmo. Oras, no momento estou ouvindo &lt;i style=""&gt;Fanfare for the Common Man&lt;/i&gt;, do Copland. Belos metais. Muito gostoso de ouvir, metais em uníssono. Em terças. Em quintas. Notas diferentes, mas som harmônico.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Sei que no momento deveria estar fazendo outra coisa, e penso que uma pessoa muito querida poderia ralhar comigo agora, e teria razão. Lembro dela comentando: “com tudo isso pra fazer, você escrevendo?”&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Tudo bem, recado dado, mas não poderia deixar de comentar algumas coisas. E no caso, sobre o ritmo oculto das coisas: que som é esse que a gente não pode ouvir, mas que está nas entrelinhas de tudo o que acontece?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Talvez se a gente soubesse seguir as linhas bem traçadas desta harmonia oculta, fosse tudo mais fácil. E algumas coisas não seriam tão trabalhosas. Agora é Beethoven. Sinfonia no. 7, &lt;i style=""&gt;poro sustenuto&lt;/i&gt;. Como sempre, heróica! Beethoven é muito vibrante, não dá para deixar de perceber. Se ele é rápido, cheio, forte, não custa nada para ele voltar a alguma coisa mais leve, adágio, e depois de volta. E rápido, forte, e depois lento, nostálgico, depois rápido de novo. Será que ele soube ouvir esse ritmo de que falei? Porque ele ouvia bem a música, mas esse ritmo das coisas, da vida mesmo, é mais difícil. Bom, talvez ele ouvisse porque era um gênio.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Mas pensa bem, e se o melhor fosse o oboé, não isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Sei não. Quer saber? Vou tentando, até descobrir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;É, acho que o Beethoven sabia. Mas isso não o impediu de sofrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Maldita garganta incomodando...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-260713768204160745?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/260713768204160745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=260713768204160745&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/260713768204160745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/260713768204160745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/08/sinfonia-das-coisas-ocultas.html' title='Sinfonia das coisas ocultas'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-1850436933333380369</id><published>2007-08-07T21:24:00.000-03:00</published><updated>2007-08-07T21:25:51.335-03:00</updated><title type='text'>Das plenitudes</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quero aquilo que não cabe em mim,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para ser pleno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quero a palavra plena,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para calar este corpo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Feito agora porto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quero o outro, posto&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E dele fazer minha própria cena,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Erma e compartilhada pena.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Da palavra viva,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Arranco-lhe o som.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;Mas sua materialidade&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;persiste em eco.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-1850436933333380369?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/1850436933333380369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=1850436933333380369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1850436933333380369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/1850436933333380369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/08/das-plenitudes.html' title='Das plenitudes'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5463052736142189412</id><published>2007-08-05T21:34:00.000-03:00</published><updated>2007-08-05T21:35:53.026-03:00</updated><title type='text'>Era uma vez... um mito sobre o mito</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Houve uma época, há muito tempo atrás, em que a humanidade era feliz. Ninguém conhecia a dor, a fome, a doença ou a morte. Havia apenas a alegria e a eternidade para vivê-la. E era assim porque a humanidade era governada pela Verdade que, em sua imensa sabedoria, tudo provia e nada faltava. Sua cidade era bela e majestosa, tão magnífica que todos ainda se encantavam com sua beleza, mesmo vivendo nela desde tempos já esquecidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, no deserto ao redor do reino da Verdade existia a Mentira, sua irmã, invejosa dos belos frutos nascidos do reinado da sábia rainha. A Mentira vivia sempre suja e só, vestida com roupas rotas e podres, enquanto blasfemava sua má sorte e nutria um grande ódio da irmã.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas um dia a Mentira planejou usurpar o trono da Verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Deixou sua roupa no deserto – pois ninguém a receberia naqueles trajes tão repugnantes – e disfarçou-se de mendiga (a Mentira é muito boa para enganar os outros). Ao chegar aos portões do reino da Verdade, tal foi o espanto dos guardas – pois nunca haviam visto antes uma pessoa miserável como aquela – que eles chamaram sua rainha para receber tão estranha visitante. A Verdade, sem saber da real natureza da mendiga, acolheu-a em seus aposentos e perguntou-lhe sobre sua vida e sua terra natal. A Mentira, muito astuta, pôs-se então a lamentar copiosamente de sua sina e, agarrando-se às vestes da Verdade, implorou-lhe que a ajudasse. A Verdade, sempre muito solícita, disse que atenderia qualquer pedido que a mendiga lhe fizesse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A Mentira então elogiou o belo manto que cobria a Verdade – pois a Verdade era bela e luminosa demais para ser vista nua. E pediu, ardilmente, para vestir por alguns instantes o manto da Verdade, para provar um pouco da esplêndida radiância da rainha. A Verdade bondosamente atendeu seu pedido. Despiu-se de seu vestido, e neste momento a sala iluminou-se com o brilho de mil sóis. E então o entregou à maldosa Mentira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando tomou posse do manto da Verdade, a Mentira deu uma forte gargalhada, olhando para a Verdade com desdém. E sua gargalhada foi tão forte que os guardas acorreram aos aposentos da rainha, para saber o que se passava. Mas esta, envergonhada de sua nudez, e temendo pela sanidade de quem a visse nua (pois ver a Verdade em sua plena e reluzente forma era coisa insuportável) fugiu para o deserto, o antigo lar de sua irmã.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A Mentira então tomou o controle do reino, se passando pela Verdade. Em pouco tempo porém, a beleza toda se perdeu, a majestade se tornou fria e insípida e o céu, pela primeira vez, tornou-se cinza. A humanidade então conheceu a dor, a fome, a doença e a morte. A Verdade, por sua vez, vagando pelo deserto, encontrou as roupas velhas da Mentira. Sem escolha, as vestiu com humildade. Mas ao retornar para o seu reino, não foi reconhecida, e foi prontamente expulsa da cidade, outrora sua casa. E muito triste, exilou-se para sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E então é assim até hoje: os homens são governados pela Mentira, que se apresenta vestida com o deslumbrante manto da Verdade, enquanto a compassiva Verdade mendiga pela periferia da cidade, escondendo sua refulgente beleza com as vestes da Mentira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E foi assim que surgiu o mito.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5463052736142189412?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5463052736142189412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5463052736142189412&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5463052736142189412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5463052736142189412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/08/era-uma-vez-um-mito-sobre-o-mito.html' title='Era uma vez... um mito sobre o mito'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-2712408601990358075</id><published>2007-07-21T08:28:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T08:35:12.242-03:00</updated><title type='text'>A  Rubem Alves</title><content type='html'>Desde o tempo em que do barro, o ar, o vazio se ergueu.&lt;br /&gt;Um vazio prenhe de vida. O homem.&lt;br /&gt;Esqueleto, barro, minerais, sais minerais, água, lama, areia.&lt;br /&gt;Alma, sofrimento, alegria, filho. Paixão.&lt;br /&gt;Mulher, útero, olhos, boca, seio. Amor.&lt;br /&gt;Palavra viva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-2712408601990358075?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/2712408601990358075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=2712408601990358075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2712408601990358075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/2712408601990358075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/07/rubem-alves.html' title='A  Rubem Alves'/><author><name>jaider</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12156805820366009123</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-386066530202135616</id><published>2007-07-19T14:26:00.000-03:00</published><updated>2007-07-19T14:28:40.902-03:00</updated><title type='text'>Réquiem - parte final</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A paisagem cambiava – era impressão deles ou não se podia firmar os olhos em algum canto do caminho, alguma pedra, qualquer árvore, o céu escuro, a água pútrida do pântano, até mesmo o cheiro? Mas caminhavam. E quanto mais caminhavam, mais percebiam que o caminho seguia seus passos, suas respirações, seus pensamentos. Havia uma mística que os envolvia a cada marcha adiante, como se o pântano fosse uma ilusão, e alguma coisa estivesse prestes a acontecer, em cada curva, em cada canto. Mas o que era realmente assombroso – seguido por um sentimento misto de reverência quase divina e medo – era que, quanto mais adentravam o caminho marcado pelo pântano (e havia mesmo um caminho?) tudo se tornava assustadoramente familiar. De repente, numa clareira, pararam para tomar fôlego. Uma pedra convidava os caminhantes a se sentarem (havia uma pedra ali antes?).&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A jovem moça olhou ao redor. De repente, ouve um silêncio ainda mais profundo que a cessação de vozes, e a jovem meneou a cabeça. Era ali. Tinham chegado ao coração do caminho, e dali não poderiam voltar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mestre, – perguntou a jovem, não sem antes causar ao abade um rápido desconforto; era a primeira vez que ela o chamava de mestre – vejo que por aqui caminhamos tanto, e falamos tão pouco! Mas o que dizer? Existem palavras para esta angústia? Pode o saber fechar meu horror, existem nomes para o desejo? Quanto mais falo, mais me envergonho, é tua presença que me anima o espírito a dizer coisas que dantes nunca saberia existirem dentro de mim, são também teus gestos que me mostram as mudas respostas. Estou fraca, estou fora de foco. Mas ao mesmo tempo, e penso nisso sem mistério algum, não me lembro se algum dia houve um foco. Guia-me. Mostre-me as vicissitudes de meu pecado, os motivos de meu orgulho, minha cobiça, minha errância. Mostre-me onde o mundo começa, e onde meu ser termina, e sinto que só então meus pecados estarão perdoados.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O velho abade fitou-a com espanto. Havia uma força, dura como rocha, naquelas palavras, e que lhe roubava um naco de sua alma. Estava nu, aturdido pelo impacto das perguntas da jovem, e sabia, em seu íntimo, que eram também as suas: estava tomado de um leve, quase domesticado terror. Os pecados da jovem eram os seus. Todo seu íntimo convulsionava aflito, pois sabia que compartilhavam de um vínculo sobre-humano, de uma comunhão muda de espíritos marcados pela humanidade. E neste instante, no momento em que constatava tal coisa, foi atingido como que por um raio, e um clarão se fez em seus pensamentos.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Havia finalmente entendido.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Abriu um sorriso grande, branco, enquanto olhava para a jovem com uma ternura de pai. Levantou-se de súbito, mas com sobrenatural graça, caminhou pela clareira aberta do pântano, e pegou uma flor (havia uma flor ali antes?) que crescia ao lado de um tronco de árvore. Com a flor nas mãos, fitou novamente a jovem, que olhava para o velho com alguma angústia, e um pouco de confusão. O velho então caminhou em sua direção, e disse, quase como se entoasse um cântico:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Teu desejo, minha jovem, não tem tempo. É eterno além de ti, vem de incontáveis gerações de outros, que viveram, amaram e sofreram antes de ti. Teu desejo não tem lugar, pois não há morada para o desejo, é sem lugar o lugar da falta. Teu desejo agora rasga tua pele, teus ossos, tua carne: ele é teu desde que respiraste pela primeira vez no mundo; tu és de teu desejo desde que disseste sim! ao véu humano que encobre e adormece o mundo. Perguntaste sobre o sentido: ora, onde se fazem sentidos, senão em teu próprio íntimo, alimentando-se vorazmente deste teu desejo, como um castelo, pedra sobre pedra, ao redor do ar, do vento, dos cheiros que povoavam antes uma campina larga, demasiadamente larga além das vistas, que é este teu peito seu? E com graça, e com alegria, e com tristeza e pranto, coroaste teu castelo com eras, com folhas e flores, o castelo rígido, imóvel, que havia construído para suportares desejar, e que agora são teus olhos, bocas e ouvidos? Falastes em enganos, mas quando foi que, levado de roldão pela vida que pede teu nome, alguém não poderia errar? &lt;i style=""&gt;Teus pecados são teu castelo, mas teu ser não está no castelo: está no ar que respira e que corre entre suas paredes de pedra&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dito isto, aproximou-se da jovem, solene. Tomou a flor e ergueu diante de seus olhos, como coisa sagrada. A luz de algum céu tocou levemente a pedra, a moça, o abade, a flor. A jovem olhou para a flor. Neste momento, o abade tomou-a nas duas mãos, com cuidado, e num movimento súbito, determinado, esmagou a flor entre seus dedos calejados, rijos por tantos anos de cuidado, de vigília, de preces e dificuldades; mão de tantas dores humanas.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E neste momento a jovem tomou um susto. Seu corpo retesou da cabeça aos pés, rígido como pedra. Um suspiro de júbilo e surpresa escapou de uma boca pálida, e imediatamente seus olhos encheram-se d’água.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Havia também finalmente compreendido.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tomando a flor amassada em suas mãos, confidente, a moça suspirou novamente, agora um suspiro longo, e um ar de sacralidade preencheu o lugar, tomando corpo e forma nos dois andarilhos que se olhavam agora com profunda reverência. O tempo havia parado. O pântano não mais existia, nem o tronco da árvore, nem a pedra sobre a qual estavam sentados, nem a luz do sol que insistia em surgir por detrás das espessas árvores retorcidas. Não haviam mais árvores retorcidas, nem flor, nem jovem, nem abade.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Estou em todos os meus pecados – disse a jovem, de um lugar agora eterno – mas não sou em nenhum deles. Minha redenção é também a tua. Falavas de teu medo, mas onde pode haver medo, quando não há aquele que teme? Sois ilusão, na medida em que és criado no barro frio e cru dos pecados dos homens; assim, quem há para que haja medo? Quem sois vós, se não o aglutinado informe das palavras humanas, tão soltas e descabidas e cambiantes e insólitas da quimera humana? Ah, que loucuras tomaram conta de ti, agora que se sabes vivo, agora que te imaginas homem? Dizias de ameaça, pois lhe digo: não há ameaça maior para tua loucura que teu próprio desejo, e é dele que nasce o apego, a dor, a felicidade, a tristeza e toda a humanidade. Sim, a morte é leve como uma pluma. É a responsabilidade de viver que pesa como uma montanha.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um som indistinto de um gongo, longo, cheio e pesado, soou a distância, ou seria a balbúrdia de guizos, tambores, cordas e risos? O velho abade aproximou-se mais, num espaço infinito, reverente, e prosseguiu:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O mundo é feito das lascas de meu espírito, e é dele que forjo este sonho que agora sonho, talvez mais real que toda a realidade que até agora vivi. Se assim é, quando estou realmente vivo, quando sou realmente eu? Quando sonho meu espírito, ou quando me amorteço nas quimeras humanas que traçam as linhas da realidade? Pois digo com certeza agora, estou sonhando quando penso acordado, e vislumbro vida quando sonho coisas impossíveis. Teu desejo é meu desejo, teus pecados são meus pecados, meu medo é teu sonho e nosso caminho, meu despertar. Nosso despertar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E houve Um sorriso. E novamente não houve abade. E novamente não houve jovem. E eram Um abraço. E Um entendimento, e Um só desejo. Deste lugar, que tudo vê e tudo comporta, lançaram Um olho sobre o mundo, e viram tudo o que poderia ser visto: a dor, a tristeza, a ignorância e o desespero dos homens, imiscuído à alegria, à esperança radiante, ao amor e a comunhão dos homens, juntos como o sal e a água do mar. Além do véu que separava os mundos, entenderam. E deste entendimento, voltaram-se do mundo dos homens para si mesmos, e tornaram-se Dois. E assim, tornados Dois, primeiro viraram-se para dentro de si mesmos, e assombraram-se com coisas maravilhosas: todos os homens estavam dentro de seus peitos, como sementes, dormentes, e também como carvalhos rijos e poderosos. E olharam para um, e ali estava um velho de tarefas cumpridas, e olharam para outro, e ali estava uma jovem redimida de seus pecados. E ao redor, uma imensa floresta, gigantesca a se perder no horizonte, o sol rasgando imponente por copas de árvores sem idade, flores como um tapete multicor aos seus pés e, ao longe, um correr convidativo de águas.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sem dizer palavra alguma, deram-se as mãos e caminharam numa trilha invisível, rumo a lugar algum.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;****************&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A história que se seguiu, e seguiu por centenas de anos a fio, primeiro como verdade, depois como lenda, cresceu em floreios e novos detalhes. O que se pôde resgatar, de mais fiel e acurado com relação ao que realmente se passou, foi o que se segue.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um noviço, encarregado da limpeza do templo no dia seguinte, entrou junto com os primeiros raios do sol no templo. Estava ainda sonolento quando contemplou o silêncio que cercava o mosteiro, mas desta vez com excepcional sacralidade. Um leve odor de flores, um perfume que parecia encher as narinas e tocar a alma. Quando entrou no salão principal do templo, onde havia sido a cerimônia fúnebre da senhora de idade, encontrou o corpo de seu velho mestre, em firme posição de meditação, sereno, ao lado do corpo da velha senhora que jazia deitada no tablado do salão, envolto em flores. No rosto da velha, uma expressão transfigurada, quase juvenil, como se detentora de segredos sobre-humanos. No rosto de seu mestre, uma serenidade absoluta, um leve sorriso enigmático, como se houvesse deixado o mundo com alegria. E as mãos dos dois, juntas, encontradas, como se estivessem prontos para iniciar uma longa jornada em comum.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tomado por um súbito júbilo interior, como se uma chama fraca que ardesse em seu peito tivesse explodido com a intensidade de um vulcão, o jovem, absolutamente mudo e em profundo respeito, curvou-se em reverência aos andarilhos de além mundo, um réquiem mudo que se cumprira longe dos olhos dos homens.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-386066530202135616?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/386066530202135616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=386066530202135616&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/386066530202135616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/386066530202135616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/07/rquiem-parte-final.html' title='Réquiem - parte final'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-3505456397412191021</id><published>2007-07-18T22:07:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T08:28:18.007-03:00</updated><title type='text'>Ouro Preto</title><content type='html'>"Me apaixonei pela cidade,&lt;br /&gt;a cidade é exatamente como uma mulher,&lt;br /&gt;ou será que uma mulher é como uma cidade,&lt;br /&gt;onde a gente vai penetrando pelas ruas,&lt;br /&gt;descendo pelas escadas,&lt;br /&gt;subindo até beirar a lua,&lt;br /&gt;lá onde a eternidade aparece,&lt;br /&gt;Lá em Ouro Preto, cada janela uma cor,&lt;br /&gt;cada quarto mil mistérios, e há, também, um sótão.&lt;br /&gt;Onde o poeta criou o mundo, pois desceu Deus do céu,&lt;br /&gt;tudo pode ser diferente, assim foi dito, vociferato.&lt;br /&gt;Lá meu coração encotrou, no eclipse lunar, a metáfora da vida:&lt;br /&gt;O suspiro de saudade, o presente deliciante e o futuro que se anuncia."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-3505456397412191021?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/3505456397412191021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=3505456397412191021&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3505456397412191021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/3505456397412191021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/07/ouro-preto.html' title='Ouro Preto'/><author><name>jaider</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12156805820366009123</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-5593201553242785257</id><published>2007-07-18T18:28:00.000-03:00</published><updated>2007-07-18T21:45:40.078-03:00</updated><title type='text'>Do Outro Sexo...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;salvando o relacionamento &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;eu sei, meu bem,&lt;br /&gt;que seu sonho era comer&lt;br /&gt;uma sueca alta loura boa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finge, meu amor&lt;br /&gt;fecha o olho e finge&lt;br /&gt;o meu cabelo a gente tinge.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Ana Elisa Ribeiro)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Esse poema ficou ressoando na memória desde o último domingo, de uma visita a Ouro Preto. O motivo, para além do efeito cômico produzido pelo verso, devo guardar para minha analista. Para o que nos interessa aqui, entretanto, já que nos arriscamos a tratar de &lt;em&gt;sexo&lt;/em&gt;, creio que é possível fazê-lo produzir mais algumas ressonâncias.&lt;br /&gt;Não estacionemos simplesmente na ironia com o romantismo feminino. Esse lugarzinho de princesa adormecida, que espera longamente a perfeita entrada do infante, isso parece cair aqui um pouco por terra. Digamos, o lugar reservado para a bela dama, objeto do amor cortez do trovador, esse lugar já não é tão disputado. Contudo, é importante questionar, esse lugar está realmente vazio?&lt;br /&gt;Esse lugar, sempre tão feminino, reservado sempre à mulher - e que aqui nosso amigo Moïse tenta desconstruir - esse lugar do objeto perfeito, a Ana Elisa Ribeiro o demonstra em seu poeminha, esse lugar não deixou de provocar seus efeitos. Digamos que esse lugar agora é o lugar da &lt;em&gt;sueca alta loura boa&lt;/em&gt;. A Mulher, o Outro sexo, pois, não deixou de provocar seus efeitos, mesmo que todos afirmem com resignação que ela não existe. A mulher pervesa da poesia anuncia uma desistência de buscar ocupar esse lugar, e até um ridículo para quem sofre por isso. Moïse, por sua vez, desacredita na força do cavaleiro diante de alguma mulher que cismasse dar uma de Dama. Enfim, se essa Dama era antes a intocável, e hoje a que proporcionaria o maior prazer, não é isso que está em questão. A questão é que homens e mulheres se debatem, de formas diversas, perante a possibilidade do supremo objeto de amor. Seria possível dar conta de ocupar esse lugar, de &lt;em&gt;sueca alta loura boa&lt;/em&gt;? Perguntam as mulheres. Seria possível sustentar o falo em riste diante dela? Questiona, por outro lado, Moïse.&lt;br /&gt;O que dizer pois, da posição possível de se assumir diante dessa incógnita?&lt;br /&gt;Digamos que uma mulher poderia recitar o poema de Ana Elisa Ribeiro com uma entonação, outra poderia recitá-lo distintamente. E outra, ainda, por sua vez, poderia declamá-lo com todos os pulmões. Enfim, digamos que a primeira dissesse por puro desprezo:&lt;br /&gt;- Finge, meu amor, fecha o olho e finge. O meu cabelo a gente tinge...&lt;br /&gt;Se essa frase vem depois de um elogio enunciado ao pé de uma mesa de jantar, suavemente iluminada pela luz fraca de uma vela, poderíamos sentir nela o menosprezo da histérica pelo homem que mal sabe disfarçar sua impossibilidade de amá-la.&lt;br /&gt;Se, entretanto, uma mulher se arrisca a, assumindo a posição pós-moderna de sujeito feminino, cortejar um homem, recebendo uma resposta negativa, ela pode, esperançosa, rogar-lhe:&lt;br /&gt;- Finge, meu amor, fecha o olho e finge. O meu cabelo a gente tinge... (Esse, aliás, parece se aproximar mais do sentido explicitado pela autora, de uma mulher que busca entrar a qualquer custo na vida de um homem).&lt;br /&gt;Mas, nada impede que, em algum lugar da cidade, exista realmente uma mulher que represente para o homem - ao menos na fantasia da mulher - a &lt;em&gt;sueca alta loura boa&lt;/em&gt;. Aí, ciumenta, a frase sairá da boca da mulher por puro despeito:&lt;br /&gt;- Finge, meu bem, fecha o olho e finge. O meu cabelo a gente tinge...&lt;br /&gt;A autora ainda sugere que o verso possa soar no &lt;em&gt;melhor estilo perversa&lt;/em&gt;. Se, como isso, o que ela indica é a perversão tal como estamos acostumados em psicanálise, que goza com a divisão subjetiva do outro, que se autoriza a assumir, para o pobre homem, o lugar dessa Outra mulher que o fará brochar, ela poderá ter razão. Talvez com alguma variação:&lt;br /&gt;- Sente, meu amor, fecha o olho e sente. Se não sentir a gente mente...&lt;br /&gt;- Tenta, meu amor, fecha o olho e tenta. Se não conseguir a gente inventa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mete, meu amor, fecha o olho e mete. Que eu agüento setenta vezes sete...&lt;br /&gt;etc. etc. etc.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-5593201553242785257?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/5593201553242785257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=5593201553242785257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5593201553242785257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/5593201553242785257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/07/do-outro-sexo.html' title='Do Outro Sexo...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-8550253354672486300</id><published>2007-07-18T13:00:00.000-03:00</published><updated>2007-07-18T13:01:41.090-03:00</updated><title type='text'>O verdadeiro sexo frágil, ou: por uma "mineiridade" amorosa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Este é um segredo desconhecido para a maioria das mulheres; um segredo que os homens inclusive não gostariam que elas soubessem. Fato é que muitas vezes a insegurança das mulheres vêm – bom, em alguns casos, pelo menos – de um certo verniz de confiança, tão freqüentemente ostentado pelos homens, e que no final das contas é tão frágil que qualquer dificuldade, qualquer mulher decidida, livre e dona de si – mais Mulher, enfim – são motivos para todo tipo de medo e infantilidades masculinas. No final, as mulheres que se encaixam nessa categoria – nem é preciso constância, às vezes em fugazes momentos de auto-estima alta – acabam provando o desencontro amoroso com este sexo frágil que é o homem, e acabam confusas, quando não desiludidas, a se perguntar o que acontece com os homens hoje em dia. Dito de outra forma: situação onde os homens não conseguem ser... homens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;O que escapa ao senso comum aqui – tanto o senso comum feminino, que vê os homens confusos e se perguntam se o problema é com elas, quanto o senso comum masculino, que ainda acredita nesse peixe que vende – é que o homem é mais frágil e inseguro que a mulher. Muito mais, tanto quanto uma generalização ilustrativa me permite afirmar. Mas é claro, solto assim não adianta nada. Tentarei explicar o que noites e noites de cerveja, rodas de amigos e conversas fiadas conseguiram me clarear as idéias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Antes de mais nada, o peixe mais antigo que o homem já vendeu, provavelmente fruto dessa sociedade maluca e machista que colocou o homem no centro da ordem da casa: que o homem funciona no liga e desliga, &lt;i style=""&gt;on&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;off&lt;/i&gt;, e que qualquer excitação e ele está pronto, sempre infalível. Passamos a imagem de que é só a Camila Pitanga aparecer em nossa frente, totalmente nua, e já estamos animados e prontos para o sexo. “Guerra do Fogo”. Pois é, essa foi a imagem de anos e anos e anos de (suposta) dominação masculina, repetida ainda hoje às pencas pelas propagandas de cerveja com mulheres peitudas e gostosas. Veja bem, nada contra mulheres peitudas e gostosas – muito menos com cerveja – mas esse é um perigo crasso para o homem, uma armadilha que ele mesmo não percebe que arma contra si. Sabemos do desastre que é o homem que falha, que broxa: coisa a princípio absolutamente natural – que mulher está sempre excitada na hora do sexo? – mas que foi transformada em chacota, em pejorativos; o homem que é humano tornou-se tabu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Essa propaganda do homem com total desenvoltura sexual, que precisa suportar a mulher que tem dor de cabeça à noite para não transar: tudo isso, minhas caras, é uma grande furada, cômoda para os enormes egos masculinos, mas muito longe da verdade. Porque, no final das contas, muitas vezes o homem é tão dependente de excitação, carinhos e preliminares quanto as mulheres, e para que sua excitação esteja de acordo com os requisitos e exigências femininas, é necessário um certo preparo prévio – nem que seja alguma estabilidade mental. (Chico Buarque já broxou. E se ele já broxou, qualquer um está perdoadíssimo.) É claro que a generalização argumentativa minha aqui dispensa, e mesmo negligencia as diversas práticas perversas polimorfas tão comuns: estou excluindo aqui o cara de práticas sexuais heterodoxas, de gostos e preferências mais bizarras. Além desse reino da perversão – muito mais comum do que pensamos, ao menos como parasitário à normalidade sexual – tem, é claro, o homem-genérico-da-balada-que-quer-só-sexo. E já estou ouvindo as mulheres leitoras desse blog – se é que há alguma – protestando contra meu ponto de vista, invocando aquela balada onde se encontra o cara, rola um beijo, rola um amasso, rola vários vários vários amassos, e no final rola um motel e um sexo que, com desagradável freqüência – pelo menos me parece –, pode ser descrito como mediano – ou apressado demais, ou bruto demais, ou descuidado demais: podem desfilar os adjetivos (ainda que existam sexos bons depois de baladas, claro). Mas o que as mulheres podem estar negligenciando é que este é um ambiente preparado, seguro, onde o homem tem todas as coordenadas do que fazer: é uma perfeita muleta psíquica para um sujeito que talvez piraria fora desse ambiente familiar, onde as regras do jogo são claras e todos concordam que a intenção é beijo, amasso e sexo – mediano ou não – no final. E, dentro das leis do jogo, é claro que o homem não vai – não deve, isso é uma infração das regras! – deixar o telefone, ou mesmo ligar logo depois. No máximo um MSN ou Orkut. Louváveis exceções, esse é espírito do jogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pois bem, afora os casos mais particulares de uma fruição sexual perversa, e os casos onde as regras do jogo já são muito bem definidas para a segurança masculina – regras que às vezes as mulheres ativamente negligenciam –, fato é que, às voltas com o outro sexo, com a mulher, com o &lt;i style=""&gt;rapport&lt;/i&gt; sexual, entramos num reino bem mais sutil. Partimos do pressuposto de que o ser humano é o único animal que não sabe o que fazer com o sexual, que não vem com manual sobre como homem e mulher fazem Um – se é que fazem – ou mesmo Dois, mas um dois redondo. O desencontro amoroso é inevitável, o conflito é uma vicissitude que o homem jamais vai conseguir subordinar, conquistar ou mesmo conhecer plenamente. Estamos sós nesse ponto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;E se isso é fato para todos os seres humanos, quem mais vai sofrer as conseqüências dessa constatação? Ora, pelo menos até que as coisas mudem de verdade, e vamos além dessa mentirinha de direitos iguais de agora, é do homem a tarefa de portar o leme da relação, de fazer a coisa funcionar, de bancar o macho (pff, que macho?), se não sempre, ao menos nas entrelinhas constantes do relacionamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Alguns se dão bem com isso, sacam o funcionamento da máquina homem-mulher e vivem bem com as falhas mais ou menos constantes das engrenagens, mas outros – são estes, grande maioria, os homens de que falo aqui – estão completamente perdidos diante da mulher. E isso é, infelizmente (inevitável, talvez?), uma constante, mais comum do que gostaríamos, mesmo nos casos onde há um final feliz: existem finais felizes onde o vilão não existe, são os relacionamentos fáceis demais, bem casados demais, onde todos os elementos que poderiam abalar essa relação frágil e tornar visível o desencontro foram, milagrosamente ou fortuitamente, ausentes. Nesse caso, o homem tirou a sorte grande: sabemos quando isso acontece, e só podemos ficar felizes com a sorte destes poucos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas e quanto aos muitos, que não têm essa ventura e constantemente – provavelmente às custas de si mesmos, e por sua própria responsabilidade – se deparam com o absurdo do desencontro? Mais uma vez: somos mais inseguros do que gostaríamos de apresentar. A propaganda da excitação fácil é enganosa, e as mulheres fariam bem em saber disso. Alías, em alguma medida, já sabem: de sutiãs queimados em praça pública ao feminismo comum, houve um momento na história moderna onde as mulheres resolveram averiguar a veracidade desta história. O resultado, claro, foi catastrófico. Uma vez que as mulheres passaram a demonstrar certa desenvoltura no sexual (no relacionamento, na transa, no amor), o homem percebeu rapidamente – ou não percebeu, o que, pensando bem, é mais provável – que a coisa não é tão simples assim. Percebeu que bancar o lugar do homem quando a mulher assume o seu, de mulher, de amante, de quem goza e gosta, de quem escolhe coisas e têm pensamentos sutis demais para as coisas objetivas, é mais difícil do que achava. Daí, para o conflito explícito foi um pulo, para que as mulheres exclamassem que “os homens não estão mais dando conta de mulher de verdade”. Mas deram, algum dia? Elas apenas perceberam que a propaganda de anos, décadas, eram um cálculo errado. E agora, meus caros, a não ser que os homens mudem a sua perspectiva sobre o que é ser um homem – e sua pergunta análoga, mais perigosa, o que quer uma mulher? – acho que os homens irão continuar com medo. Na falta de uma solução mais otimista (uma mudança de consciência de toda uma classe, coisa difícil, assim como nem toda mulher hoje reivindica sua própria liberdade existencial), acredito em soluções particulares, especialmente nos momentos de acuo, de confusão: trata-se de tornar-se homem, para não necessariamente saber o que quer uma mulher, mas saber exatamente que o que ela quer ele não pode dar; mais, que o que ela quer é, em suma, impossível. Ninguém completa ninguém, muito menos garante 100% de felicidade e nenhum conflito. É disso que se trata, e outras pessoas já falaram disso melhor do que eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Portanto, o homem é tão inseguro quanto possível, e se a mulher se sente insegura junto de um homem, é por um semblante, uma aparência de fortaleza, que ela se trai, ou se torna menos do que realmente é. Nada que uma noite de muita cerveja – ou qualquer outra bebida alcoólica suficiente para amortecer todo um verniz social, às vezes nem tanto assim – e muitos homens, algumas outras mulheres, não ensine: um desfile de narcisismos, onde toda a insegurança quase natural do homem surge em casos, transas, situações de prazer e gozo, uma competição quase cômica sobre quem teve a melhor noite, a melhor mulher. Uma briga acirrada – mas sutil – sobre quem consegue mostrar mais poder e auto-confiança que, no final das contas (ou no final da noite), é quase uma enganação generalizada, para os outros – pouco efetiva, já que cada um está mais preocupado em garantir seu poder do que ratificar o do próximo – e para si mesmo, como se, ao fazer desfilar um narcisismo amedrontado, mostra-se a si mesmo como se é “foda”. Ao tentar mostrar-se mais do que se é, o homem é menos do que poderia ser. Um pouco de olho clínico, é verdade: enxergar nos casos amorosos vertiginosos, na noite de prazer inesquecível com alguma mulher difícil ou maravilhosa, toda uma insegurança daquele que não sabe se está mesmo fazendo o papel fálico que ele acredita ser o papel do homem; quase uma tentativa de confirmação do tipo “e então, é isso mesmo que é ser homem, não é?” Por isso eu acho que as mulheres podem se sentir inseguras por muita pouca coisa. Mas é claro que eu falo apenas do nosso lado. Não vou entrar no mérito da mulher que precisa desse lugar de poder masculino, e mesmo daquela que ama esse poder fálico por si só. Tampouco vou comentar da ingenuidade do brado feminino de que “não existem homens o suficiente para nós (que, no final das contas, significa ‘para mim’)”. Seria outra insegurança, defesa bem bolada, mas desta vez, perdoem-me as mulheres, do lado feminino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;E então, com que placar ficamos? Ou, dito de outra forma, o que afinal de contas é um homem que sabe o seu lugar, na medida do possível? A quantidade não é um fator que conta aqui – dada a variedade das mulheres que não se importam muito com sutilezas e fazem parte do jogo com prazer (e muito prazer) –; às vezes nem mesmo a qualidade: tudo isso, a princípio, ou por si só, não significa nada. Não é o número de noites inesquecíveis com a prima gostosa que o cara astutamente conquistou (se é que a história se passou realmente assim) que define um homem. Às vezes, também essa quase mítica segurança masculina não está na noite maravilhosa com a namorada e todas as posições do Kama Sutra, para suposta inveja dos colegas. Na verdade, não se trata de nenhum dos dois casos, e é preciso ir mais além: o homem que se sabe homem sustenta esta segurança que se garante por si só, e entende que é humano, que sua vida sexual não é medida, comparada, não é alvo de qualquer disputa, em quantidade ou qualidade. A segurança está no homem que sabe que seu sexo é tão singular que não se mede, é &lt;i style=""&gt;valor&lt;/i&gt;, não &lt;i style=""&gt;medida&lt;/i&gt;. Não se dá graus ao gozo, não se mede poder com uma ou várias noites de amor. Aliás, coisa bem obsessiva esta, tentar contar o sexo, tentar contar o amor. Não há sexual de mais, não há sexual de menos, há o homem que entende que seu sexo está na linha indizível entre ele e a mulher, numa relação tão contingente quanto seja possível, e que entende que esse prazer não é o mesmo prazer de outros bilhões de habitantes do mundo. É o &lt;i style=""&gt;seu&lt;/i&gt; sexual, e dele ele deve tirar todo o proveito possível; deve gozar dele longe da contabilidade obsessiva que precisa do outro para ratificar suas conquistas, seus relacionamentos, seu sexo e mesmo seu amor. O que o permite, sempre que se sabe manter nesse lugar – e que muito humanamente pode vacilar – aproveitar a cerveja, rir de algumas coisas ou outras, ciente de que sexo &lt;i style=""&gt;não se conta&lt;/i&gt;, &lt;i style=""&gt;sexo se faz&lt;/i&gt;. E ponto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-8550253354672486300?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/8550253354672486300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=8550253354672486300&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8550253354672486300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/8550253354672486300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2007/07/o-verdadeiro-sexo-frgil-ou-por-uma.html' title='O verdadeiro sexo frágil, ou: por uma &quot;mineiridade&quot; amorosa'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-114446744637780090</id><published>2006-04-08T00:35:00.000-03:00</published><updated>2006-04-08T00:37:26.390-03:00</updated><title type='text'>Réquiem, sexta parte</title><content type='html'>Sentaram-se e por um longo tempo se puseram a observar tudo o que se passara.&lt;br /&gt;- Admitir não saber... Deixa escapar a jovem.&lt;br /&gt;- Em que está a pensar, jovem menina? Indaga o abade curioso.&lt;br /&gt;- Em você, que nem sabe o que me disse. Você não sabe o que é não saber.&lt;br /&gt;- Você sabe?&lt;br /&gt;- Isso é um saber que não se possui, mas sabe-se dele.&lt;br /&gt;- Não estaria tudo meio confuso?&lt;br /&gt;- O senhor nem sabe do perigo pelo qual eu e o senhor passamos...&lt;br /&gt;- E esse não saber talvez tenha nos ajudado a não submergir. Se você se desapegasse desse medo talvez pudesse atravessar todos os pântanos sem riscos.&lt;br /&gt;- Como seria isso possível, se ainda nem pude desvendar todo esse medo. Aliás, isso é o que o senhor diz – medo –, eu mesma não estou tão certa de que essa é a palavra adequada.&lt;br /&gt;- Seria esse o seu pecado? Indaga o abade, num súbito de iluminação, impetuosamente, sem reflexão alguma do que pronunciava.&lt;br /&gt;- Penso que sim. Mas já não acredito que o pecado tenha sido o medo de todo o desejo. Talvez não tenha podido lidar com a invasão de uma coisa tão grande.&lt;br /&gt;- Eu senti isso como se fosse uma ameaça.&lt;br /&gt;- Ameaça? Do que o senhor está falando?&lt;br /&gt;- É sim, uma ameaça. Todo aquele, verde, toda aquela sensação sublime da natureza das coisas, tudo isso esconde muitas facetas. Será que uma devastação dessas do mundo pode invadir assim aquele outro lado, tão deslumbrante?&lt;br /&gt;- Quem sabe? Se não se tiver uma mão amiga que sirva de refúgio... E a jovem olhou para o abade com um sorriso nos olhos. Ela tentava descobrir qual teria sido o efeito de toda aquela experiência na gravidade santa do sacerdote. Ele haveria sido contaminado pelo pecado? Ou seria aquilo apenas um fogo purificador?&lt;br /&gt;- Não sei. Não sei. Conclui o abade. Levanta-se um tanto sóbrio, cede sua mão para que a jovem também se levante e continua. Temos que prosseguir, a jornada de volta é longa e não parece haver certeza alguma no caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUINTA-FEIRA, JANEIRO 25, 2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-114446744637780090?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/114446744637780090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=114446744637780090&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/114446744637780090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/114446744637780090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2006/04/rquiem-sexta-parte.html' title='Réquiem, sexta parte'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-114020340912159371</id><published>2006-02-17T17:09:00.000-02:00</published><updated>2006-02-17T17:10:09.133-02:00</updated><title type='text'>Sobre a escrita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começo? Sempre tem. E geralmente ele é embalado por música, ou motivado por qualquer sentimento intenso o suficiente para criar marcas. Às vezes também a escrita serve-se de pensamentos tão confusos que ela é um escape. De qualquer jeito, todo começo é lindo: repleto de possibilidades, feito apenas de potência. O resto raramente é arranjado. No máximo inferido, vagamente distribuido em algumas frases que parecem aquelas verdades de fundo de alma: por isso, o segredo é deixar a alma deitar raízes, destas bem fundas. E, depois, buscar na floresta de Palavras criadas pelo Verbo, o sujeito. Aqui começo minha teogonia: do sujeito então nasce o desejo – ou será, talvez, o contrário? É que o querer parece coisa tão mística, tão semente, que é só dele que todas as coisas poderiam ter sido criadas. Desejo sempre do impossível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E dele nasce o padecimento d'alma, da vida que nele se encerra, que tudo contém e tudo almeja – de um susto, sim!, existe a Morte. É esse o perigo que se encontra velado, tênuamente inferido, mas profundamente arraigado na busca fatal para quem se prontifica a buscar essências: e a Morte, ah, esta o sujeito finge esquecer, apenas para que ela não deixe de motivá-lo a buscá-la com um ardor místico apaixonado. Ao provar deste fruto proibido, o homem é secretamente marcado pela paixão. E, como disse, é dessa paixão que todas as coisas vieram. Do começo da escrita, o miolo é só mistérios, é esta vazão de prantos: meu miolo é uma incógnita. Fim? Tem não. Escrever é sem final, deixemos o final para aquilo de que se pode falar. Sim, porque literatura é falar do impossível. Tem jeito? É, tem mesmo não. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-114020340912159371?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/114020340912159371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=114020340912159371&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/114020340912159371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/114020340912159371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2006/02/sobre-escrita.html' title='Sobre a escrita'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-113827697087172651</id><published>2006-01-26T09:57:00.000-02:00</published><updated>2006-01-26T10:02:50.886-02:00</updated><title type='text'>Réquiem, quinta parte</title><content type='html'>Os caminhos todos se multiplicavam no horizonte. Juntos, a bela jovem e o abade continuavam a jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que vês? Pergunta o abade, com um criterioso cuidado, após refazer-se de toda aquela excitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não vejo, senhor, o que vejo. Apenas sinto que o ar se modifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sinto nada. Será por ser a primeira vez que respiro este ar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cada vez que o respiro é sempre a primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que esse lugar lhe traz à tona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus pecados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que pudesse compreender o rumo daquela questão, o abade foi surpreendido com um repentino enegrecer dos céus. Os caminhos todos foram ficando obscuros e a floresta, de tão densa, foi como que se desfazendo em uma só massa obscura às vistas do abade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não temas, minha filha! Corramos que logo essa fase da jornada haverá de passar. É assim quando estamos nos aprofundando em algum mistério. Conforta o abade, em tom paternal, recorrendo a toda habilidade que adquirira de desprender-se das fantasias que acometem as trevas do espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles correm. A jovem com alguma relutância no andar, auxiliado pelo abade que lhe segura as pequeninas mãos. Ele sente entre seus dedos um gélido suor fino, qual ele nunca pudera sentir – único sinal que agora tinha da presença da jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observam ao redor, aquelas árvores que antes lhe transmitiam tanta vida erguem-se medonhamente mortificadas. Secas, sem folhas sequer. O ar seco agride as entranhas dos dois andarilhos e o caminhar torna-se cada vez mais impossível. Sem forças, eles estacionam num vasto espaço totalmente escuro. Por um instante o abade deixa escapar a mão fria da jovem e ela se perde num tremendo desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde estás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguçando todos os sentidos, o abade estende sua mão numa direção de onde lhe parece vir algum calor. A jovem está friamente pálida e sente o chão mover-se sob seus pés. Ela vai afundando gradualmente e eles se vêem num extenso pântano. O odor pútrido da lama lhes invade as narinas, entorpece-lhes os sentidos. A dor lhes acometia por todos os poros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esforço imenso e algum milagre os caminhantes se libertam do pântano e de todo aquele lado negro da floresta. Já de fora, no cume dum outeiro, sentindo em cheio a fraca luz da manhã ofuscando-lhes as vistas, os dois contemplam o lugar de onde saíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado, senhor abade! Se não me acudisse eu teria submergido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu é que lhe sou grato, minha filha, por me teres conduzido por este lado obscuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que devastação terá acometido essa região? Sob os auspícios de que senhor se encontra esse lado estranho da Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TO BE CONTINUED...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-113827697087172651?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/113827697087172651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=113827697087172651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/113827697087172651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/113827697087172651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2006/01/rquiem-quinta-parte.html' title='Réquiem, quinta parte'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-113156710273250652</id><published>2005-11-09T18:00:00.000-02:00</published><updated>2005-11-09T19:19:29.923-02:00</updated><title type='text'>Réquiem – quarta parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;          O velho abade sentiu que aquele encontro era divino e inspirado. Reverenciou a jovem como se ela fosse a própria verdade das coisas. Sentiu-se, pois, imbuído de alguma missão, quer dizer, de iniciar uma jornada para além dos umbrais do Templo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          O abade fez o que nunca tinha feito desde que foi entregue como uma oferta suave ao Deus do Templo – saiu para conhecer o mundo em derredor. Ele sentiu que a contemplação era pouco. Ele precisava tocar nas árvores do pomar, subir nelas como em criança, sentir sob seus pés descalços de santo o estalar leve das folhas secas e dos gravetos que se estendiam pela estrada. Precisava sentir na pele a aspereza das árvores e inalar o odor vivo das folhas. O velho se entregava por inteiro aos sons que lhe chegavam de todos os lados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          A jovem acompanhava o abade estupefata. Desnorteava-se com cada expressão do rosto do velho que parecia sublimemente iluminado pelos espíritos da floresta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          - Que segredo é esse, abade, que o senhor traz em seu peito, que o deixa assim tão translúcido de deslumbramento?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          - Eu estou, minha jovem, graças a você, sentido a verdade das coisas. De tudo que eu contemplava. Antes eu senti firmemente o espírito desse lugar, mas hoje, é minha carne que está sendo traspassada pela matéria vivente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          E o coração do abade pulsava junto com os barulhos da floresta, e seus olhos eram arrastados por cada pequena insignificância da vida. Ah, e qual não foi seu maravilhamento no instante em que seus pés tocaram o riacho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          O abade sentia em si toda a clareza do mundo. Nunca tinha se sentido tão parente das coisas, das plantas, dos pássaros, do frescor dos rios, da verdura dos vales. Seu arrebatamento não lhe permitia notar a nuvem de aflição que pairava sobre os olhos negros da jovem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          Ambos continuavam incólumes aquele maravilhoso percurso campestre. Percorrendo rios e vales, florestas e mares, montanhas e pomares. Isso até o abade notar a sombra no rosto da jovem e fazer disso uma interrogação para si.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;          - O que estará afligindo tanto – e cada vez mais – essa bela jovem? O que ela terá descoberto, que não esse deslumbramento todo, que talvez esteja, ao invés, parecendo-se mais com os prenúncios de alguma devastação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          TO BE CONTINUED... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-113156710273250652?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/113156710273250652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=113156710273250652&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/113156710273250652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/113156710273250652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/11/rquiem-quarta-parte.html' title='Réquiem – quarta parte'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-113053541403923696</id><published>2005-10-28T19:30:00.000-02:00</published><updated>2005-10-28T19:40:06.126-02:00</updated><title type='text'>O amor, a prece e o Verbo</title><content type='html'>Eh, e o amor, é o que surge por não haver a relação sexual...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"entre o homem e a mulher, há o amor, que os separa..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu oro agora com vocês... sigo com toda oração, e súplica e ações de graça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A prece&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado, Deus, por essa árvore&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado por essa placa de metal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E por essas folhas secas pelo chão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado por esses papéis na calçada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E por esse lixo tão bem acomodado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No espaço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado, Deus, por essa via de mão dupla&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado por essas pedras&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nas quais me imagino ajoelhado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em reverência&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado também por essa pessoa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que me indaga sobre o horário do ônibus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado porque eu também não sei&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E fico assim, tão como ela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado por esse ônibus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que me leva e me balança&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nessa poltrona, meio dura, meio macia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado porque agora posso contemplar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Essa pequenina multidão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E essa menina de cabelos lisos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E com um belo sinal escuro na face&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E ficar maravilhado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigado, Deus, pela estrada que se abre,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amém&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo, acrescentaria: Obrigado por essa experiência tão minha. E por essa pessoa que lê comigo esse texto e exala, assim, tanto desse amor. Porque, no fundo, o que eu agradeço é esse cerne que se mostra para mim: o amor que sempre foi minha religião – a essência do evangelho. E eu agradeço piamente por essa oportunidade de despertar luzes adormecidas nessa minha, nessa sua e nessa vossa alma. Obrigado porque o que não existe tem o potencial de ser criado, de vir a ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus e todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens (...) Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome...&lt;/em&gt;" e assim, vai, essa carne se desfazendo novamente em verbo nas palavras da poesia, e representando Deus, esse nada ressoante no universo, no universo dos ouvidos singulares que vislumbram caminhos de vida. É isso que eu ouvi e repeti sentindo todo dia o grande impacto que é ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-113053541403923696?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/113053541403923696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=113053541403923696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/113053541403923696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/113053541403923696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/10/o-amor-prece-e-o-verbo.html' title='O amor, a prece e o Verbo'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112783466652501725</id><published>2005-09-27T12:23:00.000-03:00</published><updated>2005-09-27T12:24:26.536-03:00</updated><title type='text'>Réquiem - terceira parte</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Por um momento, o velho abade se sentiu cansado. Um enorme peso pareceu ter sido instalado em suas costas, mas a jovem à sua frente parecia leve. Pecados?...&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Mas o que você quer dizer com pecados, jovem senhorita? Não existem pecados neste mundo, a não ser nas ilusões que criamos sobre nós mesmos. Além disso, você não parece carregar o fardo que os pecadores carregam.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A jovem olhou fixamente para o velho.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Ah, mas meus pecados estão aqui. E eu preciso aliviá-los.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O velho procurou com o olhar um lugar para se sentar. Que angústia estranha era aquela que surgia devagar em seu espírito? Como uma nuvem pesada escurece um dia rapidamente, pressagiando mau agouros, o velho sentiu-se confuso. Sentou-se num tablado de madeira, e a jovem o seguiu.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Farei o meu melhor, jovem. Conte-me seus pecados, então.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um pequeno momento de silêncio se passou. A jovem parecia refletir. Por fim, olhou para o abade.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Eu fui orgulhosa. Fiz coisas que não devia, e agora eu sofro por isto.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O abade piscou. Teve a impressão de que a serenidade da moça esvaía-se, enquanto sentia uma pontada de dor em sua fala. Calou-se, entretanto, para que ela pudesse falar.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Vou lhe dizer o que penso sobre o desejo, meu senhor. Eu vivi cada minuto de suas exigências. E, ainda que eu não me arrependa, o sofrimento deles me assombra.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Como assim? – o velho ficava interessado.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Estou questionando a minha vida, senhor... – a jovem parecia trazer uma grande carga de memórias, lembranças, sonhos e esperanças (algumas perdidas) em sua fala. Baixou os olhos – e procurando um sentido para algumas coisas. E meu desejo, meu desejo está me matando. Eu sei tão pouco de mim mesma... O suficiente para me sufocar em tantos enganos...&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Enganos?...&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A jovem olhou para o velho. Ele estava ouvindo.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Sim, enganos. Eu me enganei sobre muitas coisas. Sobre coisas, pessoas, mas principalmente, sobre mim mesmo.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- E isso vem do seu desejo; pelas coisas, pessoas... e por você mesmo.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A jovem pareceu levemente confusa por um instante.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Você entende o que eu quero dizer?&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A pergunta pegou o abade de surpresa. Por um momento, pensou em si mesmo. Em sua chegada ao templo com apenas seis anos. Sua dificuldade em esquecer sua mãe, que o entregara ao abade daquela época porque não tinha dinheiro para cuidar do filho. Ah, e ele ainda lembrava!... Anos de convivência com seus colegas de monastério, a vida solitária em meditação. O desejo. Lembrou-se de tantas lutas, apoiada pelo Iluminado, que o ensinou a superá-los. Apaziguar a mente e deixar os pensamentos surgirem, sem identificar-se com eles, até que finalmente, tudo cessasse. A jovem não esperou sua resposta.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Eu não sei, meu senhor, nada sobre sentido. Esse sentido para as coisas, para o desejo; tudo isso me escapa... Eu não sei...&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- É um bom começo. – sorriu o velho. A moça olhou para ele, confusa. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Admitir não saber. – disse o velho, serenamente.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;TO BE CONTINUED...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112783466652501725?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112783466652501725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112783466652501725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112783466652501725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112783466652501725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/09/rquiem-terceira-parte.html' title='Réquiem - terceira parte'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112757624217601932</id><published>2005-09-24T12:34:00.000-03:00</published><updated>2005-09-24T16:51:32.920-03:00</updated><title type='text'>Réquiem - segunda parte</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E enquanto concentrava-se, o velho sentiu a floresta ao seu redor, o templo, a madeira do chão encerada, o cheiro de mato vindo do vale abaixo. O som do vento diminuiu, e de repente o velho abade sentiu-se fraco. Uma espécie de torpor o dominava, mas nenhum medo. Simplesmente sentia-se entrando cada vez mais num profundo estado de consciência, enquanto o ambiente ao seu redor parecia desaparecer... &lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Ele não sabia quanto tempo havia se passado, mas estava plenamente desperto. Abriu os olhos. O lugar parecia o mesmo templo, mas ligeiramente diferente, como se estivesse vivo. Olhou para o vale. Estava claro, um leve brilho azulado cercava toda a imensidão da floresta, e o som do vento balançando as árvores quase tinha um tom musical. Levantou-se e entrou. Espantou-se: não havia mais corpo lá, apenas o vazio do salão central, a decoração simples do templo. Caminhou confuso para o pórtico. Estava vazio, tudo cheirava a lavanda, e por um instante sentiu-se nostálgico. Parou e fitou a imensa estátua de Buda que adornava o espaço, e ficou estático. Os olhos do Iluminado olhavam para os seus com tal intensidade que ele poderia se perder para sempre naquela força. O corpo todo da estátua, ainda que não brilhasse mais do que o normal, radiava uma poderosa aura de respeito e reverência, e as velas acesas ao redor da estátua bruxuleavam com intensidade. Confuso, mas ao mesmo tempo maravilhado com tudo aquilo, quase não notou o som de passos leves atrás de si. Virou-se com alguma dificuldade e viu uma jovem aldeã fitando-o com simpatia. Um largo sorriso tornava-a muito atraente, e suas roupas simples apenas realçavam uma beleza natural.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Você parece ter perdido alguma coisa.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O velho abade recompôs-se. Aquilo tudo era muito estranho, mas não sentia medo. Uma leve curiosidade; a pergunta aguçava-lhe a mente e quase que exigia uma resposta.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Eu não perdi nada, minha jovem. – respondeu o velho abade, tentando ser o mais gentil possível.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Mas parece estar procurando alguma coisa. – respondeu rapidamente a jovem, enquanto aproximava-se do velho, sorrindo e meneando a cabeça. Sua leveza e graça deixavam o velho abade confortável, esquecido da estranheza do encontro.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Todos procuramos alguma coisa, minha jovem. O difícil é que nunca sabemos com o quê o desejo da busca sacia-se.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A jovem parou. Olhou para a estátua de Buda, e novamente fitou o velho, agora um tanto consternado.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- O senhor então conhece os caminhos do desejo? – perguntou com genuína curiosidade.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O velho ficou confuso por um momento. O que era aquela conversa, exatamente?&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Não não, minha jovem, nem mil anos de estudos e meditações me permitiriam conhecer os caminhos do desejo. Porque o desejo, jovem dama, o desejo tem causas que o homem não pode conhecer sem abdicar de sua própria humanidade.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A jovem sorriu. A resposta parecia agradar-lhe.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Ah, eu finalmente encontrei você.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A resposta deixou o velho ainda mais confuso. Por um momento, percebeu a estranheza de toda a situação, a floresta, o templo, a estátua de Buda. A súbita lucidez fez subir um frio em sua espinha, mas o sorriso da jovem parecia entorpecer seu medo, e aguçar seu espírito. Quem era aquela jovem, e como ela havia surgido lá?&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Então, você também procurava algo. – concluiu o velho, um tanto incerto.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A jovem ficou séria de repente. Olhou para o velho com gravidade, mas sem rispidez. Finalmente, como que indicando o início de uma profunda conversa, disse-lhe:&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;- Sim, senhor abade. Eu procuro alguém para escutar meus pecados...&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E uma lufada de vento passou pelo pórtico, fazendo tremeluzir as velas acesas ao redor de Buda.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;            TO BE CONTINUED...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112757624217601932?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112757624217601932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112757624217601932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112757624217601932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112757624217601932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/09/rquiem-segunda-parte.html' title='Réquiem - segunda parte'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112743722892007278</id><published>2005-09-22T21:58:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T22:29:16.093-03:00</updated><title type='text'>Réquiem - primeira parte</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Já era tarde da noite quando o velho abade apagou as últimas velas do templo. As orações haviam seguido a tarde e a noite adentro, sem descanso, e os monges já haviam se deitado. Ele estava feliz, entretanto – havia cumprido o papel que lhe cabia na cerimônia fúnebre, papel que representava já a longos anos. Uma senhora idosa, mas não mais do que 60 anos. O rosto da morta estava tranqüilo e sereno quando ele cobriu seu corpo com a mortalha, e por um tempo perguntou-se se a morte era realmente algo tão assustador quanto os aldeões costumavam pensar. O velho sabia, entretanto, dos segredos da alma e do outro mundo, mas também sabia – e isso vinha-lhe do interior – que nada deste conhecimento poderia prepará-lo apropriadamente para um final que, invariavelmente, também o alcançaria. Pensando nisto, tornou a olhar para a senhora. Sentiu uma terna compaixão, um laço que os unia como a nenhum outro em vida – a morte, que tornava irmãos os homens que compartilham esta sina em comum. Suspirou mansamente enquanto apagava as velas com o abafador.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Como ainda tinha tempo antes de deitar-se, foi até a varanda do templo, um espaço amplo cuja vista nunca lhe cansava. O antigo templo budista ficava na encosta de uma montanha. O velho abade conhecia aquela vista de cor, mas jamais sem algum assombro: uma poderosa e serena paisagem de um vale profundo, recortado entre montanhas imponentes. No inverno, as montanhas tinham seu pico coberto de neve. Nos dias mais úmidos, uma neblina densa cobria a mata verde-escura que forrava o vale, e todo o templo se tornava introspectivo também. Esta era, aliás, uma característica peculiar daquele lugar: uma enigmática conexão entre a natureza circundante e o templo, erguido em dois andares na encosta da montanha mais baixa. O velho podia sentir as estações chegando, as mudanças do tempo, a umidade da chuva, o calor suado do verão. Cada tempo, cada estação, refletia na sua própria vida interior. Podia sentir a introspecção e a necessidade de renovar-se no inverno, a vontade de crescer e trabalhar na primavera. Ele era tão consciente de si quanto poderia ser consciente do espaço que o cercava, e agora, ali na varanda, perdeu sua vista naquele vale escuro e silente.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Foi então que sentiu algo estranho. Alguma coisa, vagamente triste.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Sentou-se no zafu. Olhou para o negrume que envolvia todo o vale, e ficou irrequieto. De alguma forma, parecia que alguma coisa lá fora crescia, uma presença que assomava-se no meio da escuridão verde. Um vento frio passou pela varanda. Agasalhou-se com seu manto. Quase que por instinto, virou-se para dar uma olhada para o salão interior do templo, onde a senhora agora dormia para sempre. Um calafrio percorreu sua espinha, enquanto ele voltava a encarar novamente a escuridão do vale.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Fechou os olhos e tentou aguçar os sentidos para o que aquilo tudo queria dizer...&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;TO BE CONTINUED...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112743722892007278?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112743722892007278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112743722892007278&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112743722892007278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112743722892007278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/09/rquiem-primeira-parte.html' title='Réquiem - primeira parte'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112715081438686554</id><published>2005-09-19T14:09:00.000-03:00</published><updated>2005-09-19T14:26:54.403-03:00</updated><title type='text'>Uma Homenagem Fraterna</title><content type='html'>Caro Amigo Keitaro, os nossos discursos aqui se encontrando e desencontrando é um caminho que vai circunscrevendo essa nossa experiência sofrida que é viver. E a gente sabe algumas coisas sobre o amor, mas na vida, a gente aprende a saber com a alma e com o corpo. Com as marcas que ficam. Mas o que eu posso dizer agora? É dor, mas é necessidade. O que nós, humanos, podemos fazer solitários nesse mundo senão isso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;AMAR &lt;/em&gt;(?)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que pode uma criatura senão, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;entre criaturas, amar? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;amar e esquecer, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;amar e malamar, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;amar, desamar, amar?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sempre, e até de olhos vidrados, amar? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que pode, pergunto, o ser amoroso, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sozinho, em rotação universal, senão &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;rodar também, e amar? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;amar o que o mar traz à praia, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amar, solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e amor o inóspito, o áspero, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;um vaso sem flor, um chão de ferro, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este o nosso destino: o amor sem conta, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;doação ilimitada a uma completa ingratidão, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e na conha vazia do amor a procura medrosa, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;paciente, de mais e mais amor. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amar a nossa falta mesmo de amor, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;e na secura nossa &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É no que nos resta acreditar. Não muito, que não podemos fazer para estancar a dor. Podemos escrever, escutar, chorar também, construir novas realidades, com igualdade, liberdade. Podemos dar um abraço apertado e ouvir juntos "Only you can stop the cry of my tears". E a vida continuará ali, sólida, inóspita ou suave, mas sempre insistente como uma dor de estômago. E com a poesia a gente também pode fazer a arte de ofertar algum consolo ( e esse tópico é também uma homenagem aos Drummond):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;CONSOLO NA PRAIA&lt;br /&gt;Vamos, não chores &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A infância está perdida. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A mocidade está perdida. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas a vida não se perdeu. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O primeiro amor passou. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O segundo amor passou. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O terceiro amor passou. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas o coração continua. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Perdeste o melhor amigo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não tentaste qualquer viagem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não possuis casa, navio, terra. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas tens um cão. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Algumas palavras duras. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;À sombra do mundo errado &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;murmuraste um protesto tímido. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas virão outros. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo somado, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;devias &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;precipitar-te - de vez - nas águas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estás nu na areia, no vento... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dorme, meu filho. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112715081438686554?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112715081438686554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112715081438686554&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112715081438686554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112715081438686554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/09/uma-homenagem-fraterna.html' title='Uma Homenagem Fraterna'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112552316122908714</id><published>2005-08-31T18:19:00.000-03:00</published><updated>2005-08-31T18:19:21.266-03:00</updated><title type='text'>Cronologia das produções de Lacan em português</title><content type='html'>Sei que isso tem muito pouco a ver com nosso blog, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os textos escritos por Lacan, foram privilegiados sua data de pronunciamento ou redação (quando as referência corretas foram encontradas) em detrimento de sua data de publicação. Este esforço consiste em tornar os textos de Lacan o mais fiel às circunstâncias de sua formulação possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1936		O estágio do espelho como formador da função do eu (pronunciamento), Escritos&lt;br /&gt;1936		Para além do "princípio de realidade", Escritos&lt;br /&gt;1938		Os complexos familiares na formação do indivíduo, Outros Escritos, livro de mesmo nome &lt;br /&gt;1945		O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada, Escritos&lt;br /&gt;1945-46	O número treze e a forma lógica da suspeita, Outros Escritos&lt;br /&gt;1946		Formulações sobre a causalidade psíquica, Escritos&lt;br /&gt;1947		A psiquiatria inglesa e a guerra, Outros Escritos&lt;br /&gt;1948		A agressividade em psicanálise, Escritos&lt;br /&gt;1950		Intervenção no I Congresso Mundial de Psiquiatria, Outros Escritos&lt;br /&gt;1951		Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia, Escritos&lt;br /&gt;1951		Premissas para qualquer desenvolvimento possível da criminologia, Outros Escritos&lt;br /&gt;1951		Intervenção sobre a transferência, Escritos&lt;br /&gt;1953		Discurso de Roma, Outros Escritos&lt;br /&gt;1953		Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise, Escritos&lt;br /&gt;1953-54	Seminário 1 - Os escritos técnicos de Freud, Seminário&lt;br /&gt;1954		Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a Verneinung de Freud, Escritos&lt;br /&gt;1954-55	Seminário 2 - O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise, Seminário&lt;br /&gt;1955-56	Seminário 3 - As psicoses, Seminário&lt;br /&gt;1955		Variantes do tratamento padrão, Escritos&lt;br /&gt;1955		Seminário sobre "A carta roubada", Escritos&lt;br /&gt;1955		A coisa freudiana ou Sentido do retorno a Freud em psicanálise, Escritos&lt;br /&gt;1956-57	Seminário 4 - A relação de objeto, Seminário&lt;br /&gt;1956		Situação da psicanálise e formação do psicanalista, Escritos&lt;br /&gt;1957-58	Seminário 5 - As formações do inconsciente, Seminário&lt;br /&gt;1957		A psicanálise e seu ensino, Escritos&lt;br /&gt;1957		A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud, Escritos&lt;br /&gt;1957-58	De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose, Escritos&lt;br /&gt;1958		A psicanálise verdadeira, e a falsa, Outros Escritos&lt;br /&gt;1958		Juventude de Gide ou a letra e o desejo, Escritos&lt;br /&gt;1958		A significação do falo, Escritos&lt;br /&gt;1958		A direção do tratamento e os princípios de seu poder, Escritos&lt;br /&gt;1958		Observação sobre o relatório de Daniel Lagache, Escritos&lt;br /&gt;1959-60	Seminário 7 - A ética da psicanálise, Seminário&lt;br /&gt;1959		À memória de Ernest Jones: Sobre sua teoria do simbolismo, Escritos&lt;br /&gt;1960-61	Seminário 8 - A transferência, Seminário&lt;br /&gt;1960		Discurso aos católicos, O Triunfo da Religião&lt;br /&gt;1960		Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina, Escritos&lt;br /&gt;1960		Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano, Escritos&lt;br /&gt;1960		Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano, Escritos&lt;br /&gt;1960		Posição do inconsciente, Escritos&lt;br /&gt;1961		Maurice Merleau-Ponty, Outros Escritos&lt;br /&gt;1962		Kant com Sade, Escritos&lt;br /&gt;1964		Os Nomes do Pai (seminário interrompido), livro de mesmo nome&lt;br /&gt;1964		Seminário 11 - Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, Seminário&lt;br /&gt;1964		Do "Trieb" de Freud e do desejo do psicanalista, Escritos&lt;br /&gt;1964		Ato de fundação, Outros Escritos&lt;br /&gt;1965		Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, Outros Escritos&lt;br /&gt;1965		Homenagem a Marguerite Duras, Outros Escritos&lt;br /&gt;1965		A ciência e a verdade, Escritos&lt;br /&gt;1966		Respostas a estudantes de filosofia, Outros Escritos&lt;br /&gt;1966		Problemas cruciais para a psicanálise, Outros Escritos&lt;br /&gt;1966		Apresentação das Memórias de um doente dos nervos, Outros Escritos&lt;br /&gt;1966		Pequeno discurso na ORTF, Outros Escritos&lt;br /&gt;1967-68	Seminário 15 - O ato analítico, Seminário pirata&lt;br /&gt;1967		O objeto da psicanálise, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		Proposição de 9 de outubro de 1967, Outros Escritos&lt;br /&gt;1970		Discurso na Escola Freudiana de Paris, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		O engano do sujeito suposto saber, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		A psicanálise, Razão de um fracasso, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		Da psicanálise em suas relações com a realidade, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		Da psicanálise em suas relações com a realidade, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		Alocução sobre as psicoses da criança, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968		Introdução de Scilicet como título da revista da EFP, Outros Escritos&lt;br /&gt;1969-70	Seminário 17 - O avesso da psicanálise, Seminário&lt;br /&gt;1969		A lógica da fantasia, Outros Escritos&lt;br /&gt;1969		Pronunciamento na Escola, Outros Escritos&lt;br /&gt;1968-1969	O ato psicanalítico, Outros Escritos&lt;br /&gt;1983		Notas sobre a criança, Outros Escritos&lt;br /&gt;1970		Prefácio à edição dos Escritos em livro de bolso (!), Outros Escritos&lt;br /&gt;1970		Prefácio a uma tese, Outros Escritos&lt;br /&gt;1970		Alocução sobre o ensino, Outros Escritos&lt;br /&gt;1970		Radiofonia, Outros Escritos, livro de mesmo nome&lt;br /&gt;1971		Lituraterra, Outros Escritos&lt;br /&gt;1972-73	Seminário 20 - Mais, ainda, Seminário&lt;br /&gt;1973		O aturdito, Outros Escritos&lt;br /&gt;1974		O triunfo da religião, livro de mesmo nome&lt;br /&gt;1981		Aviso ao leitor japonês (que não tem inconsciente), Outros Escritos&lt;br /&gt;1982		Nota italiana, Outros Escritos&lt;br /&gt;1973		Posfácio ao Seminário 11, Outros Escrtos&lt;br /&gt;1974		Televisão, Outros Escritos, livro de mesmo nome&lt;br /&gt;1974		Prefácio a O despertar da primavera, Outros Escritos&lt;br /&gt;1975		... ou pior, Outros Escritos&lt;br /&gt;1975		Introdução à edição alemã de um primeiro volume dos Escritos, Outros Escritos&lt;br /&gt;1975		Talvez em Vincennes..., Outros Escritos&lt;br /&gt;1975		Joyce, o Sintoma, Outros Escritos&lt;br /&gt;1977		Prefácio à edição inglesa do Seminário 11, Outros Escritos&lt;br /&gt;1980		Carta de dissolução, Outros Escritos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112552316122908714?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112552316122908714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112552316122908714&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112552316122908714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112552316122908714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/08/cronologia-das-produes-de-lacan-em.html' title='Cronologia das produções de Lacan em português'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112329785864133515</id><published>2005-08-06T00:08:00.000-03:00</published><updated>2005-08-06T00:17:50.023-03:00</updated><title type='text'>Sobre a realidade - o que deve se esperar de uma análise</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não uma reconciliação com a realidade, mas com suas próprias capacidades. Querer o que se quer, poder o que se pode. Não querer o que se pode, esmagamento diante da realidade, nem poder o que se quer - acreditar nisso -, figura de onipotência. Mas que se possa fazer a sua parte, expressar seu relato, responder ao mundo ao seu modo. Amar e trabalhar...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Sigmund Freud&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112329785864133515?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112329785864133515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112329785864133515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112329785864133515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112329785864133515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/08/sobre-realidade-o-que-deve-se-esperar.html' title='Sobre a realidade - o que deve se esperar de uma análise'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112269869680257589</id><published>2005-07-30T01:33:00.000-03:00</published><updated>2005-07-30T01:44:56.810-03:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>Já que estamos circulando em torno de um núcleo mais ou menos homogêneo já há algum tempo - quase numa espécie de compulsão - trago algo de diferente que talvez nos possar fazer dar um giro no discurso. Não deixa de ser uma repetição de nossos temas, mas a partir de uma outra vertente, com o toque de luz da arte. Aí está:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aniversário&lt;br /&gt;Fernando Pessoa(Poesia de Álvaro de Campos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,&lt;br /&gt;Eu era feliz e ninguém estava morto.&lt;br /&gt;Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,&lt;br /&gt;E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,&lt;br /&gt;Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,&lt;br /&gt;De ser inteligente para entre a família,&lt;br /&gt;E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.&lt;br /&gt;Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.&lt;br /&gt;Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,&lt;br /&gt;O que fui de coração e parentesco.&lt;br /&gt;O que fui de serões de meia-província,&lt;br /&gt;O que fui de amarem-me e eu ser menino,&lt;br /&gt;O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...&lt;br /&gt;A que distância!...(Nem o acho...)&lt;br /&gt;O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,&lt;br /&gt;Pondo grelado nas paredes...&lt;br /&gt;O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),&lt;br /&gt;O que eu sou hoje é terem vendido a casa,&lt;br /&gt;É terem morrido todos,&lt;br /&gt;É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...&lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!&lt;br /&gt;Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,&lt;br /&gt;Por uma viagem metafísica e carnal,&lt;br /&gt;Com uma dualidade de eu para mim...&lt;br /&gt;Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...&lt;br /&gt;A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,com mais copos,&lt;br /&gt;O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,&lt;br /&gt;As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,&lt;br /&gt;No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára, meu coração!Não penses!&lt;br /&gt;Deixa o pensar na cabeça!&lt;br /&gt;Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!Hoje já não faço anos.&lt;br /&gt;Duro.&lt;br /&gt;Somam-se-me dias.&lt;br /&gt;Serei velho quando o for.&lt;br /&gt;Mais nada.&lt;br /&gt;Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...&lt;br /&gt;O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro de Campos, 15-10-1929&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112269869680257589?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112269869680257589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112269869680257589&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112269869680257589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112269869680257589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/07/aniversrio.html' title='Aniversário'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112249371633486190</id><published>2005-07-27T16:47:00.000-03:00</published><updated>2005-07-27T16:48:36.340-03:00</updated><title type='text'>Herói...</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Um morto suplica que não esqueça o supremo ideal de um guerreiro: depôr a sua espada..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O herói parece estar num ponto de desconforto. Deslocado de onde é o que deseja. Pensa onde não está e está onde não pensa. Acredita com crença sem fundamento num mundo de paraíso verde, original. Sem lutas, espadas, onde a arte da espada seja inteiramente absorvida pela caligrafia. O ser do herói parece estar sempre a contragosto, ou condicionado ao destino que o causa. Por que ser herói por ser já não é mais ser herói.&lt;br /&gt;O herói se concretiza quando vislumbra sua morte evocando a destituição da palavra, da arma - aqui temos uma equivalência tal como a luta e a caligrafia - que o colocou no posto em que esta - a destituição da espada. Não é preciso dizer mais para perceber que a instância da caligrafia engendra a força da luta com a espada, a instância da letra com seu efeito no real. O herói inicia sua jornada obscura penetrando aos poucos a luz que lhe mostra o controverso sentido da luta: seu fim. Como no destino da caligrafia - depor a sua letra - o destino da luta que faz o herói se ex-creve assim: depor a sua espada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112249371633486190?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112249371633486190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112249371633486190&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112249371633486190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112249371633486190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/07/heri.html' title='Herói...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112044713729158603</id><published>2005-07-04T00:15:00.000-03:00</published><updated>2005-07-04T12:51:13.570-03:00</updated><title type='text'>Fragmento levemente modificado de um antigo texto meu, encontrado no umbral das minhas poucas produções...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;27 de setembro de 2002, 17:21&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;...como navegantes do século XV, navegamos por mares desconhecidos, onde as promessas de sucesso e portos seguros são menores que as advertências de perigos e monstros marinhos. Talvez alguns nos chamem de bravos, outros de loucos, outros ainda de sonhadores: não há como ser impessoal a uma empreitada que procura descobrir a pedra filosofal por trás da felicidade e da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim somos compelidos a formular perguntas sobre o que é a alegria e qual a razão do sofrimento humano, apenas para encontrar um eco insistente e perturbador: “quem é você?”. E, sem respostas, nos calamos diante um assombro sagrado, perante nossa eterna esfinge. “Decifra-me ou te devoro”, diria o monstro, mas já não temos mais a resposta para esta pergunta – ela parece ter se afundado num mar de medos e impressões forçadas sobre nossa própria essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos então devorados? Talvez tenhamos parado num perpétuo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;continuun&lt;/span&gt;, onde a pergunta não se cala, a esfinge não se move, e nós ficamos parados, congelados na angústia de não nos conhecermos mais. A esfinge, ao pedir uma de-cifração, na verdade torna-se um oráculo de nosso próprio destino, e coloca em nossas mãos a escolha de nos conhecermos ou sucumbir. Caso contrário, seremos devorados pela apatia, sofrimento e tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois devemos nós nos vestir de Édipo, e assumir para si a responsabilidade de buscar a resposta, sem contudo possuir alguma esperança de conseguí-la. A viagem também não oferece, à primeira vista, sinais de recompensa: ao contrário, apenas há dúvida e desolação, um sombrio mar de paradoxos. Então o viajante decide transformar sua viagem, de um meio, para um fim em si próprio: ele torna sua busca maior do que a recompensa, seu barco maior do que o porto. E, sem saber, descobre indícios de terra firme. Mas agora nada disso importa, a não ser o sabor de se navegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como não ser afetado pelo enigma? Como não mudar durante essa viagem, como não perceber em si mesmo essa função sagrada e divina, e tomar a si mesmo como capitão de seu próprio barco, sua própria psiquê? Pois todos nós já embarcamos – a esfinge não nos dá outra escolha, ou isso ou a morte da alma – e, queiramos ou não, assumir o leme do barco é nossa responsabilidade. Então procuramos, nós viajantes, segurar o leme e seguir em frente. Muitas vezes é preciso escolher, tomar decisões e, apoiado na própria vivência, escolher qual caminho tomar. Talvez não cheguem a lugar nenhum, e apenas nos levem a uma nova incógnita. “Todo final de caminho é uma bifurcação”. E mais do que nunca, como se essa decisão custasse a calmaria do mar, o vento bruscamente se reforça, e não há mais alternativas a não ser encarar a gigantesca tempestade. Sim, a tempestade é para os fortes, é para aquele que decide acordar em seu sono de viajante e olhar para o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Árjuna pega suas armas novamente e, resoluto, resolve lutar, o exército inimigo cresce assustadoramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Árjuna também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como corajosos viajantes, fazemos escolhas. E cada escolha é um pouco de nós mesmos, de nossa própria subjetividade. Construímos a nós mesmos, junto com nossa própria história. A medida em que o ser humano volta seu pensamento para si mesmo, e se questiona, e retira vendas infinitas de olhos infinitos, sua visão do outro também muda. Sua visão do mundo abre-se, e o outro ser humano ao seu lado então reveste-se novamente, para nossos olhos, de seu sagrado papel de viajante. E, ao entendermos nossa condição, e a do outro, percebemos que nosso trabalho é fazer algo, com determinação e paciência, por nós e pelo outro. E como um encanto, a resposta traz o movimento da cena, explodindo em cores e sons. A esfinge está viva, e o herói descobre-se nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada vos tenho a oferecer, a não ser eu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reza o mito do curandeiro que, antes que possa curar o outro, ele precisa enfrentar a doença e vencê-la. O viajante eternamente se sacrifica para a doença, descobre-a dentro de si e dispõe-se a curá-la, para só então ajudar o próximo. Aí reside outro milagre: curar o próximo é também curar a si mesmo, retirar a venda do outro é também retirar a venda de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é preciso se permitir aprender. O viajante, tão humano quanto poderia ser, jamais deve cometer o erro de sentir-se seguro em seu leme – deve ser corajoso perante seu desconhecimento. Não lhe é permitido novamente dormir seu sono dogmático no barco, ao sabor das vicissitudes das ondas, alheio a si próprio. Ser um viajante é estar constantemente vigilante de seu próprio coração. Uma vez com os olhos abertos; e conhecida a real natureza do mundo, nunca mais poderá adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como ficar imune a essa importante missão. Não há como deixar de ver o mundo de outra forma. Quando as portas da percepção de si mesmo se abrem, elas se escancaram para os outros seres humanos. É preciso tornar esta missão algo sagrado – e uma responsabilidade para a vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decifra-me ou te devoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Posfácio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se três anos desde que escrevi este texto. Lendo-o agora, ele me parece um tanto... junguiano, eu diria. Mas isso não importa de jeito nenhum: ainda é um texto interessante. Entretanto, hoje estou mais cético com essa relação de ajuda. Não desisti dela - nunca - mas tendo a ser mais cuidadoso e menos romântico nestes tópicos. Ajudar o outro é mostrar a ele que seu sofrimento é uma escolha de posição. E - isso é o mais difícil - ativamente mantida. Como? Reconheça o teu desejo. E daí, torne-te quem tu és: este é teu desejo, e está em suas mãos decidir o que fará com ele. É nisso que eu e Siloé insistimos, acredito eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112044713729158603?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112044713729158603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112044713729158603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112044713729158603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112044713729158603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/07/fragmento-levemente-modificado-de-um.html' title='Fragmento levemente modificado de um antigo texto meu, encontrado no umbral das minhas poucas produções...'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-112044625894209286</id><published>2005-07-03T23:44:00.000-03:00</published><updated>2005-07-04T00:04:18.950-03:00</updated><title type='text'>Epístola aos Irmãos Andarilhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Certo é que a vida contém em seu horizonte percursos diversos. Muitos desses foi que tentamos aqui desdobrar, no que disso tudo concerne ao amor. Trouxemos, no certo, para vocês o que de todos os saberes universais pudemos colher nas veredas da história. Por vezes, o que fizemos foi tentar estabelecer aqui o fio de Ariadne que os conduzisse num possível retorno dessa empreitada que visa à morte do Minotauro. Certo que também vocês puderam constatar limpidamente o viés possível desse fio no que ele tem de engodo. É o risco que corremos, de termos que ficar dando voltas em torno desse um cerne de vida que nos compete apreender.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí que também pudemos lançá-los direto na fornalha de fogo ardente que, aquecida quatro vezes mais, tinha essa missão de precipitar sua consumação de sujeito. Essa dialética nossa é de todo cuidado que cultivamos, pois nos é mister ter um mínimo que seja de esperança de que vocês terão ao lado, para proteção do que lhes valem na vida, a presença redentora do espectro do Filho do Deus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos aqui ligeiramente demonstrado a importância do tempo para compreender, que é de cada um. O que de modo algum deixa de ser incrível: com ou sem o fio condutor vocês sempre encontrarão um jeito de um retorno ao ponto zero. Aquele mesmo da partida, onde o que coloria a via do sacrifício era aquela esperança de ver o povo para sempre liberto da maldição pelo sacrifício do Minotauro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui é já para vocês que eu falo, que vêm aqui me ler. Provavelmente uma mulher. E que está ai com todos esses pensamentos incertos. Saiba você que todos esses caminhos são cifras penosas. Aquela mesma pergunta que para você é tão inócua, já possuíndo em seu seio a resposta, saiba que o que ela me projeta é a horrenda imagem da Esfinge. Tanstraz os fantasmas de todos os jovens impulsivos cujas vidas foram ceifadas ao se lançarem para a fatal empresa de respondê-la. E você se ri achando que isso tudo é melodramático demais, sem dar-se conta do equívoco que lhe ameaça. É que a questão é bem outra. Essa que lhe parece óbvia é sua, muito sua. Eu nada tenho a ver com ela. Os seus caminhos, até certo ponto, me são inúteis. Eu preciso desbravar o meu próprio. Receio que seja mais pelo susto, pelo impetuoso, pelo precipitar-me nas chamas da fornalha. O crepitar das brasas me soa como núncios de mudança.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é tão à tôa que aqui estamos a desvelar a história da humanidade para vocês, nisso que dela paira sobre esse núcleo incerto que aqui chamamos de amor. Nada sabemos, é verdade. Isso, porém, não impede que alguém possa um dia emprestar o seu fôlego de vida num sopro que faça reviver todos esses ossos secos. Sim, porque todas aqui são palavras soltas, letras mortas, até o momento em que você, como profeta, tem a visão desse vale. Quando o som mudo dessas palavras penetra-lhes pelo vestíbulo auricular, atingindo as vias reais do espírito, a letra morta se faz em significante. Isso é muito significante. E está pronta para engravidá-lo de todo o mistério.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não adianta fingir. Agora você sabe que nada em mim é por fraqueza de vontade. Existe sim esse muro de morte que me é mister atravessar, e que ainda me trava no risco. Alguém há, porém, de me atirar no fogo, no fogo da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para ser sincero não espero de você mais que educação. Beijo sem paixão, crime sem castigo, um aperto de mão, apenas bons amigos. Nós dois temos os mesmos defeitos. Sabemos tudo ao nosso respeito, somos suspeitos de um crime perfeito, mas crime perfeito não deixa suspeito...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-112044625894209286?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/112044625894209286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=112044625894209286&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112044625894209286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/112044625894209286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/07/epstola-aos-irmos-andarilhos.html' title='Epístola aos Irmãos Andarilhos'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111961861280160570</id><published>2005-06-24T10:08:00.000-03:00</published><updated>2005-06-24T10:10:12.810-03:00</updated><title type='text'>Ao futuro, boa sorte...</title><content type='html'>Tem gente que acha gozado quando vê um pré-vestibulando indeciso quanto ao curso que escolherá: medicina ou artes-cênicas; direito ou aviação; física ou culinária ou educação física ou psicologia ou geologia ou...&lt;br /&gt;Eu mesma, anos atrás, quando tive de decidir-me por uma só opção dentre tantas outras, congelei literalmente. Enrijeci os ossos, trinquei os dentes, arrepiei os cabelos e, para falar bem em termos de vestibulando mesmo, pus o sistema simpático para funcionar: frente ao perigo iminente, o melhor a se fazer é sair correndo ou se tornar invisível.&lt;br /&gt;Tentei me tornar invisível de início, mas foi inútil. O tal do vestibular parece que tem olhos nas costas, urra alto e persegue a presa até a encurralar num canto de onde ela não tem como escapar: o fim das inscrições. Quando percebi que o melhor era correr, corri. O mais rápido que pude e, durante a corrida, ia prestando atenção no que passava pelo caminho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medicina? Só se eu quisesse ficar mais oito anos dentro de uma escola. Não, obrigada. Nunca fui mesmo de estudar. Passo.&lt;br /&gt;Farmácia? Química, biologia, matemática: o que eu estava pensando quando pensei em prestar vestibular para Farmácia? Passo.&lt;br /&gt;Artes cênicas? Está ai um curso que deve ser de preguiçoso: quem atua, nasce para a coisa e sou capaz de apostar que o Paul Newman não precisou fazer isso para ser gênio no cinema. Passo.&lt;br /&gt;Biologia? Até que não faria mal. Mas também, pensando sinceramente, não me faria nenhum bem. Não, não. Passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse realmente de escolher algo que aprecio fazer no cotidiano, teria de me decidir pelo ócio. Sou ótima em todos os aspectos. Acordar tarde, contemplar, fazer tudo bem devagar, demorada e preguiçosamente. Em definitivo, a prática do ócio seria a minha ambição de carreira, até chegar o tempo de me aposentar. Mas ai viria o problema: me aposentar do quê? E quem sustentaria o que eu sei fazer de melhor, se muitos tenderiam a confundir o perfeccionismo do meu ócio com nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É realmente complicado escolher o que se fazer, quando se gosta de tudo um pouco e, ao mesmo tempo, não se gosta de nada o suficiente para decidir-se por eliminar todas as outras coisas em favor de uma única. E se isso ocorre na mente de alguém que já ultrapassou de longe os dezessete anos, por que não ocorreria com os milhares de pobres coitados formados pela escola a cada ano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se servisse de alguma coisa, deixaria uma palavra de consolo, se assim a tivesse de fato: tenho vinte e cinco anos e ainda não me decidi. Essa coisa de viver da institucionalização ainda vai acabar com toda a graça da mente humana: destronar o espírito crítico, rechaçar o desejo, emperrar o sujeito.&lt;br /&gt;Escolha entre este ou aquele, dizem eles. Uma escolha que nunca é sem fronteiras: depende da disponibilidade e da boa vontade social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber? Que se dane o social! Enquanto me decido, não vou pensar na vontade de meus pais. Não vou pensar naquele tio que me prometeu uma vaga na empresa, nem no exemplo do cara da televisão. Primeiro quero descobrir em mim o que me satisfaz, longe dos modismos e das temporalidades. Aquela coisa que me permita sentir-me inteiro, mesmo dentro de casa, depois do trabalho. Mesmo durante as férias ou no horário do almoço (terei horário do almoço?). Por hora, se não fiz a escolha ainda, paciência. Quando ela vier, vai vir de graça, no tempo da minha compreensão. E como todas as coisas que vêm no tempo, sou capaz de apostar que será mais real e madura que o resto. Ai a gente conversa novamente. O que não se pode esquecer é que essa indecisão é mais comum do que se imagina. Melhor que isso: é mais saudável do que se imagina. Significa que se está à procura e que todas as possibilidades são bem-vindas a estudo e observação. E que tudo tem tantas faces quanto conseguimos enxergar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111961861280160570?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111961861280160570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111961861280160570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111961861280160570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111961861280160570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/06/ao-futuro-boa-sorte.html' title='Ao futuro, boa sorte...'/><author><name>Carol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02800104076077199829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111868070739566929</id><published>2005-06-13T12:46:00.000-03:00</published><updated>2005-06-13T19:33:42.646-03:00</updated><title type='text'>O Tempo do Herói</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei se é um tempo de saudade, um tempo que merecesse persistir. O certo é que antes era um tempo bem mais longo, promissor, eterno. Hoje não. O tempo do herói de hoje é um tempo relâmpago. Assim como o relâmpago que sai do oriente e se mostra no ocidente, assim é também o tempo do herói atual. Aliás, não devo ser tão injusto. Nós brasileiros ainda temos vivos alguns heróis, desses iconoclastas, que marcam época. Quem assistiu o filme do Pelé sabe disso. Mas, pensando bem, Pelé ainda é do século passado. Na segunda metado do século XX nós veneramos a gesta de alguns heróis. Ayrton Senna do Brasil, Renato Russo no pop rock brasileiro, Tom Jobim na nossa música mais erudita, talvez Juscelino na política, Getúlio Vargas, um pouco antes... Jorge Amado, na literatura - esse um imortal que fez jus ao nome. Quem nunca ouviu falar em Jorge Amado? Agora, dos imortais que ainda não morreram, talvez só os eruditos os conheçam muito bem. O tempo da fama que se alastra no tempo e no espaço parece realmente ter-se encolhido. Voltemos ainda bastante no tempo. Lembramos até hoje muito bem do jovem Aquiles, o dos pés velozes. Ele precisou fazer uma escolha: ou lutava na guerra de Tróia e teria uma vida, embora curta, envolvida numa auréola de glória que se estenderia por infinitas gerações; ou teria uma vida farta de dias, embora subsumida na escuridão do esquecimento. Aquiles fez realmente jus ao título de herói e, até o ano passado, ainda brilhava nas telas holiudianas espalhadas pelo mundo, no filme "Tróia". Outros tantos heróis também fizeram seus nomes atravessarem a história: Jesus, o Cristo; Napoleão Bonaparte; Sócrates; Goethe; Copérnico; Freud... (isso para citar apenas alguns representantes de cada parte do universo do saber humano). Hoje um herói dura duas semanas. Curte por um naco restrito de tempo uma glória intensa e na outra semana cai bruscamente no abismo do esquecimento. É preciso ponderar, entretanto, que o heroísmo está hoje democratizado. Todos podem ser heróis. Aliás, é muito fácil ser um herói. E se você ainda não sabe como fazer, seus problemas se acabaram! Hoje nós podemos transformar você ou seu filho num herói dos tempos modernos! Chega de ficar venerando o heroísmo alheio: seja você mesmo seu herói. Só o que não ficou muito claro ainda para nós é a conseqüência lógica da pulverização do heroísmo. Quanto mais heróis temos, menos pessoas sobrarão para venerá-los. Além disso, tenho diversas opções. Posso escolher meu próprio herói, e trocá-lo quando ele for ferido no calcanhar. Não preciso mais ficar tentando eternizar a glória do passado. O herói está na versão descartável.&lt;br /&gt;O heroísmo é, hoje, um sonho fracassado.&lt;br /&gt;O amor compartilha algumas semelhanças com a sina do herói. Hoje também não conhecemos o que é isso, esse valor do herói, a imortalidade. As opções de heroínas são tantas à nossa disposição que não parece funcional ficar buscando eternizar na memória uma beleza que teve seu período áureo. Hoje se pode fazer um up-grade de atualização da heroína, para que ela me sirva no real. Ou, o que é mais catastrófico, pode-se trocar uma de 40 por duas de 20, e assim ter a satisfação heróica presa ao apanágio do aqui e agora.&lt;br /&gt;Diante disso tudo ficamos lamentando a pequena probabilidade de assistirmos aos feitos de outros Heróis - com H maísculo - na contemporaneidade. Quanto ao amor, pode ser possível ainda achar quem queira venerar o sonho do Herói e construir uma epopéia, quem sabe?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111868070739566929?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111868070739566929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111868070739566929&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111868070739566929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111868070739566929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/06/o-tempo-do-heri.html' title='O Tempo do Herói'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111702068904235506</id><published>2005-05-25T08:30:00.000-03:00</published><updated>2005-05-25T08:31:29.043-03:00</updated><title type='text'>Novidades!</title><content type='html'>Agora nosso blog tem contador de visitas!!! Não é legal??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111702068904235506?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111702068904235506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111702068904235506&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111702068904235506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111702068904235506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/05/novidades.html' title='Novidades!'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111701986943961082</id><published>2005-05-25T08:16:00.000-03:00</published><updated>2005-05-25T08:23:35.420-03:00</updated><title type='text'>O amor é contingente... e necessário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma súbita inquietude me levou a escrever. Às pressas, para dizer a verdade. E, ironia, justo um sonho – formações do inconsciente cujo propósito é revelar (escondendo) algo sempre da ordem do desejo. E não me furtando de meu desejo, escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou pensando em saudade. Algum poeta já disse que amor é “saudade de coisa nenhuma” e mesmo esquecendo o nome do autor, a frase continua comigo. E esse estado quase lânguido de quem ama sempre me pareceu um infinito sentimento de saudade que não cessa, fruto talvez do que já discutimos tanto aqui – o lugar que o amando ocupa na economia libidinal do sujeito-amante, sujeito a todas as intempéries que o amor significa; saudade e a possibilidade de frustração. Sim, porque amar é um risco constante de frustração. Só que quem ama, lógico, esquece. Ignora esta perigosa possibilidade, de um dia o amor acabar ou ser rejeitado. E não sabe, o sujeito em sua estúpida e inefável existência – porque dizemos sim da criança diante do espelho, não é mesmo? – que envereda, no amor, em coisa perigosa, em risco de vida: de perder sua vida no amor, de apostar todas as cartas num jogo incerto e perder tudo, inclusive – e principalmente – ele mesmo. E frustrar-se no amor que não deu certo, e sofrer de saudade, remorso ou solidão. Grande Sertão Veredas: “viver é perigoso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como diria um pensador muito familiar a alguns de nós, “esta possibilidade não deterá o inocente”. Como o aviso nos portões do inferno, diante de Dante: “vós que aqui entrais, deixai para trás todas as esperanças”. Quem se propõe a amar deve jogar fora suas esperanças, encontra-se como Dante diante do inferno, mas não possui nenhum Virgílio a quem recorrer. E mesmo sabendo disso, o amante caminha. Só quem já sofreu por causa de um grande amor, e suportou saudades inexplicáveis, sabe o preço possível para um amor que não deu certo. Como viver depois da chuva?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que o amor é contingente. Ele pode ocorrer – ou não. Qual será o grande amor da vida de cada um? Ele pode estar agora, neste momento, trocando juras de amor eterno com um qualquer outro. Pode estar num ponto de ônibus, cansado, pensando que gostaria de dormir menos sozinho. Um grande amor pode estar em qualquer lugar e, sem saber, esperando. Esperando alguma coisa, ou alguém, que pode nunca chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós seguimos assim, esperando também. Esperando o ônibus, esperando o dia de amanhã, sábado, domingo. Esperando a chuva passar, a casa nova, os dias, meses, anos. E o amor, o grande amor, contingente, passa ao lado, incauto, virginal, senta-se no mesmo banco do ônibus, na mesma fila, pergunta as horas, comenta do tempo frio, da chuva que não para, da demora do caixa – como tudo era mais fácil antes, não é mesmo?, chega sua vez, chega no ponto, olha, bom-dia-boa-tarde-boa-noite, tchau, corre e sai. E a chuva continua, lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contingente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e o sentimento que não cessa? Mas e a necessidade, premente, de esperar? E o sentimento que sempre estará lá, o movimento próprio de busca, isso que impulsiona a amar, não é necessário? Não é ele sempre uma constante, uma fatalidade, quase uma condição para a humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo do amor é necessário. Não pára. E esse algo é a busca mesmo. É aquilo que sobra de um amor que não deu certo, mas que permanece em saudade. Esse sentimento tão alheio a nós que faz sonhos. Se a possibilidade do encontro amoroso é contingente, o amor mesmo é necessário. Por que há busca, não importa como, ou a nostalgia dela, quando existe a saudade. Por isso, amigos, sempre amaremos. Não poderia ser, inclusive, de outro modo. A saudade não me deixa mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E espero, no ponto de ônibus, incauto. E espero.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111701986943961082?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111701986943961082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111701986943961082&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111701986943961082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111701986943961082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/05/o-amor-contingente-e-necessrio.html' title='O amor é contingente... e necessário'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111516065957807472</id><published>2005-05-03T19:14:00.000-03:00</published><updated>2005-05-03T19:50:59.580-03:00</updated><title type='text'>Um Brilho Sempre Maior</title><content type='html'>Percorremos muitos caminhos sinuosos por aqui. São essas incursões pelo mundo do Amor. Já passamos pelo recorte mais ínfimo da pulsão, do vazio que perpassa nossos contatos com o mundo real. Também já voamos alto na mais sublime densidade ontológica desse nosso modo de estar no mundo. Muitas dimensões podem, certamente, ter sido desdobradas. Uma a mais, porém, é mister que exploremos: o caminho que, do amor, nos conduz à ação. Já desde Sócrates se diz que a Ética é uma ciência essencialmente prática. O amor, não obstante todas as veredas que perpassam nossa &lt;em&gt;psiqué&lt;/em&gt;, ele acaba apontando mesmo é para uma ação em direção ao objeto. Uma &lt;em&gt;práxis&lt;/em&gt;, porque o objeto o remete novamente ao seu próprio ser de sujeito. O amor me impulsiona, não apenas me fascina. Ele me leva a dirigir-me a outrem e lhe demandar algo. Isso causa uma transformação no curso do outro. Pois é esse mesmo o caminho que proponho que tentemos desvendar do amor: aquilo que impulsiona uma &lt;em&gt;transform-ação&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor como possibilidade de transformação é, para nós, um salto. Saímos do mundo da linguagem, onde as coisas demoram de acontecer, onde os significantes guardam um certo enrijecimento de sua ligação com os sentidos, e passamos para o mundo dos objetos, onde, aí sim, os desencontros ocasionam novos rearranjos  de sentido para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou de propósito misturando &lt;em&gt;objeto &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;coisa. &lt;/em&gt;Perdoem-me por isso. Quero apenas enfatizar que esse lançar-se para o mundo, tansformá-lo e ser transformado por ele também é um dos caminhos do amor. É um caminho que pode muito bem não ser calmo, sereno e tranqüilo, ou pode ser. Como um dilúvio que arrasta suas águas pelos canais, penetra no solo, irriga. Quando seca deixa em seus lençóis sinais de vidas que subjazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vertente desse caminho - talvez o seu próprio - uma nobre amiga, a doce Pollyana Bernardes, descreveu desse jeito que me encantou profundamente. E quero prestar-lhe essa homenagem, ela que é uma promessa (não sei o que acharam, mas acredito que há um grande futuro nisso tudo... Digam-me, para que eu acredite ainda mais, o que sentiram com esse poema). É porque ela se mostra. E se mostra percorrendo esse &lt;em&gt;um caminho.&lt;/em&gt; Que vai mostrando a ação do amor em meio às pedras. É um caminho que pode apontar para &lt;em&gt;um brilho sempre maior&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sou água que desce de mansinho&lt;br /&gt;Sou água que desce se arrebentando sobre pedras&lt;br /&gt;Gloriosa fúria em cascatas brancas&lt;br /&gt;E não importa se o final machuca mais&lt;br /&gt;Não tenho temperança, não agora&lt;br /&gt;Que olhe pra mim depois E diga: infantilidades...&lt;br /&gt;Mas o agora existe&lt;br /&gt;O depois não!&lt;br /&gt;Quase morro todos os dias&lt;br /&gt;Perigosas manhãs sonolentas&lt;br /&gt;Me proíbem, me descartam&lt;br /&gt;Mas continuo meu curso&lt;br /&gt;Queda livre, cachoeira...&lt;br /&gt;Até o oceano, pra voltar pro céu&lt;br /&gt;E chover lágrimas de riso&lt;br /&gt;Porque esse é o choro da alma&lt;br /&gt;O resto é invenção... "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pollyana Bernardes - &lt;a href="http://www.freeart.weblogger.terra.com.br/200504_freeart_arquivo.htm"&gt;http://www.freeart.weblogger.terra.com.br/200504_freeart_arquivo.htm&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111516065957807472?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111516065957807472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111516065957807472&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111516065957807472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111516065957807472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/05/um-brilho-sempre-maior.html' title='Um Brilho Sempre Maior'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111463950299215944</id><published>2005-04-27T19:02:00.000-03:00</published><updated>2005-04-27T19:05:02.996-03:00</updated><title type='text'>Amor em três tempos...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caro amigo Siloé e demais escritores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito tempo afastado de nossos diálogos virtuais – mas cuidando do cultivo da Alma necessário para torná-los mais e melhores – estou de volta. Devo admitir que, talvez, o desafio de discorrer sobre o amor tenha sido demasiadamente pesado para mim, visto a complexidade do tema. Para falar do amor, é necessário vivê-lo com tal intensidade que seja imprescindível escrever alguma coisa para aplacar o inevitável excesso de &lt;em&gt;pathos&lt;/em&gt; que transborda de uma relação amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, cá estou, e exatamente neste excesso de energia que se concentra entre duas pessoas que resolvem compartilhar uma intimidade juntas. E aqui já se encontra o tema de minha preferência, precisamente aquilo que torna o amor uma coisa inebriante. Me explico. Que é o amor senão o deleite do cotidiano, agora vivo por causa de uma cor mais forte e vibrante, um colorido mais tenro e ao mesmo tempo intenso? É verdade que o amor invade o dia a dia, e neste poder de tornar-se prazer em viver-vivendo é que ele se sustém (ah, que cheiro de Barthes isso tudo!...). Quando duas pessoas se amam, cada dia sem o amado (o artigo aqui tem a pretensão de uma universalidade de gênero) é uma espera: espera-se por um encontro que pouco tem de original mas, ao mesmo tempo, novo, renovado(r). Algumas vezes, quando o amado não está perto, o resto torna-se levemente agridoce, assume um tom colorido mas melancólico: pois ele não está ali para compartilhar estes momentos comigo, e eu me sinto, constato na ontologia – estou só. Outras vezes, a alegria de estar amando é tamanha que tudo está vivamente alegre, exacerbado – os detalhes escapam, as verdades se atenuam e tudo está bem. É assim que os sujeitos não se abandonam, mesmo longe um do outro: o amado está lá, em pensamento; existe, na marcação de sua ausência. E é pela sua falta que marca sua presença: mudando de alguma forma – mas sempre forte e intensa – os tons da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, amante e amado, amado e amante se instalam juntos no cotidiano, seja em presença fruída ou em ausência sentida. Para que? Para que o cotidiano de um seja o cotidiano de outro. Para que os dias não sejam mais dias para duas pessoas, mas um dia só – dia vivido no eterno, seguido e contínuo, pertencente a dois que querem ser Um. E é neste dia-a-dia que o prazer da intimidade compartilhada, cúmplice, se inscreve: meu amor é tão meu que nos fazemos melhores amigos. Lembro-me de uma sutil ternura quando minha amante me disse: “você tornou-se meu melhor amigo”. E a intimidade das coisas pequenas é o resultado. Cócegas, risos de qualquer coisa, tédio compartilhado, fofocas, assuntos banais, filme, pipoca, cobertor, lanche e cozinha bagunçada, corpo e assentimento para o corpo do outro, suor e mais-do-corpo. De repente o outro se faz vizinho, conhecedor do meu eu sem máscaras: é meu cotidiano tornando-se o cotidiano do outro, e vice versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colorido cuida do resto, e nada disso é sem graça, mas é en-graçado: envolto de uma benção transcendente, uma diabrura do destino que, olhe, deu certo! E é assim que dois amantes aprendem a espalhar e misturar no chão as figurinhas de seu cotidiano. E a força que tem essa &lt;em&gt;folie a deux&lt;/em&gt; é impressionante: de repente, o outro invade tantas áreas da minha vida que tudo tem um dedo dele! Mesmo o sentido das coisas, antes absolutamente pessoais, tornam-se públicas, e o amado torna-se ponto pivô: o trabalho, antes um prazer por si mesmo, agora era o lugar onde o amado poderia ser encontrado; o curso, antes uma escolha por interesse, agora lembra os gostos e aspirações do outro; o prato predileto, o esporte preferido, o livro de cabeceira, são agora lembretes de um amor que também compartilhou esse cotidiano de prazeres e peculiaridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o apaixonante da intimidade com o amado; esse é o doloroso de um fim indesejado: se o amor acaba, acaba também o sentido das coisas. E a devastação é o resultado iminente, uma falta de propósito na vida e nas experiências...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cedo ou tarde, a verdadeira prova de amor surge. Porque amor mesmo é o que sobrevive do deslumbramento, há o momento de rasgo do véu, abrandamento da paixão: conseqüência inevitável do cotidiano, cotidiano &lt;em&gt;demais da conta&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se existe alguma coisa em nós que claudica, que tendo ao fracasso e na dissolução encontra sua meta, o des-encontro é certo. Não é de duas pessoas de quem falamos, são de três objetos de investimento amoroso: eu, o outro e nós dois. Uma triangulação perfeita, onde eu e o outro cuidamos do “nós”; estar junto é fazer crescer uma experiência a dois. Se há uma relação de sujeito para sujeito nisso ou se eu falo para minha imagem do outro e vice versa (um diálogo de surdo mudos, por assim dizer) não importa agora, mas é certo que existe um vínculo que é mais ou menos abstrato. O relacionamento se cuida e é cuidado, e quando a tempestade do desencontro surge, sua atualização depende exatamente da natureza do vínculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a experiência do outro, a vivência do “nós” não passa do concreto – beijos e abraços como sinônimos de estar-juntos – os conflitos se passam nesse nível; brigas físicas e discussões enérgicas serão as únicas ferramentas disponíveis para a resolução das desavenças. O resultado, é claro, não poderia ser pior. Uma vez eu vi um casal novo passeando no shopping: ele a abraçava com força enquanto andavam, ele passava o braço ao redor do pescoço dela, como uma estrangulação, enquanto se beijavam com firmeza e quase brutalidade. O terceiro da relação, a entidade (posso falar assim?) “nós” era absolutamente corporal. A experiência de distanciamento físico para os dois jovens pombinhos, creio eu, deveria ser muito sofrida e as brigas, quando surgissem, deveriam ser extremamente confusas e penosas para ambos, muitas vezes acaloradas e talvez até mesmo salpicadas por agressões físicas mútuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que acontece com um namoro mais sutilizado? Se os amantes possuem uma concepção suficientemente abstrata de si mesmos, a partir de um nível subjetivo que me escapa em precisão, há uma grande chance do “nós” também tornar-se cada vez mais abstrato. A necessidade de se comprovar o relacionamento no físico pode ser menor ou mais suave. A distância física pode ser melhor suportada e/ou substituída pela segurança de se estar junto, em pensamento. Amante e amado se vivem num relacionamento mais subjetivo, e também resolvem suas inevitáveis desavenças pela fala: conversas duras, talvez discussões intelectualizadas, agressões irônicas, competições mascaradas por poder ou status. Será que isso se traduz num convívio mais tranqüilo, capaz de se atualizar e ser desmistificado de tempos em tempos (já que as possibilidades de resolução de conflitos, pelo simbólico, são também mais eficientes)? Ou o perigo de ser enganado pelas mistificações do pensamento obsessivo é maior, tornando o amor um labirinto de “discussões sobre a relação” e conversas complexas sobre um e o outro que se mostram completamente estéreis, e escondem na verdade uma agressividade latente disfarçada numa ironia mordaz? Talvez, mas uma coisa é certa: o amor pode tornar-se, em qualquer situação, suficientemente opressor, destituindo os prazeres da intimidade e o encanto do cotidiano por questões que, quase sempre, simplesmente não valem a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que revejo o que escrevi, percebo a diferença que se transforma de uma ponta à outra do texto: mudança de estilo, mudança de tom, mudança de perspectiva e de pensamento. Uma coisa invalida a outra? Acho que não. São todas impressões sobre o amor, em diferentes momentos lógicos (amor em três tempos), talvez, mas sempre parte da dinâmica do enamoramento. Estar com alguém é, sem dúvida alguma, uma arte. Viver com outra pessoa significa, acima de tudo, abandonar egoísmos, sustentar perdas narcísicas (quando, ironia das ironias, o que une um casal é exatamente a importância narcísica que cada um tem de si mesmo!) e aprender a aprender com o outro. É uma lição duríssima de humildade e desapego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter a fortaleza de caráter necessário para sustentar uma relação até o final é coisa para poucos. E é por isso que o amor é para os fortes de espírito. Amar, no final das contas, é uma constante afirmação de coragem: é por isso que se ama sempre de peito aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos bravos, então. E amemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111463950299215944?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111463950299215944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111463950299215944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111463950299215944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111463950299215944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/04/amor-em-trs-tempos.html' title='Amor em três tempos...'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111430707270702950</id><published>2005-04-23T22:39:00.000-03:00</published><updated>2005-04-23T22:44:32.706-03:00</updated><title type='text'>Tipos de Amantes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pois, Keitaro... eu nem não sei assim, no firme, falar muito de amor não. Coisa assim cheia de mistério, sabe. Como essas estradas aí desse mundo a fora. No de noite que a gente nem não enxerga direitinho. Aparece tanta coisa que, de mim, temo até arriscar nalgum saber. Mas conheço uns tipos de pessoas que assim se arriscam e que até meio que devem de saber sim dalgum mistério.&lt;br /&gt;Primeiro, tem o sábio Mestre. Esse sabe mesmo, no firme. Porque ele recebeu de Deus o dom de amar, e não tem perigo de cair no erro. É o que ele diz e sabe, como que se deve agir no amor. Ele acredita que sabe os mistérios da mulher e que pode satisfazê-la.&lt;br /&gt;O outro, é o professor. Ele não tem o dom divino, mas diz que já conquistou, a duras penas, de aprender os modos de se amar direito. Ele diz que faz de tudo para entender a mulher, que ela é um trem difícil. Amar requer disciplina e método.&lt;br /&gt;Tem também o Filósofo, aquele do tipo exagerado. Pra ele nada nunca está bom, porque o amor é sempre no além. Ele sabe mesmo é que não sabe amar. Pede sempre para a mulher que lhe mostre a verdade do amor, mas está, nesse movimento, sempre insatisfeito. A sorte do amor dele é sempre expor que falta alguma coisa – um fundamento, Arché.&lt;br /&gt;O último é o Poeta, o outro tipo de amante, é, na verdade, uma mulher, uma Poetiza. O amor dela é do tipo que vem provocar desejo. O homem, então, a busca pelo amor, pelo desejo que ela instiga, com seu ser de mistério. Esse mistério de ser mulher é que pede para o homem, no seu ser de falha, buscar produzir alguma identidade. Ela ama pelo belo da sedução.&lt;br /&gt;O que eu sei, Keitaro, você põe reparo, é que já observei no exato esses tipos de amantes. Não tem muito que ver se são homens e mulheres, isso é só para melhor ilustrar. Imagine que todos esses tipos de amor se encontram, e o desencontro que isso não dá? Só pode ser mesmo por isso esse tanto de mistério, nebulosidade. Tente você pensar só em uma dessas combinações - por exemplo, o Mestre sábio e o Filósofo, do tipo exagerado. Será uma combinação interessante: um sempre pedindo que se lhe mostre a verdade do amor, e o outro, o Mestre sempre pronto a atender. Mas daí, também, sempre sendo pisado, porque por mais seu saber grande que tenha, não dá conta direito. Um pede, outro dá, e um insatisfeito pra tornar pedir outra coisa, pra tornar rechaçar. Assim vai. Tipo assim, o que é que vou poder então dizer sobre esse mistério todo do amor? Nem não dou mais conta... Daí você deve já estar é parando e pensando no que tipo de amante que sou... Mas nem pensa muito não, Keitaro, porque no concreto a gente é bem diferente do que aqui no que a gente escreve. Acaba que a vida bobeia a gente... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111430707270702950?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111430707270702950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111430707270702950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111430707270702950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111430707270702950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/04/tipos-de-amantes.html' title='Tipos de Amantes'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111188777000691538</id><published>2005-03-26T22:32:00.000-03:00</published><updated>2005-03-26T22:42:50.006-03:00</updated><title type='text'>Grande Sertão: Veredas</title><content type='html'>"Mas eu não quis aquilo. Não aceitei. Questionei com ele, duvidando, rejeitando. Porque eu estava sem sono, sem sede, sem fome, sem querer nenhum, sem paciência de estimar um bom companheiro. Nem o ouro do corpo eu não quisesse, aquela hora não merecia: brancura rosada de uma moça, depois do antes da lua-de-mel. Discuti alto. Um, que estava com sua rede ali a próximo, decerto acordou com meu vozeio, e xingou xíu. Baixei, mas fui ponteando opostos. Que isso foi o que sempre me invocou, o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados... Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado..." "Viver é por demais perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para concertar o consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo..." "Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem - ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! - é o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco - é alta mercê que me faz: e pedir posso, encarecido." "Hê, mandacarú! Ôi, Diadorim belo feroz! Ah, ele conhecia os caminhares. Em jagunço com jagunço, o poder seco da pessoa é que vale... Muitos, ali, haviam de querer morrer por ser chefes - mas não tinham conseguido nem tempo de se firmar quente nas idéias. E os outros estimaram e louvaram: -"O Reinaldo! O Reinaldo!" - foi o aprovo deles. Ah." "Diadorim, digo. Eh, ele sabia ser homem terrível. Suspa! O senhor viu onça: boca de lado a lado, raivável, pelos filhos? Viu rusgo de touro no alto campo, brabejando; cobra jararacussú emendando sete botes estalados; bando dôido de queixadas se passantes, dando febre no mato? E o senhor não viu o Reinaldo guerrear!... Essas coisas se acreditam. O demônio na rua, no meio do redemunho... Falo! Quem é que me pega de falar, quantas vezes quero?!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111188777000691538?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111188777000691538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111188777000691538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111188777000691538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111188777000691538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/03/grande-serto-veredas.html' title='Grande Sertão: Veredas'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-111023533755834974</id><published>2005-03-07T18:35:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T13:31:56.866-03:00</updated><title type='text'>"Pelejar por exato, dá erro contra a gente" (Riobaldo)</title><content type='html'>" - O que é a verdade?"&lt;br /&gt;Nada menos do que a pergunta de Pilatos ao inocente que estava conduzindo à morte. Não ousaria, em sã consciência discorrer sobre isso. Ah, mas a gente se responde isso todo dia: isso é verdade, isso é mentira. O diabo é o pai da mentira... etc... tem pernas curtas...&lt;br /&gt;Eu até arrisquei a dizer sobre a verdade que ela não precisa ser estável. Sua característica não é a estabilidade, mas a intensidade. Não tenho como provar isso, mas como todas as coisas, de algum modo passam, o que seria verdade?&lt;br /&gt;Algo de transitório, que se coloca no horizonte... Toda verdade, quando afirmada e enunciada adquire um tom de mentira, pelo menos nos tocante às coisas transitórias... Eu digo: a verdade é que o verão no Brasil é sempre de muito sol - e logo vem uma chuva como possibilidade de desmentido.&lt;br /&gt;Talvez recorrendo à dialética hegeliana tenhamos alguma luz. Lacan viu isso em Freud: "Meu pai e a sra K são amantes, e meu pai me entrega ao senhor K numa troca odiosa. É essa a verdade, o que o senhor quer mudar nisso?". Para quem conhece a história, isso não deixava de ser verdade, mas Freud se interessou por uma verdade que estivesse um pouco além. Conduz a jovem, então, a fazer uma inversão dialética, atingindo um segundo nível da verdade: depois de algum tempo, ela mesmo consegue ir percebendo elementos que parecem lhe dizer que ela contribuia, e muito para essa situação. Era o pivô de tudo isso. Depois ela foi passando para outros níveis de verdade que não nos convém desdobrar. Sempre algo que nunca tinha pensado e que, agora, parecia-lhe tão na cara. É isso: a verdade flerta com o impensável. Isso porque ela sempre pode ser aprofundada, sempre tem um quê a mais. Talvez para acompanhar a transitoriedade de seus substratos. É, assim de um fugacidade, que só muito cuidado para não estarmos desprevenidos. Não é uma antítese, uma afirmação contrária que vem refutar a verdade, mas um desdobramento próprio sobre si mesma. Uma sua segunda afirmação em um outro tempo do sujeito. A verdade do sujeito, é aquele negócio, de teria estado ali... Mas não é por nenhum capricho, como muito bem me indagou uma célebre moça de Marília (SP). Não é por capricho meu que a verdade flerta com o inatingível, com a ignorância. Que o não saber se exprime como contorno e sustentáculo do saber. É que, diferente do que Hegel pensava, o Real não é Racional, pelo menos não totalmente. Quando a linguagem o apreende deixa escapar a melhor parte. Mas porque a melhor? Simplesmente por ser a que marca a tarefa por cumprir da própria linguagem. A verdade que eu não sei só é mais importante do que a que eu sei simplesmente por isso: por marcar que a busca deve continuar. A verdade no horizonte, no horizonte do desejo – daquilo que me falta decifrar.&lt;br /&gt;Pois negar que há algo por ser decifrado, que o saber, por mais extenso e em alta conta que o tenhamos, não pode cobrir tudo, negar isso não é ser partidário da mentira? Pois então! Afirmar uma verdade, sem reservas, é ser partidário da mentira... a verdade no horizonte, é isso é que é a verdade... pelo menos pode ser.&lt;br /&gt;Ah, isso era pra ser um texto poético. Mas a verdade, é que Freud sempre acaba entrando com sua psicanálise e, por enquanto, ainda não pude fugir disso pra falar sobre a verdade. Por que, no fundo, estou falando da verdade do inconsciente. Mas também falo da verdade que a poesia apenas insinua, esboçada por entre os dentes de quem ri de satisfação ao ler um pequeno verso que parece tudo dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-111023533755834974?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/111023533755834974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=111023533755834974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111023533755834974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/111023533755834974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/03/pelejar-por-exato-d-erro-contra-gente.html' title='&quot;Pelejar por exato, dá erro contra a gente&quot; (Riobaldo)'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-110713978662193934</id><published>2005-01-30T23:59:00.000-02:00</published><updated>2005-01-31T00:49:46.620-02:00</updated><title type='text'>+ sobre o amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O amor é um investimento libidinal, repleto de desejo. O desejo é, por sua vez, metonímico. O que isso quer dizer? Não quer menos que dizer que o desejo desliza por seus objetos. É certo que há uma busca do objeto "a" (aquele que seria definitivo), mas todo encontro com o objeto é tbm um desencontro e nenhuma pessoa há que preencha nossa falta "matando" nosso desejo. Por isso, como condenados a seres desejantes, quando um objeto de amor se afasta, pode ocorrer um certo luto, quando o investimento libidinal retorna para o eu (melancolia) para, então, estar novamente pronto para investir novos objetos. É claro que a capacidade de investir e desinvestir um objeto de amor varia de pessoa para pessoa, mas é saudável que haja em algum grau... Enfim, não é só possível, mas amamos infinitas vezes, mesmo que se admita que em alguns amores investimos mais que em outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ligar amor e desejo assim, tão de uma vez, requer uma definição mais cuidadosa. Desejo é isso que é a pura falta. É o que já vimos com o discurso de Diotima: o que deseja, deseja sempre o que lhe falta. Ninguém há que deseje aquilo de que já esteja farto. O amor é, pois, essa busca infinda de satisfação do desejo. Há sempre nessas busca uma certa mistura de aflições e felicidades, e não há melhor para nos ensinar sobre isso do que a própria experiência ingênua e concreta dos amantes, com seus sofrimentos indizíveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, o amor é isso, flerta com o inefável por esse caráter de incompletude, essa falta a ser redondo, redondo, redondo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-110713978662193934?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/110713978662193934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=110713978662193934&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110713978662193934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110713978662193934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/01/sobre-o-amor.html' title='+ sobre o amor'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-110635071372729657</id><published>2005-01-21T21:21:00.000-02:00</published><updated>2005-01-24T01:03:49.826-02:00</updated><title type='text'>De lagartas e borboletas</title><content type='html'>&lt;em&gt;"... esgueirou-se para fora da casca dura&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;virou-se para um lado e para o outro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;rasgou o casulo na amplidão das novas asas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e experimentou, nos desajeitos, aquele novo mundo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como se fosse sua primeira vez..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A todo tempo lançamos mão da poética para estetizar conceitos e definições no intuito de internalizá-los de maneira mais assertiva. Isso dito, posso afirmar que poucas metáforas poderiam explicitar de forma tão exata o processo de mediação vygotskiano como a da borboleta.&lt;br /&gt;Antes da desenvoltura aérea do voar, a borboleta experimenta na primeira fase da vida, sua fase enquanto lagarta. Vive nas folhas e flores, terrena e pesada, acumulando alimento para a transformação vindoura.&lt;br /&gt;Em correlação, um sujeito em processo de aprendizado alimenta-se de subsídios teórico-práticos que, pouco ou nada estruturados, aguardam sua chance de organização cognitiva. Isso não significa que o material colhido fica em desuso, inerte. Ele está em tentativa de equilibração, porcesso de tornar o conhecimento possível em potencial, metamorfose ambulante qual Raul Seixas e borboletas!&lt;br /&gt;Vejamos a lagarta, quando está pronta para transformar-se, busca na natureza um abrigo, um espaço só seu _ galho, folha caixote _ e, no silêncio dos dias, opera seu milagre. Assim também com aquele que aprende. Pronto para a mutação, ele espera algo que o apoiará na transcendência de seu estado. Só que, ao contrário da lagarta, que opera sua mudança no silêncio, o aprendiz urge da presença de um outro que aja como catalizador de seu processo de mudança. No lugar do galho, da folha ou do caixote, entra em cena o mediador.&lt;br /&gt;Metaforizando a metáfora, se eu fosse a lagarta e meu casulo se apoiasse sob um tronco, o conjunto tronco-casulo-tempo seria meu mediador.&lt;br /&gt;Desmetaforizando a metáfora, esclareço: o mediador é aquele que, de posse de métodos específicos, me ajuda a construir um saber científico e formal para que eu esclareça, a meus olhos, o mundo; enxergue-o com menos equívocos e mais graça. É o educador da escola, o professor de música, a cozinheira, o marceneiro. Mediador é quem ensina sabendo ensinar. Quem aponta a borboleta à largarta, incitando nela o desejo de voar. É quem faz crescer o sonho e nos abre os olhos para o potencial latente em cada um.&lt;br /&gt;O mediador é um despertador de paixões.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-110635071372729657?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/110635071372729657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=110635071372729657&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110635071372729657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110635071372729657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/01/de-lagartas-e-borboletas.html' title='De lagartas e borboletas'/><author><name>Carol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02800104076077199829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-110599573891393019</id><published>2005-01-17T18:21:00.000-02:00</published><updated>2005-01-17T19:02:18.913-02:00</updated><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Havia uma poltrona apontada para a janela. Era de um veludo verde, gasto, com seus largos braços apregoados de botões de cobre;  quase uma lembrança dos imemoriais tempos dos barões de café. Na poltrona, recolhida à mínima amplitude de movimento, a figura de um velho a contemplar a chuva que caía.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela janela podia-se ver a maestria da serra que se mostrava imponente por todo o horizonte. Ao longo de seu sopé, uma cidade inteira estendera-se vagarosa e clara, através dos anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Via-se casas, prédios, antenas, pequenas chaminés expelindo uma fumaça marrom-acinzentada, que se diluía nas camadas mais densas da atmosfera para voltar em forma de poeira e corrosão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certamente, pensaria ele, quando menino não havia nada daquilo. Tudo era verde e farto. Havia lobos, macacos e sapos, passarinhos a perder de vista! Era diferente a chuva, recordaria, água limpa vertendo do céu e cortando córregos pluviais pelas encostas do morro. Podia-se brincar nela, sem o medo das moléculas de combinados de enxofre acidificando onde quer que caísse. Ele mesmo, decerto, brincara diversas vezes, saindo para o temporal na companhia dos amigos _ todos eles menores de onze anos! Ah, aqueles eram os tempos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos borbotões, a água descia solene e modorrenta, como uma pororoca que tem certeza do que pode e não pode carregar para a garganta do rio. As nuvens embarreiravam a vista das cumeeiras, parecendo um grosso tecido de linho cru que acabara de ser pendurado no céu escuro. Ventava também. E o vento rodopiava qual saci entrando em fresta de porta. Deixava seu canto frio e tétrico, enquanto arrepiava as epidermes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Impassível, o velho assistia ao espetáculo d´água, enquanto, numa metáfora da vida, aguardava, ele mesmo, a calmaria que estava por vir depois de sua própria tempestade...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-110599573891393019?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/110599573891393019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=110599573891393019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110599573891393019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110599573891393019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/01/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>Carol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02800104076077199829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-110590959044242303</id><published>2005-01-16T18:43:00.000-02:00</published><updated>2005-01-18T08:58:00.026-02:00</updated><title type='text'>Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher! </title><content type='html'>Estou certo de que careço de inspiração e talento suficiente para acompanhar a singeleza das últimas palavras. Acredito, porém, que, ao falar de amor, não podemos fugir muito de pensar sobre "a mulher". Arrisco, pois, com a presença de uma entre nós, a lançar em pauta esse tema com uma simples poesia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escrevo para se ler em publico&lt;br /&gt;Escrevo para se ler chorando&lt;br /&gt;no cantinho do quarto&lt;br /&gt;no escuro&lt;br /&gt;com pudor&lt;br /&gt;escondido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque também sou assim&lt;br /&gt;Tão escondido que às vezes nem posso me achar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E escrevo no escuro&lt;br /&gt;sem saber o que escrevo&lt;br /&gt;Por isso leio com cuidado e pudor&lt;br /&gt;Para aprender um pouco mais sobre mim&lt;br /&gt;- Se é que me é isso possível...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, perdoem-me por não homenageá-las com um poema&lt;br /&gt;Que vocês teriam vergonha de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, convivo com vocês&lt;br /&gt;que são mulheres&lt;br /&gt;Que é para aprender a ser simples&lt;br /&gt;e aberto&lt;br /&gt;sem doer muito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico, contudo, enquanto não aprendo,&lt;br /&gt;Escrevendo no escuro&lt;br /&gt;Para espantar as sombras&lt;br /&gt;Essas incertezas que rondam por ai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08/03/2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bem fora de época, mas aí está! uma homenagem!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-110590959044242303?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/110590959044242303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=110590959044242303&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110590959044242303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110590959044242303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/01/parabns-pelo-dia-internacional-da.html' title='Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher! '/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-110566641819190758</id><published>2005-01-13T23:21:00.000-02:00</published><updated>2005-01-13T23:33:38.190-02:00</updated><title type='text'>Psiquê na carne dura</title><content type='html'>Dizem que há uma mulher por perto.&lt;br /&gt;Dizem que ela postará algo que será novo, leve, refrescante, até, como a alma feminina deveria, em teoria, parecer.&lt;br /&gt;Dizem...&lt;br /&gt;Trago comigo tal mulher. Não sei sob que nome ou forma; talvez metade daquilo que pareça ser ou, pasmem (!), quem sabe o dobro? Bobagens...&lt;br /&gt;Trago uma mulher que acredita no amor romântico, sem submeter-se a ele (declarando-se, assim, já imersa), que preserva o senso machista da natureza do pensamento contemporâneo, usando os dedos para escrever e lavar roupas; que citaria Descartes ou García  Marquez com a mesma insensatez, fazendo amor entre suas palavras e um tocar de telefone. Em suma, uma mulher menina, faceira, diaba e ingênua. Tudo isso, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Muito prazer. Pouco gozo.&lt;br /&gt;Uma poesia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pitangas da infância&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comporto as idéias&lt;br /&gt;nuns pensamentos velhos&lt;br /&gt;ouço na rua algumas crianças&lt;br /&gt;e retomo meus tempos de meninice&lt;br /&gt;quando toda fruta era doce&lt;br /&gt;todos os olhos, amigos&lt;br /&gt;todo o tempo do mundo era dias de domingo!&lt;br /&gt;ah, naquela idade&lt;br /&gt;´inda havia pitangas&lt;br /&gt;e niguém sofria de melancolia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-110566641819190758?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/110566641819190758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=110566641819190758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110566641819190758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110566641819190758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/01/psiqu-na-carne-dura.html' title='Psiquê na carne dura'/><author><name>Carol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02800104076077199829</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-110515329509540226</id><published>2005-01-08T01:54:00.000-02:00</published><updated>2005-01-08T01:01:35.096-02:00</updated><title type='text'>FELIZ 2005</title><content type='html'>Caros amigos, já faz algum tempo que não passamos por aqui. Certamente o nosso espírito está um pouco acomodado ao usufruto do tempo e sem grandes preocupações com as reflexões. A chegada do novo ano é, porém, digna da alguma poesia, se é que vocês me dão licença de publicar seguidamente. Além do texto, anuncio uma novidade: finalmente uma alma feminina estará oscilando por essas paragens. E já passo a dirigir-me a ela, que está para chegar. Mal a conheço, mas já tive a oportunidade de deliciar-me com alguns de seus suaves textos que muito marcaram o meu espírito. Aproveito para destacar neles uma qualidade da qual até então temos carecido: são textos densos, curtos. Não obstante, são docemente belos. Seja bem-vinda, aos nossos diálogos – já adianto a novidade na esperança de que finalmente alguém mais nos prestigie com a sabedoria. E uma sabedoria feminina, o que é muito especial para alguns de nós que nos interessamos por esse enigma: “O que é uma mulher?”.&lt;br /&gt;Aproveito para, pela primeira vez, dirigir-me aos leitores contando a nossa história. Isso tudo foi inspirado em “O Banquete”, de Platão. Esses são, pois, nossos discursos sobre o Amor, que estão abertos a todas as críticas. Espero que, finalmente, tenhamos recebido a nossa Diotima nesse templo e que ela nos dê um pouco de sua luz...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-110515329509540226?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/110515329509540226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=110515329509540226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110515329509540226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/110515329509540226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2005/01/feliz-2005.html' title='FELIZ 2005'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-109968721129395358</id><published>2004-11-05T18:16:00.000-02:00</published><updated>2004-11-05T18:42:42.426-02:00</updated><title type='text'>O que é o Amor Cristão?</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Caro amigo, já discursamos longamente a respeito de nossas próprias experiências de amor. São, na verdade, a fonte mais rica de inspiração que alguém pode ter. Hoje, porém, pretendo discursar sobre o Amor sagrado: o Amor de Cristo. Não logro ter a intimidade com o Deus que seja bastante para elaborar uma ontologia de seu amor, mas creio ter fé suficiente para indicar algumas coisas a propósito disso. E que o seu Espírito me inspire nessas palavras e, ao mesmo tempo, sua benevolência se derrame sobre mim para que me perdoe a pobreza da exposição. Talvez precise pedir auxílio de algum grande filósofo (Husserl, Freud, Politzer...) para dialogar sobre o tema e pôr à prova nossas concepções.&lt;br /&gt;Antes de tudo, quero advertir que o amor de Deus, conforme está na bíblia, é uma reflexão Ética e, como tal, deve guardar seus atributos de saber filosófico, mesmo que os consideremos simultaneamente como um saber religioso. E o que isso quer dizer? Não quer nada menos que dizer que o saber sobre o Amor divino é um saber sobre a totalidade da existência humana, que será tomado em sua máxima densidade ontológica. Digo isso apenas para que não o confundamos com esse nosso amor natural e comum. Ou mesmo com o amor tal como descrito por Freud, que guarda sempre, como a pulsão, algo de perverso e polimorfo, devido à sua parcialidade. Não que o amor descrito pela psicanálise tenha menos valor de verdade, mas apenas opera por uma redução epistemológica do objeto, ou seja, recorta um aspecto dessa totalidade para melhor esclarecê-la.&lt;br /&gt;Você pode, então, meu amigo, questionar se um amor tão geral assim, que se dá num plano do universal e necessário, como ele pode ter alguma relação com essa nossa vida, que se dá num plano concreto, particular e contingente. É justamente com essa questão que pretendemos trabalhar.&lt;br /&gt;Antes, porém, será preciso uma breve excursão no nosso livro sagrado, para ver se o que será exposto a seguir realmente procede de Deus.&lt;br /&gt;Temos que, no Antigo Testamento, as Leis de Deus, manifestas para o povo hebreu, tinham um certo caráter prático. Eram mandamentos que incidiam sobre as práticas humanas: "Não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho...". Certa vez, Jesus foi interpelado por alguns doutores da lei que queriam testá-lo indagando-lhe sobre qual seria o principal mandamento da lei. Nesse momento, Jesus fez o que Husserl chamaria de uma Redução Fenomenológica, baseada na intuição das essências. Jesus expõe o que seria – no sentido mais ontológico do ser – o evangelho, a sua essência: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo... desses dois mandamentos depende toda a lei e os profetas". O apóstolo Paulo, por sua vez, vem completar essa concepção quando descreve o Amor num plano de pura possibilidade. Ele diz, em I Cor. 13, que o Amor não se reduz a nenhuma ação prática: "Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, nada seria...". E o apóstolo é bem radical nessa posição, a ponto de dizer que mesmo o ato de entregar a própria vida, nem esse nobre e heróico ato de entregar o corpo para ser queimado pode esgotar isso que estamos chamando de Amor. Pode, inclusive, ser que esse ato nada tenha a ver com o Amor. Isso é como dizer que o Amor está num plano de pura possibilidade: em cada um dos atos descritos pelo apóstolo podemos encontrar o Amor, mas o Amor não se reduz a nenhum deles.&lt;br /&gt;Para ficar mais claro, tomemos um famoso exemplo da Fenomenologia, o da IX Sinfonia. Eu posso traduzi-la como sendo as sensações que me invadem ao escutar sua execução em um dado concerto, como sendo a escritura desta ou daquela partitura, ou a atividade do regente ou dos músicos, etc. Em cada caso poderei dizer que se trata da IX Sinfonia, contudo, ela não se reduz a nenhum dos casos, conquanto possa se dar em cada um deles inteiramente. A essência da IX Sinfonia persistiria mesmo se as partituras, os ouvintes ou a orquestra desaparecessem. Persistiria não como uma realidade, como um fato, mas como uma pura possibilidade. Temos, então, que a intuição da essência é o sentido ideal que atribuímos aos fatos materiais.&lt;br /&gt;É isso que se dá com o Amor, conforme Cristo expõe. E nós, familiarizados que estamos com a Fenomenologia, não cairemos no erro de achar que isso é um idealismo, e que Paulo está propondo um amor totalmente fora da realidade material. Pelo contrário, assim como todo objeto o é para uma consciência, e toda consciência só o é de algum objeto, o Amor não pode existir a não ser no sujeito que ama. Da mesma forma, o sujeito que ama, ama sempre alguma coisa. E nada pode ser mais concreto do que isso.&lt;br /&gt;Temos, então, uma leitura mais propícia para responder às críticas de que o Amor de Deus é perverso por exigir tanto do homem e por se colocar como um ideal tão distante. Alguns pensadores que usam o imperativo categórico kantiano para explicar o Amor Cristão e seu lado perverso não devem esquecer que o imperativo não incide sobre ações concretas: Dê esmolas, dê seu corpo para ser queimado... Isso sim poderia levar o indivíduo – e leva mesmo, conforme tantos exemplos na história e na clínica – à perversão ou à neurose, levando o imperativo às suas conseqüências últimas. Ele, pelo contrário, diz: Ame. E amar, segundo me parece, coincide bastante com o finalismo do bem contemplado pela razão, tão presente na filosofia grega. Seria equivalente a: faça o melhor que lhe for possível, de acordo com as circunstâncias, para Deus, para você e para o seu próximo.&lt;br /&gt;O imperativo não incide sobre o concreto, mas apenas se realiza nele. Por isso que costumo dizer que a relação com Deus é solitária, só se dá no um a um. Dessa forma, amar significa fazer o melhor em cada situação particular. Não fazer um Bem transcendental que deva ser equivalente para todos. Só é transcendental no sentido de que transcende o sujeito – não se dá num sujeito puro – até sua relação inseparável com o objeto. Eis porque "quem diz que ama a Deus e aborrece a seu irmão é mentiroso": o amor de Deus se realiza no concreto da existência humana que, ainda assim, não o esgota. Podemos, dessa forma, reler a parábola da ovelha e da dracma perdidas dessa forma: o Pastor deixa as noventa e nove no aprisco e segue atrás da única que se perdeu não necessariamente para manter o todo coeso do seu rebanho, mas, pelo contrário, porque sua relação com a ovelha se dá no um a um. Assim, se as noventa e nove se perdessem, cada uma para o seu lado, o resgate precisaria ser, árduo como descreve, singular para cada uma das ovelhas.&lt;br /&gt;Finalmente, caro amigo, caso lhe reste alguma dúvida de que você não esteja cumprindo o mandamento de Jesus, e que este é, por demais, pesado para nós, que somos tão apaixonados, então lhe peço que lembre do sacrifício de Cristo na cruz, que tem esse significado: de levar as nossas culpas e as nossas iniqüidades. A graça é isso, tirar a Ética do plano da obrigação para o plano da consciência reflexiva. Tirar a escolha do Bem de um plano de obrigação heterônoma para com um Deus distante e colocá-la no plano da existência do sujeito concreto, que tem suas escolhas e que, agora, tem, inclusive, livre acesso a Deus.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-109968721129395358?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/109968721129395358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=109968721129395358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/109968721129395358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/109968721129395358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2004/11/o-que-o-amor-cristo.html' title='O que é o Amor Cristão?'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-109794763827574176</id><published>2004-10-16T14:23:00.000-03:00</published><updated>2004-10-16T14:27:18.276-03:00</updated><title type='text'>Caro amigo Siloé...</title><content type='html'>&lt;em&gt;Dize:&lt;br /&gt;O vento do meu espírito&lt;br /&gt;soprou sobre a vida.&lt;br /&gt;E tudo o que era efêmero&lt;br /&gt;se desfez.&lt;br /&gt;E ficaste só tu, que és eterno.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Cecília Meireles, Cânticos)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Amor.&lt;br /&gt;                                                                                                                                            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro amigo Siloé,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Recebo tua carta com grande prazer. Sempre me é uma rara alegria poder compartilhar um pouco de idéias com um amigo tão querido. E por tais motivos sinto-me compelido, quase obrigado, a retribuir tua gentileza com uma outra carta – talvez incapaz de traduzir com precisão aquilo que experimento com relação ao amor, mas ainda sim fiel à tentativa de trazer um pouquinho de alento da verdade até nós. Verdade dessas que, invoco Clarice, fazem-nos adivinhar, confusos, a perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Muito já me questionei sobre o assunto, e em cada tempo uma nova visão me surgiu, incerta, mas sempre comovente, sobre o que é o amor. Inevitável, já lhe adianto, não tingir de pessoalidades minhas conjecturas – por mais puras que eu possa tentar lhes conceber. Furto-me, entretanto, de cair nos engodos e perigos dos superlativos da paixão – assunto que trataste muito bem em sua carta. Não quero aqui um ode às qualidades do amor, ou ao estado de espírito enlevado garantido àqueles que amam, mas simplesmente compartilhar um pouco das minhas impressões com um bom amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui mais otimista também, meu bom amigo, mas de uma certa maneira ainda conservo uma parte deste tolo espírito de ingenuidade que passionalmente acredita no amanhã. Contudo, hoje um pouco desta paixão foi transformada, e alguma serenidade pode ser vislumbrada. Por isso, meu caro Siloé, minha vida é resultado de minhas dores. Mas foi aí que encontrei meu melhor alento, minha mais feliz descoberta, e espero poder compartilhá-la contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Falemos, portanto, do amor. E que a mesma musa que inspirou Sócrates (ou, se preferires, Platão) a compor tão belos discursos esteja ao meu lado neste momento. Rogo ao meu daimon que me garanta passagem ao reino onde se encontra minha verdade. E a ti, peço perdão adiantado pela pobreza de meu conteúdo e a insipidez tola de alguém que ainda precisa viver muito mais para poder falar tão abertamente sobre tão obscuro tema. Apenas o apreço que tenho por ti e teus escritos me autorizam a tentar tão arriscada empreitada, já seguro que serei perdoado pela vã tentativa de lutar contra as palavras – como diria nosso bom amigo Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Uma advertência, porém. Não me atreverei a falar do Amor, meu amigo Siloé, ainda que dedique esta carta a Ele. Pois bem sei que nada é criado sem o Amor, e também sei que nada é destruído sem Vossa presença. Tal é a natureza do que jaz e subsiste em cada um de nós. Mas me aterei aos amores humanos, estes que fazem parte dos pequenos dramas pessoais e que, como bem me lembrastes, definem o caminho para “isso que é nosso bem maior”. Parece mesmo que o grande épico da vida é escrito de pequenas mas fundamentais estórias de amor. E, portanto, longe do mundo dos deuses, olho comovido para o mundo, vasto mundo dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Um mito me veio à cabeça dia desses, quando a derrocada do amor nos chama novamente à pena e papel, como se deles pudesse advir algum consolo. Esta é a história: um hábil artista grego, chamado Pigmaleão, decepcionado e desiludido com as mulheres que encontrara pelo mundo – cujas belezas não lhe tocavam o espírito – resolveu esculpir uma amada para si. Trancou-se em seu ateliê e avultou-se a criar a mais bela jovem que seu amor pudesse conceber. Com tal esmero e destreza deu forma à sua beldade, que dez anos se passaram até que ela ficasse pronta. Chamou-lhe Galatéia. Tal era sua beleza, e tal era a paixão que ardia em seu coração, que Pigmaleão enamorou-se pelo frio mármore da estátua. Foi então que Vênus, atraída pela chama que queimava no peito do artista, comoveu-se ao ver o amor que o unia à sua criação. Sua impressão foi tão poderosa que decidiu transformar a estátua em carne. Pigmaleão, emocionado, arrebatou Galatéia em seus braços e sentiu-se completo, como nunca havia se sentido antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Não há neste mundo, meu bom amigo, mulher que possa completar nosso coração, como tu discorreste muito bem em sua carta. Não há amor que valha uma vida, não há amada que seja o meio e o fim para seu amante. Assim é o amor, porque assim somos nós, humanos, demasiadamente humanos. O que nos resta, quase como uma maldição, é braçalmente esculpir Galatéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Somos assim mesmo, fatalidade, assim sem qualquer à priori. Peço licença poética: a verdade que procuramos é sempre construída. Sua base: fé. Somos isso, somos feito de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Tens razão, meu caro Siloé, o amor também é dor. O amor é todo humano. Como não há amada neste mundo que possa corresponder ao nosso amor – que pede coisas humanas, mas deseja coisas divinas – toda amada ritualiza-se Galatéia. Apaixonamo-nos pelo que vemos, mas, ora, o que vemos? Esboço da estátua, forma para o mármore, martelo e cinzel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:&lt;br /&gt;Pois os olhos são os espiões do coração.&lt;br /&gt;E vão investigando&lt;br /&gt;O que agradaria a este possuir.&lt;br /&gt;E quando entram em pleno acordo&lt;br /&gt;E, firmes, os três em um só se harmonizam,&lt;br /&gt;Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce&lt;br /&gt;Daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração.&lt;br /&gt;O amor não pode nascer nem ter início senão&lt;br /&gt;Por esse movimento originado do pendor natural.&lt;br /&gt;Pela graça e o comando&lt;br /&gt;Dos três, e do prazer deles,&lt;br /&gt;Nasce o amor, cuja clara esperança&lt;br /&gt;Segue dando conforto aos seus amigos.&lt;br /&gt;Pois, como sabem todos os amantes&lt;br /&gt;Verdadeiros, o amor é bondade perfeita,&lt;br /&gt;Oriunda – ninguém duvida – do coração e dos olhos.&lt;br /&gt;Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece:&lt;br /&gt;Amor, fruto da semente pelos três plantada.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;[Guiraut de Borneilh (circa 1138-1200?)]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O fatal do amor é este encanto, meu bom amigo, assim penso agora. Não há como se furtar de um destino criado lá onde não pensamos, logo, somos. Tu bem sabes do que digo. E Galatéia toma vida, não-humana, fruto de nossas imperfeições e desde já amaldiçoada pela amada que lhe deu forma, mas não cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O resto é aquilo que rasga o espírito, adoece a alma. Não, e não adianta mais o suicídio dos poetas românticos, não é corpo para ser cortado, não é carne para ser devorada. É alma, é dor de coração dessas que não matam mas fazem da vida morte. Galatéia vive e dança, zombeteira, de seu próprio criador.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Isto é bem trágico, meu amigo, e tens razão em elogiar os poetas: apenas eles sabem o segredo das palavras quando elas não bastam para traduzir amor e dor. No fim, o amor é mesmo como chama: queima e incendeia tudo por onde passa, consome e consome-se na loucura de quem não sabe o que faz. Sobre o sofrimento fruto das últimas brasas – pois são estas as que mais machucam – tu citaste Manuel. Eu cito Cecília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não digas: “o mundo é belo”.&lt;br /&gt;Quando foi que viste o mundo?&lt;br /&gt;Não digas: “o amor é triste”.&lt;br /&gt;Que é que tu conheces do amor?&lt;br /&gt;Não digas: “a vida é rápida”.&lt;br /&gt;Como foi que mediste a vida?&lt;br /&gt;Não digas: “eu sofro”.&lt;br /&gt;Que é que dentro de ti és tu?&lt;br /&gt;Que foi que te ensinaram&lt;br /&gt;Que era sofrer?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;(Cecília Meireles, Cânticos)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O resto, o que sobra, depois de apagada a última brasa, é cinza. Melancolia e um estranho sentimento de confusão.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Mas é comovente como tanta beleza surge dessa vastidão sem vida. É sempre preciso recomeçar, mais e melhor. As cinzas nutrem a terra com calor e promessas. O amor é um constante aprendizado, isto eu lhe garanto do fundo de meu coração, meu caro Siloé. Não tenhamos medo, então. Tens razão, tens razão, caro Siloé: “não usemos mais nossa ânsia pelo bem para cobrir os pequenos males do percurso”. Tudo cresce, tudo muda, a vida nasce com a benção e a advertência da dor. Somos feitos de medo, mas somos também filhos de nossos passos. Criemos, então, nosso caminho, herdado de amores imperfeitos, mas ainda sim, amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto, o resto é um sagrado silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao refletir sobre tudo isto, encontrei uma verdade sobre tudo que passei nesses últimos tempos, verdade que agora humildemente compartilho contigo. Lembro-me de Joseph Campbell, que encontrara, dia desses, Romeu e Julieta numa esquina de uma rua, esperando o sinal abrir. Lá estão os dois trágicos amantes, lá e aqui, perto de nós, ao nosso lado. Nós também somos Romeu. E nossas amadas, Julieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeço-me então, desejando-lhe felicidades e a sabedoria necessária para vivê-la e partilhá-la com todos que estejam próximos de ti. E que o sofrimento e dor possam representar para ti não mágoa e ranger de dentes, mas aprendizagem e amadurecimento. Coragem, então. Caminhemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que tu viste amargo,&lt;br /&gt;Doloroso,&lt;br /&gt;Difícil,&lt;br /&gt;O que tu viste breve,&lt;br /&gt;O que tu viste inútil,&lt;br /&gt;Foi o que viram os teus olhos humanos,&lt;br /&gt;Esquecidos...&lt;br /&gt;Enganados...&lt;br /&gt;No momento da tua renúncia,&lt;br /&gt;Estende sobre a vida&lt;br /&gt;Os teus olhos&lt;br /&gt;E tu verás o que vias:&lt;br /&gt;Mas tu verás melhor...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;(Cecília Meireles, Cânticos)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-109794763827574176?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/109794763827574176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=109794763827574176&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/109794763827574176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/109794763827574176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2004/10/caro-amigo-silo.html' title='Caro amigo Siloé...'/><author><name>Moisés</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04746931309622198468</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-pAoy3V31wKc/Tg0ihlt65vI/AAAAAAAAAFg/KsCgA0TAnDQ/s220/spinoza1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8720998.post-109789950225587858</id><published>2004-10-16T00:56:00.000-03:00</published><updated>2004-10-16T01:06:40.466-03:00</updated><title type='text'>Sobre o Amor...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Caro amigo Keitaro, o que tenho hoje a dizer sobre o amor não é, certamente, nada de novo, mas é algo que me foi penoso reconhecer. Se em muitos momentos demonstrei grandes esperanças na eterna sublimidade do amor, confesso hoje, humildemente, que não consegui manter esse meu ideal – essa tão alta virtude que é amar –, não consegui mantê-lo longe das influências desnorteantes desse meu corpo, dessa minha carne.&lt;br /&gt;O amor, Keitaro, é isso que você está vendo: &lt;em&gt;hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo, segunda feira ninguém sabe o que será....&lt;/em&gt; (C. Drummond).&lt;br /&gt;Inútil querer mantê-lo aí, nessa perfeição que você tem na sua alma. Cedo, cedo ele tratará de jogá-lo na lama, para que você sinta um pouquinho o gosto disso aí que é a dor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Quem disse que o amor pode acabar?”(&lt;/em&gt;Catedral). Eu digo, meu amigo. O amor acaba, e fica no seu peito só essa imensa vontade de, mesmo assim, fazer o bem.&lt;br /&gt;Correria chorando para dar-lhe essa notícia, meu amigo, se não me consolasse essa sua vontade de fazer o bem: amar os que te aborrecem...(mesmo isso não sendo totalmente isento de suspeitas).&lt;br /&gt;Desconfio que mesmo essa história de desprezar os pequenos sofrimentos seja, no fundo, uma fuga. É por demais pesaroso que eles - os pequenos sofrimentos - existam do nada, e que sejam, enfim, a principal pedra de tropeço para que todos cheguemos nisso que é o bem maior.&lt;br /&gt;Ah, Keitaro, como posso &lt;em&gt;clamar pelo mundo que é grande e vazio&lt;/em&gt; (Fábio Bispo), se tenho esse espinho na carne e que dói como a peste?&lt;br /&gt;Pois é isso mesmo que é o homem, esse bicho-do-mato. E como é difícil manter essa, mínima que seja, sensação de segurança. Conheço diversas mulheres, Keitaro, como você também conhece, que teria muito bem o potencial de compreender o que digo. Elas me oferecem tudo, mas sou sempre esse cara insatisfeito que no fundo queria era outra coisa: se me dão amor, quero sexo. Se sexo, amor. Se me dão tudo, não era isso. Se me dão isso... ah, tô sem vontade...&lt;br /&gt;Porque todos não podemos ter uma amizade simples e constante, dessas que exaltam as virtudes e que aceita um sorvete de vez em quando, e um beijo no rosto, e sobrevive...?&lt;br /&gt;Mas não, o amor é cruel, Keitaro, e quer sangue:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A paixão quer sangue e corações arruinados&lt;br /&gt;E saudade é só mágoa por ter sido&lt;br /&gt;Feito tanto estrago&lt;br /&gt;E essa escravidão e essa dor não quero mais...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Legião Urbana)&lt;br /&gt;Que nada, meu amigo! No fundo é essa dor e escravidão que buscamos: &lt;em&gt;é só hoje, e isso passa, Eu nem sei porque me sinto assim, tem de repente um anjo triste perto de mim... &lt;/em&gt;(L. Urbana). &lt;em&gt;Acostuma-te à lama que te espera...&lt;/em&gt;(A. dos Anjos). Faça dessa dor aguda e sólida &lt;em&gt;sua doce e constante companheira...&lt;br /&gt;Se ao menos esta dor servisse&lt;br /&gt;Se ela batesse nas paredes&lt;br /&gt;abrisse portas&lt;br /&gt;falasse&lt;br /&gt;se ela cantasse e despenteasse os cabelos&lt;br /&gt;Se ao menos essa dor se visse&lt;br /&gt;se ela saltasse fora da garganta (como um grito)&lt;br /&gt;caísse da janela fizesse barulho&lt;br /&gt;morresse.&lt;br /&gt;se a dor fosse um pedaço de pão duro&lt;br /&gt;que a gente pudesse engolir com força&lt;br /&gt;depois cuspir a saliva fora&lt;br /&gt;sujar as ruas os carros o espaço o outro&lt;br /&gt;esse outro escuro que passa indiferente&lt;br /&gt;e que não sofre tem o direito de não sofrer.&lt;br /&gt;Se a dor fosse só a carne do dedo&lt;br /&gt;que se esfrega na parede de pedra&lt;br /&gt;para doer doer visível.&lt;br /&gt;doer penalizante&lt;br /&gt;Doer com lágrimas&lt;br /&gt;se ao menos essa dor sangrasse&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Manuel Bandeira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;È, meu amigo, também fico impressionado: como os poetas são, às vezes, tão exatos. E nessas coisas que são tão fugidias!&lt;br /&gt;Mas não quero ser julgado por isso. Não é uma decepção amorosa que me leva a olhar o amor com outros olhos. Talvez um amor que deu muito certo tenha ajudado. Mas deu tão certo que não suportei. Por isso digo que não podemos cometer mais esse pecado de menosprezar nossas infantilidades, porque, afinal de contas, são nossas, muito nossas. Talvez o que existe de mais nosso nesse mundo: esse nosso tesouro escondido.&lt;br /&gt;Enfim, caro amigo a quem muito prezo e admiro, aceite que o amor tem dessas coisas e encare a realidade como ela se apresenta. Não usemos mais nossa ânsia pelo bem para cobrir os pequenos males do percurso. Enfrentemos, pois, esse mundo tenebroso. Quem sabe ainda possamos lançar-lhe alguma luz? Temos como aliada essa nossa vontade do bem, que já não é grande coisa perante nossos próprios pequenos dilemas, quem dirá perante os grandes sofrimentos do mundo! Mas vamos lá, &lt;em&gt;temos ainda muito o que fazer. Não olhe pra traz, o mundo começa agora. Apenas começamos...&lt;/em&gt; (Legião Urbana). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8720998-109789950225587858?l=cartasvivas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasvivas.blogspot.com/feeds/109789950225587858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8720998&amp;postID=109789950225587858&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/109789950225587858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8720998/posts/default/109789950225587858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasvivas.blogspot.com/2004/10/sobre-o-amor.html' title='Sobre o Amor...'/><author><name>Fabio Bispo</name><uri>https://profiles.google.com/114197116524558336015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-RXhLTnSDP68/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/gPt63pTJsmk/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
